Três anos depois, Câmara libertou verbas para ampliar cemitério de Nogueira do Cravo. Obras devem arrancar no próximo mês

A freguesia de Nogueira do Cravo, no concelho de Oliveira do Hospital, deverá ver arrancar as obras de ampliação do cemitério local já no próximo mês de Agosto. Esta obra vai colocar um ponto final na angústia dos responsáveis locais que aguardam há três anos pelas verbas provenientes do município para proceder às obras, num terreno adquirido pela anterior equipa liderada pelo presidente de Junta da altura, Adelino Henriques, eleita pelo PSD. O projecto está pronto e a Assembleia Municipal aprovou na última reunião uma verba de 80.418,00 mais IVA para uma obra que já se encontra adjudicada. O atraso na execução do projecto é atribuído, por alguns, à Câmara que demorou demasiado tempo a disponibilizar o subsídio necessário para cobrir os custos do concurso a lançar pela junta de freguesia.

“Está é uma obra de extrema importância para uma freguesia com 2500 habitantes e que nesta altura já não tem qualquer vaga. É uma carência preocupante. Esperemos que não venha a falecer ninguém porque se não temos ali um problema de ordem pública”, salientou o autarca Luís Filipe Nina visivelmente emocionado durante a última AM. Luís Nina, de resto, fazia parte da equipa liderada por Adelino Henriques que iniciou os contactos para a aquisição dos terrenos em 2012. O processo arrastou-se durante um ano devido à autorização para o abate de sobreiros que se encontravam naquele espaço. Em Setembro de 2013, o processo foi concluído e o terreno adquirido. Em Outubro surgiram as novas eleições.

“Foi muito tempo a desbloquear aquele processo. Mas ainda antes do nosso mandato terminar tínhamos o terreno pago e o contrato de promessa compra e venda assinado. Só a escritura é que ficou para os dias seguintes e já foi feita pelo actual executivo”, explica Adelino Henriques, recordando que pagaram um preço simbólico de mil euros pela parcela de 1700 m2 à família Vaz Patto. “A nossa preocupação naquela altura já era enorme. Tínhamos apenas sete sepulturas vagas e estamos a falar de uma freguesia enorme. Sempre procurámos evitar a sua venda a não ser em casos extremos”, relembra.

O que terá levado a este atraso na ampliação da infra-estrutura que era considerada urgente? Adelino Henriques diz não saber. “A partir de Setembro de 2013 o problema ficou resolvido e apenas dependente da disponibilização por parte da Câmara Municipal de verbas que a Junta de Freguesia não dispunha para a obra se iniciar. Não sei porque levou tanto tempo”, esclarece.

Um outro elemento ligado à autarquia de Nogueira do Cravo acredita que o único entrave esteve no subsídio a atribuir pela Câmara Municipal. “Tenho poucas dúvidas que estiveram à espera do actual empréstimo de dois milhões de euros para que houvesse o dinheiro necessário. Infelizmente durante todo este tempo, o executivo da autarquia teve outras prioridades que nem sempre foram as mais importantes para as populações”, critica, recordando que grande parte da ampliação dos cemitérios do concelho foram levados a efeito durante a presidência do anterior presidente Mário Alves. “É verdade que estas obras são da responsabilidade da junta de freguesia e a Câmara não pode lançar esses concursos. Mas também é igualmente verdade que tem de ser o município a financiar, porque nenhuma junta dispõe de verbas suficientes para obras desta envergadura. Por isso, ainda que de forma indirecta, este atraso é da responsabilidade da Câmara”, remata.

Planta do cemitério actual

cemitério actual

 

 

 

 

 

 

Planta do cemitério com a ampliação

Novo cemitério

 

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  • António Lopes

    Tenho que me “render”,,!!! O nosso presidente “tem toda” a razão..! Não é melhor gastar o dinheiro numa festa de um ou dois dias e o pessoal divertir-se, todo, à grande, do que em cemitérios onde o pessoal vai acabar, contrariado, e onde só se chora e sofre..?

    • António Augusto

      Lá isso é verdade. O senhor presidente prefere arranjar motivos para manter as pessoas alegres por um dia que arranjar-lhe espaço para enterrarem os seus entes queridos para a eternidade. Isso pode esperar. Uma boa festa, não.

    • João Albuquerque

      É uma vergonha, prometeu cem obras em cem dias no primeiro mandato, vai daí, e rebenta com os 3 milhões do fabuloso empréstimo do Mário Alves e ainda recebe os estornos das obras que MA tinha adjudicado. As obras prometidas ficaram por fazer e agora toca a fazer um empréstimo de 2 milhões para as fazer.
      Ainda vamos ver muita coisa.
      Quanto à ampliação do cemitério, pergunto se as restantes freguesias receberão em igual proporção relativamente à verba enviada para Nogueira do Cravo.
      É que ir aos funerais e pegar nos caixões, faz o Sr presidente em todas as oportunidades, seja a freguesia qual for.

    • Obreirismo

      Assunto muito sério!
      Obras, ou melhorias, seja onde for, com o fim a que se destinam, em prol das populações…feitas com o dinheiro disponível pela autarquia.
      Afinal, não é esse o objectivo de qualquer autarquia que se preze?
      Não é para isso que a constituição da república consagra o poder local autárquico?
      O calendário de obras feito em função do calendário eleitoral – com os devidos orçamentos – pensávamos nós, era estratégia ultrapassada, demasiado usada, por isso, demasiado evidente aos olhos e espírito das novas gerações…
      Mas não.
      A freguesia de Nogueira do Cravo continua a ser uma das mais importantes, em termos de estratégias eleitorais, no concelho.
      Logo, obras, agora, seja pelo motivo que seja, apenas têm um objectivo:
      – Votos. Arrebanhamento de pessoas para votar.
      Oxalá, e porque de um cemitério se trata, que os vivos saibam perceber, afinal, a verdadeira razão das obras…
      Os defuntos, não votam.

      • António Lopes

        Pois… a democracia já leva 42 anos.Alguns dos que andam a “inventar” melhor “a fazer pela vida com pouco suor”, já nasceram depois ou andavam de fraldas.Contudo, é dos livros, que fazer um Lord leva três gerações.Construir uma democracia plena(seja lá isso o que for) leva quatro (100 anos). Vai daí,os rapazes não são velhos mas as ideias são as dos avós.Há que ter paciência.Afinal ainda nem vamos a meio… Imaginação, originalidade trabalho a sério não é com esta gente,Já não vai à cacetada como no tempo do João Brandão mas vai pela submissão ao empreguito ao favorzeco. A “técnica de sempre”.Para os mais resistentes vai com a ameaça ou, como no meu caso, com a “judicialização da política.Lei, a que conhecem, é a da protecção dos “nossos”,

        • Obreirismo

          Entendido.
          É confrangedor, acredite, apesar de tudo, que se convoquem ( e se paguem, com dinheiros públicos!) Emanueis, Jaquins, Davides …e arredores, numa parafernália – tralha! – interminável de nomes que, noutra condição, pagariam para ter um pouco de assistência…
          E são pagos. Com dinheiros do município. Sem dar lucro.
          Sabemos da velha doutrina : é disto que o povo gosta.É isto que o povo quer.
          Manipulação. Abjecta.
          Basta ver os programas das festas dos concelhos “al redor”, os programas culturais dos municípios de Seia, Nelas, Gouveia, Tábua, Santa Comba Dão…para obter uma fotografia, apenas lisonjeira, da matriz popularista, de má formação, imbecil e retrógrada, do programa cultural da EXPOH…
          Pago com dinheiros públicos.
          Recordamos que, em tempos, grandes “artistas” do nacional cançonetismo passaram por Oliveira do Hospital…e, alguns, até não tiveram o melhor acolhimento….que quase, à pedrada, foram corridos.
          Hoje, passados tantos anos – quase uma vida! – estes, os tais de Davides, Emanueis, Jaquins…e arredores, deveriam pagar para cá vir desdivertir o pessoal…
          Evitavam custos à autarquia…e safavam-se de uma boa corrida à pedra! Merecida.