TENHA UM BOM RESTO DE VIDA… OU DE CARREIRA

 

Naturalmente, a nossa autoestima atual é fruto da educação e das experiências que tivemos no passado. Os sucessos e os insucessos emocionais ou profissionais, os bons e os maus momentos com amigos ou família, tudo… Tudo nos acabou por servir de lição e nos transformar naquilo que somos.

E é fácil perceber que a nossa confiança e segurança seja fruto desses sucessos ou insucessos passados. Por isso, depressa aprendemos que reviver maus momentos nos deita para baixo e que a nossa confiança necessita de sucessos.

Porém, se recordar sucessos passados é positivo para a nossa saúde mental, há também um contraditório interessante. O ex-presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, dizia “Aqueles que olham apenas para o passado ou para o presente serão esquecidos no futuro”. Queria com isto dizer que a mudança é a lei da vida e que, como a sabedoria popular nos ensinou, “para a frente é que é o caminho”. Uma máxima usada, inúmeras vezes, no contexto empresarial dá razão à sabedoria popular: o que quer que o fez ter sucesso no passado não o fará ter sucesso no futuro. Quem o dizia era Lewis Platt, o antigo diretor da HP, que deu corpo à ideia que reviver os sucessos passados não é, propriamente, benéfico para a necessidade de constante inspiração criativa do mundo empresarial.

Albert Einstein sempre defendeu a importância desta inspiração criativa e garantia mesmo que “a inspiração era mais importante que o conhecimento”. Não sendo propriamente um aluno brilhante, Einstein foi prova do que Anna Freud afirmava “as mentes criativas são conhecidas por sobreviver a qualquer tipo de má aprendizagem…”.

Olhando para o nosso sistema educativo, a má aprendizagem é, cada vez mais, uma garantia. Por isso, neste aspeto até pode ser que a futura geração seja mais criativa. Contudo, não podemos esquecer que até Pablo Picasso assegurava que a inspiração não dependia dele. A única coisa que podia fazer era garantir que, quando a inspiração aparecesse, ele estaria a trabalhar, reforçando a velha fórmula de que a criatividade é composta de 1% de “inspiração” e… 99% de “transpiração”. E neste aspeto da “transpiração”, já não acredito que o nosso sistema educativo facilitador esteja a ser um bom treinador para o que quer que seja…

Na realidade, um criativo sabe que não se pode esconder vangloriando-se dos sucessos de outrora, pois a sua autoestima e autorrealização não sobrevivem, durante muito tempo, com antigas conquistas.

Sempre que usamos o sucesso passado estamos a desgastá-lo e a torná-lo mais fraco, como se de uma fotografia antiga se tratasse, que, sempre que a expomos à luz, se vai desvanecendo e perdendo a cor. A manutenção da criatividade necessita de estímulos diários, pois é esta elasticidade mental que, produzida pela resolução de problemas, mantém um criativo “vivo”.

Quer isto dizer que uma mente criativa tem que evitar, mais do que ninguém, recorrer aos sucessos anteriores. Desta forma, as mentes criativas abdicam de um equilíbrio mental, como as conquistas passadas, em prol da constante construção criativa. Mas, então, serão as mentes criativas mais propensas a instabilidades emocionais?!?… Pois, quanto a isso, prefiro não me pronunciar. A única coisa que sei é que, como Gary Hamel nos ensinou, o conhecimento forma “apenas” um bom técnico, mas só o conhecimento acompanhado da iniciativa e criatividade forma worklovers.

O curioso, dizem os livros, é que só 2 adultos, em cada 100, reúnem características suficientes para serem considerados criativos. Ou seja, o mais provável é não ter mais de 2% de leitores a rever-se neste texto e a compreender Fernando Pessoa, quando este dizia que “Viver não é necessário. O necessário é criar”. Por isso, a todos aqueles que não se reviram no texto, desejo um bom resto de vida…

“A criatividade consiste em ver o que toda a gente vê e pensar o que ninguém ainda pensou”. Szent-Gyorgyi


Paulo Antunes
[email protected]
Associação Nacional de Jovens Formadores e Docentes (FORDOC)

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