Travanca de Lagos regressou ao século XIX com festival cultural Origens

Lançar o pião, corrida de púcaros, música tradicional, animais, gastronomia e trajes à moda antiga foram uma constante durante os três dias de festival cultural Origens, em Travanca de Lagos.

Nos passados dias 2, 3 e 4 de maio decorreu em Travanca de Lagos, concelho de Oliveira do Hospital, o ORIGENS. O festival cultural foi organizado pelos jovens da Liga de Iniciativa e Melhoramentos de Travanca de Lagos que, há seis anos, assumiram a direção da associação.

“Homenagear e reviver o tempo dos nossos avós”, assim lançaram o mote à região e esta respondeu com prontidão. Foram muitos os forasteiros trajados a rigor durante os três dias de festival, que contou com uma vasta e variada oferta na sua programação.

O festival começou na sexta-feira, dia 2 de maio, com um “Concerto para Olhos Vendados”, por Luís Antero. Este paisagista sonoro, natural do concelho oliveirense, tem levado os sons da Beira Serra aos vários cantos do país, para o ORIGENS preparou um concerto único com gravações sonoras exclusivamente da freguesia.

No sábado e no domingo, decorreu a feira/mostra de artesanato e de gastronomia da região, assim como, a mostra animal e de alfaias agrícolas que impressionou miúdos e graúdos.

A oferta musical foi constante,Concertinas, Rancho Folclórico, Cantares Tradicionais, Pifaradas, Desgarradas e, no sábado à noite, contou com um concerto intimista, as B’rbicacho, grupo de referência nacional, sob a marca “Música Portuguesa a Gostar Dela Própria” proporcionou um concerto que partiu da época medieval e viajou até ao presente, passando sobretudo pela música de raiz lusófona.

O “Concerto para olhos vendados” e as “B’rbicacho” estiveram a cargo da OHs21- Associação Cultural e Multimédia de Oliveira do Hospital. As direcções de ambas as associações assumem que este é o início de uma parceria com o objetivo de um trabalho profícuo em prol da oferta cultural da região.

A programação contou ainda com um passeio de motorizadas antigas e uma visita à Casa da Poesia de Maria Amélia de Almeida.

“O facto de estarmos no interior do país e de a cultura ser cada vez mais desprezada não nos limita, aliás, trabalhamos para inverter este rumo. Sempre fizemos muito com pouco e o ORIGENS é prova disso. Com um orçamento irrisório mas com muita boa vontade conseguimos organizar um festival cultural em contexto rural, com uma programação extensa e variada, fizemos questão que as actividades abrangessem todas as faixas etárias e assim conseguir alcançar um objectivo lúdico-pedagógico. As pessoas aderiram em massa e deram-nos os parabéns” adiantam os jovens organizadores.

José Carlos Alexandrino, Presidente do Município de Oliveira do Hospital, marcou presença no evento e adiantou que tem “um orgulho tremendo no trabalho realizado por estes jovens ao longo destes anos. São uma referência para outras associações e um excelente exemplo do concelho pelo trabalho que desenvolvem com a comunidade sem pedir nada em troca, algo que já não se encontra hoje em dia.”

António Soares, Presidente da Freguesia de Travanca de Lagos realçou o facto de este grupo “estar a agarrar a memória que começava a estar esquecida. O Origens leva-nos a pensar e repensar de onde nós viemos e para onde queremos ir.”

Já a pensar na próxima edição do festival, querem evoluir sustentadamente e transformar a sua aldeia um local de visita obrigatória para quem gosta das suas origens. Assumem-se um grupo diferente pelo amor que empregam em cada actividade, assumem-se “uma geração que sente!”.

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