“Temos de acabar com o clube dos sábios”

O ex-presidente da Câmara de Oliveira do Hospital e actual apoiante da candidatura do PSD àquela autarquia, Mário Alves, disse ontem Alvoco das Várzeas que está na altura de acabar com aquilo que designou por clube dos sábios, aquele “grupo restrito de pessoas que se reúnem e decidem sem ouvir a população”. O antigo autarca referia-se ao actual executivo do Município, e que se recandidata a um terceiro mandato pelo PS, o qual, no seu entender é “necessário remover”.

“Tomam as decisões sem se importarem com aquilo que a população considera mais importante”, sublinhou, perante uma plateia entusiástica, e antes de elogiar a escolha do partido para a liderança da Junta de Alvoco, Jeanette Santos, licenciada em Educação Social e que no ano passado terminou o mestrado em Educação e Formação de Adultos e Intervenção Comunitária. “Acabámos de ouvir alguém com um sentido social acima da média. O que ela pretende fazer é aquilo que considerais imprescindível aqui na vossa terra. O caminho tem de ser feito apostando naquilo que são as necessidades das pessoas”, frisou, sublinhando que há algo mais relevante que as obras necessárias como a construção de um açude para criar um lençol de água ou arranjar uns paralelos. “O mais importante são as pessoas”, atirou.

Mário Alves acusou depois o actual executivo de José Carlos Alexandrino de ter criado um clima “de medo” em Oliveira do Hospital que não via nos “42 anos que leva de democracia”. “É uma tentativa de intrusão e de condicionar as pessoas para evitar a discussão de ideias e uma disputa eleitoral limpa”, acusou, passando a enumerar algumas das medidas tomadas pelo actual executivo que têm, no seu entender, pouco de democrático. “Numa democracia, a autarquia não pode fazer sair um livro a poucos dias da campanha eleitoral com obras feitas e outras por fazer, com o dinheiro de todos nós. Numa democracia não se leva a reunião de Câmara a aprovação, poucos dias das eleições, de subsídios para várias instituições. Isto é o que se chama o conto do vigário para caçar votos”.

“Alguém aqui está à venda para o senhor presidente da Câmara comprar?”

O ex-autarca foi ainda mais longe e perguntou se alguém da plateia estava à venda para o senhor presidente da Câmara comprar. E, como resposta, aproveitou para citar uma alegada afirmação do ex-presidente da Assembleia Municipal eleito pelo PS, de António Lopes, que também se encontrava na sala, como apoiante do candidato João Paulo Albuquerque à liderança da autarquia. “Não é verdade. Há coisas que não podem ser compradas, como é o caso da liberdade ou a dignidade de cada um de nós”, frisou, adiantando depois não entender como é que o PS diz estar no caminho certo e depois de oito anos de mandato apresenta um programa de 150 medidas. “Isto não é normal. O que é normal é ser a oposição a apresentar medidas para mudar as políticas”, criticando José Carlos Alexandrino por ter abandonado um projecto para criar uma extensão de saúde de raiz em Avô, trocando-o pela adaptação do rés-do-chão da Junta de Freguesia. “ Nos últimos oito anos nada de estruturante foi feito nesta freguesia. E neste caso, as pessoas daqui a uns tempos correm o risco de entrar lá com saúde e sair de lá doentes, tal é a humidade”, rematou.

Na plateia, o antigo presidente da Junta de Avô Aristides Gonçalves que pediu para falar de forma a corroborar as afirmações de Mário Alves. O antigo autarca, algo com a saúde algo debilitada fez questão de marcar presença no evento e afirmou que as grandes obras, como a Praia Fluvial da Ilha do Picoto, foram feitas no tempo da presidência de Mário Alves. “Nas grandes obras de Avô a autarquia PS nunca nos ajudou em nada. O que foi feito, foi no mandato de Mário Alves”, concluiu.

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  • Salazar

    Primeiro lmento que o jornal não publique os comentários postos e só os que lhe interessam são colocados segundo perguntem ao Sr. Mário Alves se se recorda do recentemente falecido Mário Nascimento?