“Sou contra o fecho de escolas que dão vida às aldeias”

 

… das escolas que “têm importância estratégica para as comunidades e as suas freguesias”.

Objeto de requalificação, a Escola do 1º Ciclo de Ensino Básico de Seixo da Beira foi hoje apontada como o exemplo de um estabelecimento de ensino a manter, a bem dos alunos e da própria comunidade.

“Querem continuar nesta escola ou mudar para  Ervedal da Beira?”. A questão foi dirigida pelo presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital aos alunos que frequentam a escola de Seixo da Beira. “Queremos ficar aqui”, responderam em uníssono os pequenos alunos.

A resposta já esperada sossegou o presidente da autarquia oliveirense que, naquela hora pode comprovar a veracidade do que o próprio defende para o ensino no concelho. “Venho aqui reiterar a defesa destas escolas, que têm importância estratégica para as comunidades e as suas freguesias”, referiu José Carlos Alexandrino que, esta manhã, se opôs ao encerramento das pequenas escolas que “dão vida às aldeias”.

Uma posição que defende – “estas escolas ainda têm viabilidade, uma aldeia sem crianças morre”, nota – mas que, como clarifica, não toma como absoluta, já que a decisão final em termos de reorganização do mapa educativo terá em conta as alternativas apresentadas pela equipa que estuda o Projeto Educativo Local e que, possibilitará uma discussão alargada com vista a uma tomada de decisão final, que terá que ser discutida entre o município oliveirense e o ministério da Educação.

Município prepara incentivo à natalidade

Determinante será, porém, a mais recente constatação em matéria de perda populacional e escolar. “É aflitivo o que está a acontecer”, admitiu o autarca, que chega a falar da necessidade de repensar investimentos em estruturas educativas. Visivelmente alarmado com as recentes projeções demográficas para os próximos 10 e 20 anos, Alexandrino diz ser hora de o município levar à prática incentivos que potenciem a fixação de empresas.

Ainda que o decréscimo demográfico se afigure como uma tendência que afeta todo o país – “estudos referem que daqui a 10 anos Portugal terá menos um milhão de habitantes”, referiu – o presidente da Câmara oliveirense disse ser hora de a autarquia colocar em marcha um plano de incentivo à natalidade.

Em causa está a atribuição de uma bolsa mensal destinada a crianças até à idade pré-escolar. Segundo adiantou, a medida está a ser objeto de estudo e deverá ser posta em marcha dentro em breve. “Sensível” à área da Educação, o autarca oliveirense falou hoje do investimento municipal nos apoios dados às famílias, numa articulação com a área de ação social. “As dificuldades das famílias refletem-se nas crianças”, referiu o autarca que destacou o esforço da Câmara na compra dos manuais escolares para todos os alunos do 1º CEB e o pagamento de transportes aos alunos até ao 12º ano, prática já herdada do anterior executivo municipal. A par destas medidas, Alexandrino registou o empenho na prevenção e sinalização de crianças em situação de carência, com o objetivo de suprir necessidades. “Queremos crianças felizes”, referiu.

Mudança para Centro Educativo de Nogueira do Cravo deverá acontecer no decorrer do ano letivo

No dia em que os alunos retomam em força as atividades letivas, Alexandrino referiu que o arranque do novo ano está a decorrer dentro daquilo que é normal. Por cumprir não deixa, contudo de estar, a promessa de inauguração do Centro Educativo de Nogueira do Cravo, situação que obriga os alunos daquela freguesia a prolongar as suas atividades letivas em instalações provisórias.

“Já tivemos o visto do Tribunal de Contas e temos condições financeiras para concluir a obra”, disse satisfeito o presidente oliveirense que espera conseguir efetuar a mudança no decorrer deste ano letivo. “Não posso criar expectativas”, disse cauteloso o autarca que prefere não voltar a avançar com datas para abertura do novo Centro Educativo, para não defraudar a comunidade de Nogueira do Cravo.

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