Teresa Lopes comemorou centenário entre familiares e muitos amigos

 

A mulher que, há três anos, surpreendeu ao integrar a lista candidata à Assembleia de Freguesia de Vila Franca da Beira pelo Partido Socialista, voltou ontem a ser o centro de todas as atenções. Teresa dos Santos Lopes comemorou 100 anos e foi, num ambiente de festa, que soprou as três velas reveladoras da bonita idade.

Tal aconteceu na festa comemorativa da efeméride que juntou muitos familiares e amigos, muitos dos quais companheiros das últimas eleições autárquicas.

“Agradeço a toda a gente o amor, o carinho, o grande humanismo. “É amor e calor humano a mais”, referiu a centenária senhora profundamente grata pela presença de mais de centena e meia de pessoas que não deixaram de dizer “presente” na hora de cantarem os parabéns à mulher, natural de Sobral de S. Miguel, concelho da Covilhã, que deu à luz oito filhos – três já faleceram – e que conta com uma grande família, composta por 20 netos, 35 bisnetos e dois trinetos.

Cinco gerações que ontem chegaram a causar estupefação, em particular quando Teresa Lopes aconchegou ao colo a trineta de apenas dois meses.

Momentos de ternura protagonizados pela mulher que, aos 100 anos, é uma referência na família e entre as gentes que com ela têm convivido ao longo dos anos . “A minha maior felicidade foi de nunca ofender ninguém, nem nunca chamar ninguém de nomes. E podem dar a volta a Vila Franca que ninguém me deita uma agulha”, refere confiante a “Ti Teresa Minéria”, como é carinhosamente apelidada na terra que adotou como sua e onde acabou de criar os seus oito filhos.

“Toda a gente diz que nunca entrou ninguém de fora que fosse tão acarinhada, como eu sou”, continuou, notando a forma como Vila Franca da Beira a venera a si e à sua família.

De cabeça lúcida e com memória de fazer inveja a muita gente, só as dores no braço que lhe chegam ao ombro é que a fazem estar “amajulada”. Também já traída pelas pernas que lhe vão travando a locomoção, Teresa Lopes não esquece a sua “história de vida” e os momentos duros por que passou. “Trabalhei muito de dia e de noite, atravessei ribeiros com os cestos do pão para ir vender nas Minas da Panasqueira”, conta a senhora que se orgulha de nunca ter permitido que os oito filhos passassem fome. “Sopa, pão e peixe era o comer deles e o pão era com fartura”, disse sorridente a “Ti Teresa”, famosa na terra pelo belo pão de fazer inveja às melhores padarias do concelho. “Cá não sabem fazer o pão como eu”, revela.

“Se for viva, volto-me a candidatar”

Aos 100 anos, os dotes de Teresa Lopes não se esgotam na boa mãe, respeitosa mulher e conceituada padeira. A “Ti Teresa” também surpreende nas andanças políticas. E já avisa: “se for viva volto-me a candidatar”. Porquê? – “Gosto muito disto. Fisicamente não faço nada, mas estas cherinolas que vou dizendo agradam a toda a gente”, responde.

A comprová-lo esteve de facto a presença em massa de familiares e amigos de Teresa Lopes. E os presentes, esses multiplicaram-se. Às flores perdeu-se a conta. Destaque porém para a cópia da certidão de nascimento oferecida pelo primo João Lopes e para o “Diploma de Vida” passado pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. “Tenho um grande orgulho de estar aqui, não apenas como presidente, mas como amigo que sou da família “minério”, afirmou o presidente José Carlos Alexandrino que, para além de valorizar o percurso da “grande mulher”, elogiou o seu papel de “professora sem curso” na boa educação que conferiu aos seus filhos. “Que daqui a uma década estejamos todos junto a comemorar o aniversário da minha amiga”, desejou Alexandrino.

Também presenteada pela Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital e presidentes de Junta de Freguesia, Teresa Lopes viu igualmente reconhecida a marca que deixa entre a família socialista. “A D. Teresa deixou uma grande marca no nosso convívio”, sublinhou o presidente da Comissão Política do PS de Oliveira do Hospital, oferecendo à centenária senhora uma fotografia tirada em setembro de 2009 aquando de uma ovação que lhe foi dirigida no decorrer da convenção autárquica. Uma fotografia com que o PS “imortaliza” a “vivacidade e a combatividade” com que Teresa Lopes integrou a equipa candidata à Assembleia de Freguesia de Vila Franca da Beira. “Foi esta alegria que nos levou ao lugar onde hoje estamos”, referiu José Francisco Rolo.

Emocionado pelo testemunho de vida da mãe, António Lopes confessou a “grande alegria” pelo centenário da sua progenitora e fez votos de que as amarguras por que passou Teresa Lopes não se voltem a verificar. “Aos senhores com responsabilidades políticas peço que evitemos a história como a que a minha mãe passou toda a vida”, afirmou o filho e presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, aludindo em particular aos “esgazeados da guerra, à pneumónica que vitimou famílias inteiras, à segunda guerra mundial e ao governo de Salazar.

“Efetivamente, foi uma vida de muitos sofrimentos e gostaria que isso não voltasse a acontecer”, desejou, dirigindo-se em particular aos deputados do PS na Assembleia da República, Mário Ruivo e João Portugal, presidente da Câmara Municipal, presidente do PS oliveirense e ao ex governante António Campos que “na sombra ainda continua a ter responsabilidades na governação”.

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