“…Oliveira do Hospital merece uma casa da cultura assim: obras literárias nas estantes, quadros artísticos nas paredes, poesia no ar…”

Tertúlias públicas

Trago à escrita o “mestre que ensinou a arte de sonhar”, Fernando Vale, ilustre Português, oriundo de Coja, cento e quatro anos de vivências ímpares.

No dia 26 de Novembro de 2004 passou ao Oriente Eterno. Quatro anos depois, a Livraria Apolo, em Oliveira do Hospital, juntou dois dos seus discípulos, Manuel da Costa e Alípio de Melo, e recordou o homem impoluto.

Uma vintena de pessoas, não mais, e o serão começou de “pé e à ordem”, porque, no momento, tudo “era justo e perfeito”…

Louve-se a iniciativa da Apolo pelo acto simbólico desta memória, que pouco diz aos oliveirenses, é certo, mas também é verdade que a ocasião era excelente para se conhecer pela rama alguém que atravessou um século de conhecimentos; por isso se referencia como “mestre” na arte do sonho.

É desnecessário fazer a apologia de Fernando Vale, enquanto médico e pessoa de bem. Político, maçom, solidário – acima de tudo Humanista convicto. Honrou-me com a sua amizade, é uma das minhas referências, e enquanto a memória for lúcida hei-de falar do mestre com a nostalgia da perda de um “irmão”, como agora …

A Livraria Apolo, com o gesto, dá continuidade ao sonho do proprietário Luís Pepe; Oliveira do Hospital merece uma casa da cultura assim: obras literárias nas estantes, quadros artísticos nas paredes, poesia no ar, música, estudantes universitários em franco e salutar convívio, tertúlias e ponto de encontro de gentes que a cidade conhece (e valoriza!) pelo modo como estão inseridas na comunidade.

Daqui a pouco, será a figura do doutor Vasco de Campos – um dos “nossos”, cidadão ilustre de Avô e do concelho – o pretexto para outro serão de inegável interesse. Por mais que se conheça o currículo do homem e do médico, amigo de Fernando Vale e de toda a gente a quem serviu com a ciência do seu saber, todos os momentos para outras descobertas nunca são demais.

Na noite do próximo convívio com a História, seria interessante descobrir o primeiro andar da Apolo repleto de caras novas – sinal de que a cidade estaria acordada para honrar um dos seus filhos mais ilustres –, estudantes, curiosos…

Vasco de Campos, como Fernando Vale, é figura incontornável da região onde estamos inseridos. Brás Garcia de Mascarenhas será outra personalidade das “terras de Avô e Oliveira do Hospital” nas noites da Apolo – evocação justa e propositada. … Não é por acaso que o Agrupamento de Escolas de Brás Garcia de Mascarenhas, em Oliveira do Hospital, tem o nome do poeta guerreiro, e o largo em frente se chama doutor Vasco de Campos…

A “malta” da ESTGOH – Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital chega “ignorante” de parte da nossa História; não há melhor terra de cultivo para semear o conhecimento do que estes jovens, sedentos da Ciência, é certo, mas se tomarem outro tipo de apontamentos, enriquecem o “currículo” e crescem por dentro.

De João Brandão, “ O terror das Beiras”, ouviram falar?

Carlos Alberto (Vilaça)

LEIA TAMBÉM

Cidadania e solidariedade no serviço público. Autor: Francisco Cruz.

Recentemente publiquei no Facebook uma fotografia de 3 contentores cheios de lixo orgânico. Para além …

Esquece-se o essencial em favor do acessório! Será inocentemente? Autor: António Lopes

E, de repente, o problema deixa de ser a tragédia dos incêndios, nas suas diversas …