Quem me conhece sabe que uma das coisas que mais abomino na vida é a hipocrisia.

‘Sou como sou’

Posso ter mil e um defeitos – e tenho bastantes –, mas nunca ninguém poderá dizer: ‘aquele tipo é ou está a ser hipócrita’.

Como não sou hipócrita, já todos perceberam – sobretudo pelos meus editoriais e por um percurso jornalístico de mais de 20 anos –, que há políticas e políticos que condeno e repudio com toda a frontalidade.

Como um dia escreveu o tão incompreendido Manuel Cid Teles, “Sou como sou”. E não ficaria bem com a minha consciência se não escrevesse nesta coluna do Correio da Beira Serra aquilo que eu considero como uma espécie de “Declaração de Interesses”.

Ao fim e ao cabo é um contrato com os leitores, feito numa altura em que muito se fala de manipulação de consciências. Da minha parte, os leitores sabem, portanto, com o que contam.

Não vou esmiuçar o passado porque ficaríamos todos muito deprimidos. Mas vou dizer que a política deve assentar numa célebre frase de Francisco Sá Carneiro, que um dia disse: “Quero um país em que os idosos tenham presente e os jovens tenham futuro”.

Acho que é justamente esta frase que deve inspirar os eleitos na governação de um concelho, mas também os seus munícipes nas escolhas que farão dia 11 de Outubro.

Votar é escolher e decidir em consciência sobre as soluções que melhor servem os interesses colectivos do concelho.
Ninguém se deve sentir hipotecado – e isso continua a acontecer – só porque o político A ou o político B lhe resolveu um problema pessoal.

Um presidente da Câmara – há por esse país fora muitos autarcas que dificilmente conseguiriam ganhar ‘cá fora’ o que auferem enquanto titulares de um órgão político – é pago com o dinheiro dos contribuintes para zelar por todo o seu território e todos os seus munícipes. SEM DISTINÇÃO!

Um presidente da Câmara tem que o ser, efectivamente, 365 dias por ano. O que não pode acontecer é este folclore a que se assiste com obras e obrinhas nos sítios onde agora é preciso ir captar votos para assegurar o poder.

São estas questões que todos devemos esmiuçar, porque enquanto Portugal tiver autarcas deste calibre, o país estará sempre adiado.

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