Trabalhadoras põem termo a vigília em frente à Textursymbol (Com Vídeo)

Ao fim de 17 dias e igual número de noites à porta da empresa de S. Paio de Gramaços, as 26 ex trabalhadoras da Textursymbol dão por concluída a penosa tarefa de vigiar o portão da unidade de confeções. Há instantes tiveram acesso à listagem da maquinaria que entendem ser garante do pagamento de ordenados e subsídios em atraso.

Estavam longe de imaginar que a saga de vigiar o portão da empresa se arrastasse por tanto tempo, mas as 26 ex trabalhadoras da textursymbol que desde o início do mês decidiram não deixar retirar qualquer bem do interior da fábrica, apenas a meio da tarde de hoje tiveram acesso a lista da maquinaria que consta do interior da unidade de confeções.

“Pelo menos conseguimos alguma coisa”, comentavam as mulheres, a maioria jovens que apesar de duvidosas quanto à “boa fé” da entidade patronal em todo este processo, decidiram levantar arraiais, regressar a casa e levar por diante os seus projetos de vida.

“Louvo a vossa atitude”, referiu a presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Têxteis e Vestuário do Centro que perante um grupo de mulheres que vai ficar para a história de Oliveira do Hospital pela coragem que tiveram em vigiar dias e noites a fio a entrada da empresa, remeteu sobre as mesmas a responsabilidade de decidir se deveriam ou não prosseguir com a vigília. Responsável por entregar às trabalhadoras a listagem do “imobilizado” da Textursymbol, Fátima Carvalho considerou estar em face de uma primeira “vitória” a acrescer também ao facto de já no final do mês as trabalhadoras receberem o subsídio de desemprego.

As 26 ex trabalhadoras da Textursymbol colocaram, assim, termo à vigília mas não sem antes entrarem com o pedido de insolvência da unidade de confeções. “Chegou a hora de dizer basta”, registou a responsável pelo Sindicato, que para além de lamentar a atitude da administração da empresa ao arrastar o processo por demasiado tempo, repudia aquela que foi sempre a postura daquela entidade patronal ao longo dos anos, “abrindo e fechando empresas e sem assegurar os direitos das trabalhadoras” que “aguentaram de tudo”.

Sem qualquer expectativa quanto à reativação da unidade de confeções – produzia vestuário feminino – Fátima Carvalho revela-se confiante na integração das trabalhadoras em outras fábricas do concelho.

“Não tenho dúvidas. O presidente da Câmara Municipal já está a fazer contactos com outras empresas no sentido de serem integradas. Estamos perante trabalhadoras, profissionais e a maioria jovens”, referiu a responsável que, mais uma vez, voltou a apreciar o envolvimento do presidente da Câmara na resolução deste processo. “Foi inexcedível”, comentou Fátima Carvalho que às 26 mulheres deixou ainda a garantia de as continuar a acompanhar com a certeza de que, no caso de o processo não seguir o curso normal, “a luta continua”.

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