Testemunha de José Carlos Alexandrino justifica falta à audiência de abertura de instrução de processo contra António Lopes com realização de um cruzeiro

As duas das testemunhas arroladas pelo presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital no processo que moveu contra António Lopes não compareceram ontem no Tribunal de Coimbra onde deveriam ser ouvidas. Uma delas justificou a ausência por se encontrar a realizar um cruzeiro. A outra alegou estar doente. António Lopes e o respectivo advogado estiveram presentes, mas a audiência de abertura de instrução do processo — que decorre a pedido de José Carlos Alexandrino, depois do Ministério Público (MP) ter ordenado, em Março, o arquivamento da queixa original apresentada pelo autarca —, foi adiada.

“Este processo, em minha opinião, não tem pés nem cabeça como se pode comprovar lendo a respectiva acta da Assembleia Municipal”, explica o eleito António Lopes, para quem o único objectivo deste recurso é manter no ar a ideia de que existe um processo contra a sua pessoa. Aquele eleito considerou, de resto, a justificação apresentada pelo Ministério Público para o arquivamento do processo como “uma aula de democracia” que diz estar “arredada” daquele Município, “há uns anos”.

No despacho de arquivamento de Março, recorde-se, o MP justificou a decisão por não ter encontrado indícios da prática de qualquer crime de injúria agravada. Considerou mesmo que António Lopes não extravasou aquilo que é licito no combate político com as declarações que lhe são atribuídas no decorrer da Assembleia Municipal de 26 de Abril de 2014 e que serviram de base a este processo. O inquérito refere ainda que as afirmações de António Lopes “não consubstanciam um ataque pessoal gratuito sem qualquer explicação objectiva, não sendo como tal ilícitas”.

O MP, nesse documento, chama ainda a atenção que o contexto da liberdade do debate político está no centro do conceito de sociedade democrática… pelo que, os limites do criticismo aceitável são mais amplos no tocante a um político do que a um indivíduo particular. Sublinha ainda que as palavras que constam da acta afastam qualquer tipo de crime, concluindo que as declarações de António Lopes “enquadram-se plenamente no exercício do combate político e que”, José Carlos Alexandrino, “enquanto parte activa tem de aceitar”.

Clique para ler: o despacho de arquivamento do Ministério Público

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  • António Lopes

    E como o estatuto dos eleitos locais concede o direito de apoio jurídico a suportar pelo Município, caso o eleito tenha razão, pergunto se o Senhor presidente tem presente quanto custa a deslocação o advogado etc, para se dar ao luxo de andar em litigâncias mandadas arquivar por falta de qualquer nexo, se tem presente quanto vai custar ao Município.No caso, se perder, até será a ele, que disso farei questão,E assim se diz que a justiça tarda. Fazem tudo para que demore..! Quanto à democracia… bem…! Quanto a essa há muito estamos confessados.

  • António Augusto

    Marcam as audiências de qualquer maneira. O juiz deveria ter em atenção a ocupação das testemunhas. As doenças acontecem, mas atrapalhar quem se encontra a fazer um cruzeiro já é outra loiça. A verdade é que a coisa vai-se arrastando e enquanto se arrasta o António Lopes tem sobre si um processo por difamação. Mas lendo o arquivamento do Ministério Público e a acta da Assembleia, acho que nem com testemunhas que fazem cruzeiros ou que escalam o Everest, José Carlos Alexandrino consegue o que quer que seja. Espero é que todas as despesas inerentes ao caso, incluindo os honorários do advogado do senhor António Lopes, no caso de não lhe ser dada razão, sejam pagos do bolso de quem resolveu meter a acção, apesar dos conselhos do Ministério Público.

    • Vermelhão

      Não deve ser difícil apurar o que foi marcado primeiro: se o cruzeiro, se a audição. Para justificar o primeiro, devem constar no processo documentos que provam a sua marcação. Se o cruzeiro foi marcado primeiro, não há nada a fazer. Ninguém é bruxo. Se foi marcado depois, provavelmente merecerá mais atenção do Juiz, embora da vida de cada um, e eventualmente aconselhado juridicamente, cada um assume os seus actos. Não sei é se, neste caso, não pode ser considerado uma manobra dilatória, não deixando de ser uma grande coincidência existir impossibilidade logo nas duas testemunhas. Quem sabe se, sabendo agora o Juiz a data do cruzeiro, não arranja um tempinho para marcar a audiência imediatamente a seguir para evitar precisamente o arrastamento do processo.

    • Martino Scorcezo

      Tudo Bons Rapazes,,,testemunhas e tudo…

      • Brioche de Palmo

        Atenção, ó tal de “Scorcego”:
        – Em 1986, muito antes do “GoodFellas”, já o amigo “Briosque De Palmo”, em 1986, tinha realizado uma série, para televisão, como base no mesmo livro…
        E, quer um, quero o outro, fartaram-se de ganhar prémios….e lucros em bilheteiras.

  • Guerra Junqueiro

    Sr Lopes;
    O Pe António Vieira nasceu em Lisboa, foi pequeno para o Brasil.

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro

    “Nascido em lar humilde, na Rua do Cónego, perto da Sé, em Lisboa, foi o primogénito de quatro filhos de Cristóvão Vieira Ravasco, de origem alentejana cuja mãe era filha de uma mulata ou africana, e de Maria de Azevedo, lisboeta.
    Cristóvão serviu na Marinha Portuguesa e foi, por dois anos, escrivão da Inquisição. Mudou-se para o Brasil em 1614, para assumir cargo de escrivão em Salvador, na Bahia, mandando vir a família em 1618.”

    • aforrado

      E era Jesuíta.

    • António Lopes

      Eu sei…por isso disse que era Portuguesíssimo…Era só para ver se ligam ao que eu escrevo.Mas, isto, é o problema das fontes e dos erros. Eu falo destas coisas sem consultar a internet. Mas se alguém lá for fica na dúvida.Diz-se que nasceu em Lisboa, em 1608 e que o pai mandou chamar a família dez anos depois.Mais diz que ele, pai, foi nomeado para a Baía em 1619, para logo a seguir dizer que António Vieira começou os estudos em S.Salvador da Baía em 1614…??? A informação que tenho é que foi para a Baía com sete anos.
      Do que não tenho dúvidas é de que, não fora ele, hoje seríamos Espanhóis.Devemos a independência às suas grandes qualidades de diplomata.Aliás, o homem era bom em tudo..! Do muito que admiro no homem é o discurso do “Nada” na semana Santa em Roma.Para mim, o mais esclarecido dos escritores Portugueses.Como homem inteligente e justo, para não fugir à regra, perseguido pelos burgessos cá do Burgo(Portugal).Sim que essa classe já é muito antiga e com tendências para continuar. Se não fora o Papa dar-lhe um “breve” Salvo conduto para todo o Mundo católico, tinha apodrecido nas masmorras de Coimbra, onde o “prenderam” sete anos. Em Santa Cruz, ou outro lado pior.
      Penso que também era comunista.Aquela do sermão aos peixes de que o problema era os grandes comerem os pequenos e precisarem de comer muitos, problema que se resolvia se fossem os pequenos a comer os grandes..Um só peixe, grande,alimentava muitos pequenos..! Só não entendo é a dificuldade do pessoal em perceber isto.No século XVII Vieira já o percebia..!
      Registo que os comentários tenham virado para a erudição…Vou começar a meter mais umas “gaffes”.
      Uma passagem que muito lhe admiro é a sua carta ao Conde da Castanheira: “A carta que lhe escrevo, encomendei a outrem. Mas, se me falta uma mão para lhe escrever, sobram-me duas para lhe encomendar a alma a Deus”… Lembro-me muito disto para “encomendar” certas “alminhas”…

      • aforrado

        Prezado Lopes:
        – Hoje, seria Luso-Brasileiro.
        Ao tempo, abone-se em verdade, que era muito de Homem…afrontar essa hedionda coisa de Inquisição…
        (O seu Papa Protector, deste concelho,João Paulo II, pediu perdão a deus…pelos crimes….não às pessoas…)
        Foi, como calculará, uma atitude de toma….es.
        Saberá, depois, qual foi o tratamento que Marquês de Pombal lhes deu…

      • aforrado

        Comunista?
        Não.
        Calhando, como dirão os seus amigos, ou amigas, alentejanos, demasiado avançado para o tempo….
        Pena é, acredite, que a verdadeira História ainda não dê, a esta personagem, o lugar que lhe cabe…
        O sr assistiu a Sócrates e a Maria de Lurdes Rodrigues a impimgir inglês aos seus concidadãos mais novos, e nada disse.
        Os professores, acredite, não se calaram.
        Particularmente, aqueles que sabem do assunto.
        O verdadeiro assunto é aquele que se preza, em Português, ao tempo, conhecido:
        – Acredita que tal personagem, como Jesuíta, não conhecesse, a seu tempo, a obra maior de Luís de Camões, os “Lusíadas”?
        – Defender os direitos de sobrevivência dos autóctones de tudo quanto era lugar , independentemente da sua cor, raça, credo…ao tempo, não lhe lembrará a carta, actual, dos Direitos do Homem?
        Convenhamos e, ao tempo, ainda nem ONU tinha sido constituída…
        Continuo…e teremos que concordar….
        1- Que , muito antes da globalização, este senhor ditou….cartas.
        Coloque-mo-lo, pois, nesse lugar.

      • Guerra Junqueiro

        Sr Lopes:

        Os peixes eram os Cátaros que foram exterminados pelos tubarões da cúria. Eles praticavam a verdadeira religião, e isso era um problema para Roma.
        Na altura, tal como hoje, o importante é o que parece, e não o que é. Portanto convém parecer bem, bom, bonito e rico. O que importa é a ilusão, e o povo, esse grupo de totós quer é ser iludido.

        Cumprimentos
        Guerra Junqueiro

        • aforrado

          A isso, de gema e consequência, se chama-se de novorriquismo!
          – Salgado, que o diga…a a todos os seus patrocinadores…..
          E foram muitos.

  • aforrado

    Já agora…
    “…Uma das mais influentes personagens do século XVII, em termos de política e oratória, destacou-se como missionário em terras brasileiras. Nesta qualidade, defendeu incansavelmente os direitos dos povos indígenas, combatendo a sua exploração e escravização .
    Era, por eles chamado, de “Paiaçu” (Grande Pai, em tupi).”

  • aforrado

    Wilkipedia…
    “O Sermão de Santo Antônio aos Peixes foi pregado em 13 de Junho de 1654 em São Luís do Maranhão, em 1654, três dias antes de embarcar escondido para Portugal no auge da luta dos jesuítas contra a escravização dos índios pelos colonizadores, procurando o remédio da salvação dos Índios. O sermão revela toda a ironia, riqueza nas sugestões alegóricas e agudo senso de observação sobre os vícios e vaidades do homem, comparando-o, por meio de alegorias, aos peixes….

    “Ou é porque o sal não salga, e os pregadores…;
    ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes…
    Ou é porque o sal não salga, e os pregadores…;


    A escola, essa coisa abominável com que alguns, muitos, negócio fazem, infelizmente, não conta…não explica tudo…
    “”Deixa as praças, vai-se às praias;
    deixa a terra, vai-se ao mar…”

    “Quantos, correndo fortuna na Nau Soberba (…), se a língua de António, como rémora (…)

    Quantos, embarcados na Nau Vingança (…), se a rémora da língua de António (…)

    Quantos, navegando na Nau Cobiça (…), se a língua de António (…)

    Quantos, na Nau Sensualidade (…), se a rémora da língua de António (…)”

    “(…) com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge;
    com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela;
    com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura (…)”

    “Se está nos limos, faz-se verde;
    se está na areia, faz-se branco;
    se está no lodo, faz-se pardo (…)”

    4. Ironia

    Mas ah sim, que me não lembrava! Eu não prego a vós, prego aos peixes.”

    “E debaixo desta aparência tão modesta, ou desta hipocrisia tão santa (…) o dito polvo é o maior traidor do mar.”

    5. Metáforas

    “Esta é a língua, peixes, do vosso grande pregador, que também foi rémora vossa, enquanto o ouvistes; e porque agora está muda (…) se vêem e choram na terra tantos naufrágios.”

    “(…) pois às águias, que são os linces do ar (…) e aos linces que são as águias da terra (…)”

    “(…) onde permite Deus que estejam vivendo em cegueira tantos milhares de gentes há tantos séculos?!”

    ” (…) vestir ou pintar as mesmas cores (…)”

    “(…) e o polvo dos próprios braços faz as cordas.”

    • Para quem sabe

      Quem eram os peixes?

      • aforrado

        Nós

        • Para quem sabe

          Ai somos?
          Não seriam os Cátaros?

          • aforrado

            Boa!
            Acredite que hoje, “Cátaros”, somos todos nós.
            A rede é grande…

  • aforrado

    Pelo que se, em verdade contemporânea se justifica – tal como citar Churchil – melhor seria fundamentar as (ex) citações em autores da lusa pátria…
    Novo riquismo…tão só.

  • aforrado

    Mas desviámo-nos do assunto….
    O assunto, o mais importante, é hoje, aqui…
    As perguntas, são as mesmas: onde estamos, donde viemos, para onde vamos?

  • Romano

    E antes de Vieira(s)?
    Acaso já se deu, em lusa cultura, o devido destaque ao “Pai” da História Portuguesa?
    A Fernão Lopes?
    O mais curioso é que, quer o sr queira, ou não queira,já andou encostado aos “doutrinadores” deste concelho que defenderam, defendem e defenderão , enquanto a régia doutrina do ensinamento lhes permitir, vulgo, professores, – que se penduraram em si, e, agora, o abjectam, – dizia-se, que toda essa gente, formada, com doutoramentos e arredores, mais não passam de fariseus…aqueles que, segundo o mito, entregaram Cristo aos …
    São eles.
    Não valem uma m..da.
    Mas encostou-se, encostaram-se..
    Se precisar de sapatos, diga.

    • Romano

      Corrigindo:
      – Sandálias…em vez de sapatos…

    • António Lopes

      Esse, não citei, por ser meu antepassado, de onde herdei o gosto pela “coisa”….

  • Republicano

    Provavelmente, passou-lhe ao lado…
    Guterres, o “António das Farturas”, iniciou um tal processo de transformação no país que, passadas maioria e meia, se pôs a andar…- com queijo Limiano, e tudo….dizendo que Portugal era um “pantanal”..
    Reinava, ao tempo, um tal de “Sampaio” que, enquanto a República Portuguesa afundava, foi vender “democracia” aos países da América Latina e, num desses intervalos, visitou a Finlândia…da qual , apenas, trouxe boas notícias…veja lá.
    Guterres, se de escola se falar, para quem andou distraído – ele também! – foi, é, o promotor da escola – a educação, se bem se recorda, para ele , era a “paixão” – a tempo inteiro e, curiosidade das curiosidades, por seu decreto, transformou a gestão democrática das escolas em “gestão de bairro”, em “gestão de associação recreativa”….
    Tal qual, hoje, se conhece, vulgo, me—agrupamentos.
    Veja , se boa memória tiver, quem são, hoje, os “encostados”.
    Está convencido, mesmo assim, do alcance da obra que deixou à mercê desta gente?

  • António Lopes

    Bem hoje parece que apareceram.Eu não apareci, que não era obrigado e porque estou em Cabo Verde.Como vem sendo hábito parece que o problema é a minha vida pessoal,como se essa tivesse ido a votos.Rabeiam rabeiam, inventam.Quando chegar a hora logo se verá . O Ministério Publico já lhe disse para terem juízo mas, eles não querem . .! Sempre nos vamos divertindo..! Tudo o que foi dito está na acta.Mas nem assim..!