Trabalhadoras da Textursymbol mantêm-se em vigília à porta da empresa

Suspenderam os contratos e já requereram subsídio de desemprego, mas as 26 trabalhadoras da Textursymbol mantêm-se, há mais de uma semana, à porta da empresa para impedir a retirada de maquinaria.

Dia e noite à porta da empresa localizada em S. Paio de Gramaços. Assim tem sido a rotina das 26 trabalhadoras da textursymbol que no final do mês de Setembro optaram pela suspensão dos contratos de trabalho devido aos atrasos por parte da entidade patronal no pagamento dos subsídios de 2012, subsídio de férias de 2013, parte do salário de agosto e a totalidade de setembro.

Suspeitas de que maquinaria estaria a ser retirada do interior das instalações da unidade de confecções levaram as trabalhadoras a medidas extremas, permanecendo 24 horas por dia em frente à empresa. Uma prática que se mantém há mais de uma semana, com as trabalhadoras a desconfiarem da “má fe” da entidade patronal que dizem conhecer “há muito tempo”.

“O advogado da empresa disse ao sindicato que não iam mexer na maquinaria, mas nós não conhecemos os patrões só de agora. Sabemos bem com quem estamos a lidar”, afirmou esta manhã, Paula Ferreira, uma das mais antigas funcionárias da Textursymbol. Vinda de um processo de despedimento coletivo numa empresa anterior à Textursymbol e gerida pela mesma entidade patronal, Paula Ferreira, garante que não havia outro caminho a seguir como forma de salvaguardarem o recebimento dos subsídios e salário e meio que têm em atraso. “Teve que ser”, sustentou a trabalhadora que, mesmo assim, não tem certeza de que a maquinaria se encontre na totalidade no interior da empresa, já que antes de darem início à vigília uma camião terá entrado nas instalações.

Há mais de uma semana em frente à Textursymbol, as trabalhadoras acreditam que a saga possa terminar ao final do dia de hoje, altura em que terá lugar uma reunião – esteve marcada para ontem – entre sindicato, advogado da empresa e presidente da Câmara Municipal com o objetivo de se analisar o futuro da empresa de confeções.

“Achamos que não terá outro rumo que não seja o da insolvência”, referiu Paula Ferreira, recordando que nos últimos dias de laboração a própria patroa terá alegado “falta de condições psicológicas” para continuar com a empresa aberta.

Quem louva a “resistência” das trabalhadoras que desde quarta feira, 2 de outubro, se mantém dia e noite à porta da empresa é a presidente do Sindicato dos Têxteis e Vestuário do Centro. “As pessoas estão com medo”, referiu Fátima Carvalho ao correiodabeiraserra.com, considerando acertada a atitude tomada pelas trabalhadoras de não arredarem pé da empresa como forma de garantirem o pagamento dos subsídios e salários em atraso. “As pessoas já antes tinham sido transferidas de um lado para o outro e nunca receberam os seus direitos”, acrescentou a responsável pelo Sindicato reportando-se à transição de trabalhadoras de uma empresa para outra, como forma de a entidade patronal fugir ao cumprimento de compromissos.

A Textursymbol completou cinco anos de atividade no passado mês de maio e confecionava vestuário feminino para marcas como a Zara e Massimo Dutti. O incumprimento no pagamento de salários começou-se a verificar há cerca de dois anos, suspeitando as trabalhadoras de “má gestão”, dado que nunca houve sinais de quebra de encomendas, havendo trabalho até ao dia em que as funcionárias decidiram bater com a porta.

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