Hoje, trago más notícias. O Correio da Beira Serra, em versão impressa, vai suspender a sua publicação.

Tudo é efémero!

É uma decisão que lamentamos, mas na verdade não nos resta outra alternativa.

A crise económica que Portugal atravessa, e a forma como o Estado português continua a lidar com o sector da imprensa regional – o bolo publicitário do Estado é quase exclusivamente distribuído pelos grandes grupos de comunicação social –, tiraram-nos a vontade de continuar com um projecto que – como um dia disse – só serve para empobrecer alegremente.

Também não é legítimo – nem nós jornalistas nos sentimos bem com isso! – que o “serviço público” que este jornal tem estado a fazer seja quase integralmente suportado por o conhecido empresário António Lopes que, na Primavera de 2006, também abraçou com carinho o relançamento do Correio da Beira Serra. A ele, à jornalista Liliana Lopes, e a todos os colaboradores que comigo colaboraram durante estes quatros anos, só posso endereçar uma sincera palavra de profundo agradecimento.

Quando em 16 de Maio de 1988 fundei o Correio da Beira Serra – a sua publicação foi interrompida em 2002 –, a linha editorial já era em tudo semelhante àquela que posteriormente seguimos entre Março de 2006 e Maio de 2010. Portanto, a coerência do projecto foi sempre uma das nossas insígnias.

Hoje, vivemos num mundo em profunda mudança, e a passagem da era analógica para a era digital está a processar-se a uma velocidade vertiginosa.

Antecipando o futuro, em 2006, criámos também o correiodabeiraserra.com – um diário digital que, hoje, é uma edição online de referência em toda a região e com muito mais audiência que o quinzenário impresso.

A administração do Correio da Beira Serra – oxalá se consiga – não quer deixar cair este projecto online, e também está receptiva a encontrar um modelo de negócio que congregue alguns parceiros com vista à manutenção do jornal impresso.

Da minha parte, contarão sempre comigo para o que for preciso, já que entendo que qualquer região sem uma imprensa livre e acutilante é irremediavelmente mais pobre.

Portanto, enquanto director deste jornal, editarei, na primeira semana de Junho, aquela que será a última edição do CBS impresso, e terei de partir para outras “aventuras”.

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