Trabalhadores da RTP denunciam “negociata” da TDT e desafiam oliveirenses a subscrever queixa apresentada em tribunal

 

A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital aliou-se à luta da comissão de trabalhadores da RTP contra a “negociata” associada à Televisão Digital Terrestre.

Ontem, o vice-presidente da autarquia deu luz verde para que os oliveirenses descontentes com a transição do sinal analógico para o digital se desloquem à Câmara Municipal, para subscrever a queixa que a Comissão de Trabalhadores da RTP apresentou no Palácio da Justiça de Lisboa contra a TDT, por a mesma implicar a “falta de equidade a nível nacional” e “interesses difusos dos cidadãos/consumidores”.

“Quantos mais processos melhor” afirmou ontem Fernando Andrade, da comissão de trabalhadores da RTP que se recusa a pactuar com a “negociata” associada ao novo modelo de emissão televisiva e que penaliza em primeiro lugar as populações.

Fernando Andrade, natural de Alvôco de Várzeas, apelou por isso para que os oliveirenses subscrevam a queixa que hoje chega por e-mail à Câmara Municipal com o objetivo de ser presente no Tribunal de Oliveira do hospital para “dar mais peso” à luta contra a TDT nos seus moldes atuais.

O convite à indignação e contestação junto da ANACOM foi, na prática, o que resultou da conferência realizada ao final da tarde sob o mote “TDT o que aí vem” e de onde sobressaiu o descontentamento geral.

Trabalhadores da RTP, Câmara Municipal e plateia falaram a uma só voz contra a imposição que está a ser feita aos portugueses e que a nível concelhio vai alterar em muito a vida dos oliveirenses, prevendo-se que a partir do apagão cerca de seis mil pessoas fiquem privadas do acesso aos quatro canais de TV e em particular ao canal que em Portugal assegura o serviço público de TV.

“Não há razão nenhuma para que as pessoas tenham que pagar pela TV digital”, afirmou o jornalista da RTP Luís Miguel Loureiro, notando que a TDT não traz qualquer benefício às populações, já que nem sequer tem associado o aumento do número de canais.

O profissional pega, por isso na essência do verdadeiro serviço público de televisão para denunciar “um processo que tem sido conduzido e controlado para ter um resultado que não o de melhoria do serviço prestado à população”.

Um motivo que o leva a dar voz à sua indignação e a convidar ao protesto porque, também na condição de cidadão comum, garante ter o direito de ter uma “RTP diferente sem ter que pagar mensalidade à Meo ou à Zon”. “Tenho direito à RTP que eu pago através da fatura da EDP”, explicou, verificando ainda que se está a perder uma oportunidade para a TDT servir melhor os portugueses pelo mesmo preço.

Partir para uma TDT com os mesmos quatro canais, “quando poderia ter sete ou oito” foi uma das questões levantadas por Eliseu Macedo, especialista em telecomunicações, que não tem dúvidas de que tudo o que está a acontecer decorre do elevado custo associado ao espaço radioeletrico.

“Qual o interesse da PT em ter a TDT com mais serviços se tem o MEO?”, foi a questão lançado pelo investigador da Universidade do Minho, Sérgio Denicoli denunciando a situação que “obriga as pessoas a equiparem-se – comprar descodificador ou nova televisão – para ter um sinal que já tinham”. Denicoli apontou o dedo ao custo que a TV digital tem para os portugueses e em particular para aqueles que residem em zonas sombra e que não têm outra alternativa que não seja a de recorrer à via satélite, que tem um custo associado de cerca de 100 Euros por cada televisão.

O investigador não tem dúvidas de que em causa está um negócio que beneficia a PT e em particular o negócio da TV paga. “De 2008 a 2011 o mercado de TV paga cresceu 30 por cento”, alertou, certo de que a PT não tem interesse em aumentar o número de canais digitais, nem tão pouco assegurar a cobertura dos restantes 13 por cento da população que ficaram à margem, por se situarem em zonas sombra.

“Isto é uma valente negociata à conta população”, referiu em tom contundente Paulo Mendes que caso a caso provou que a TDT é um negócio que não interessa às televisões, PT e “suposto regulador”. “Toda a gente sabe que isto é assim”, referiu o editor de imagem da RTP que não tem dúvidas de que o principal objetivo da PT “não é desenvolver a TDT é controlá-la para que não faça frente ao produto triplo que disponibiliza via Meo.

Para o trabalhador da RTP, toda a população deve contestar a atual operação de “roubo” de que está a ser vítima.

“A Câmara Municipal não se furta a qualquer responsabilidade, mas não se pode substituir àquilo que é obrigação da PT”

Destacando o empenho dos autarcas locais neste processo de contestação, o vice-presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital deu conta dos passos já seguidos no combate ao “tratamento desigual”, mas reiterou a indisponibilidade do município para assumir aquilo que são as responsabilidades da empresa responsável pela distribuição do sinal digital.

José Francisco Rolo falava assim acerca da proposta recentemente apresentada junto do Conselho de Administração da PT, para a instalação de uma antena comunitária que sirva as designadas zonas sombra.

“A PT disse que ia estudar o processo, mas a engenharia financeira quanto é que custa?”, questionou ontem o vice-presidente , notando que o município não pode ser responsável por essa despesa e dessa foram substituir-se à “empresa tomadora do serviço” num “negócio de milhões”.

Vindo de reuniões com grupos parlamentares, Anacom e PT, José Francisco Rolo registou ainda a forma como o processo tem vindo a ser conduzido em prejuízo das populações. “ “Isto enquanto suposta melhoria de televisão não passa de uma negociata”, denunciou o responsável, lamentando que se tenha transformado “um serviço público em grande negócio e este em ganância para subscrição de TV por cabo”.

José Francisco Rolo não ceita a diferenciação no tratamento das populações e garante ter sido esta mensagem que fez passar na reunião com o Conselho de Administração da PT.

“Somos cidadãos de primeira como os de Lisboa, Algarve e Minho e somos cidadãos com os mesmos deveres e responsabilidades”, referiu, verificando que “a operação no interior foi montada com a força toda e cumplicidade do regulador.”

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