Último rastreio do cancro da mama encaminhou sete mulheres para os hospitais

… da Liga Portuguesa para o Cancro. O objectivo foi o de sensibilizar para a prevenção num concelho onde o último rastreio do cancro da mama conduziu sete mulheres para os hospitais.

Rastrear é salvar vidas. A mensagem foi repetidamente proferida, no passado sábado, na Casa da Cultura César Oliveira, onde decorreu uma mesa redonda que teve como tema central três tipos de cancro: mama, colo do útero e cólon e recto. A participação foi positiva e a interacção entre o público e os representantes do Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) marcou pontos a favor.

O assunto interessa a toda gente, não fossem cada vez mais assustadores os números relativos à incidência de cancro em pessoas de todas as idades. Dados recolhidos junto do Núcleo Regional do Centro da LPCC, indicam que no último rastreio ao cancro de mama realizado entre Agosto e Novembro de 2008, em Oliveira do Hospital, foram rastreadas 2182 mulheres – estavam convocadas 3689 –, tendo sido sinalizadas 81 mulheres e encaminhadas sete para tratamento hospitalar. Os números seguem a média nacional, mas o ideal é que o rastreio seja participado pela totalidade de mulheres – no caso do cancro da mama e colo do útero – convocadas.

Segundo António Morais, especialista oncológico presente na mesa redonda, o cancro é a segunda causa de morte depois das doenças cardiovasculares. E, acrescentou: os três cancros – mama, colo do útero e cólon e recto – matam mais pessoas do que os enfartes do miocárdio. “É uma patologia em crescimento”, alertou, assegurando contudo que “pode ser evitada”.

Um estilo de vida saudável, exercício físico, descanso, alimentação equilibrada e comportamentos sexuais adequados são apontados como determinantes para evitar o risco de cancro. Contudo, há muito mais a fazer, porque – segundo António Morais – “mesmo que sejam eliminados todos os factores de risco, continuarão a existir cerca de 90 por cento dos casos de cancro”.

“Procurar a fava do bolo”

 

Eis que surge a importância dos rastreios, como forma de detectar pequenas lesões que tratadas atempadamente deixarão de evoluir para situações de cancro. “O rastreio é andar à procura da fava do bolo-rei. Pode ser que no nosso bolo rei ela não exista, mas pode ser encontrada uma fava pequenina que pode ser tirada sem causar grandes danos no nosso bolo”, comparou o especialista, lamentando contudo que nem todos os cancros – como o do pulmão por exemplo – sejam detectáveis com rastreios.

Com 20 anos de implementação no terreno, o rastreio do cancro da mama resulta de um trabalho pioneiro desencadeado pela Liga Portuguesa Contra o Cancro junto das mulheres com idades entre os 45 e os 69 anos de idade. Entretanto, também o Serviço Nacional de Saúde pôs em marcha a realização dos rastreios do Colo do Útero e do Cólon e Recto. A indicação é de que, até Fevereiro, deverá arrancar no Centro de Saúde de Oliveira do Hospital o rastreio do cancro do cólon e recto. O objectivo é que todas as pessoas convocadas participem, mas “a vontade depende cada um”, tendo contudo em mente que este tipo de cancro é o primeiro a matar em Portugal – 3320 mortes – e o segundo na Europa.

Os números traduzem a realidade e a realização dos rastreios apresenta-se como uma saída atempada do problema. Segundo Natália Amaral, secretária do Núcleo Regional do Centro da LPCC, a participação nos rastreios só traz vantagens. Para além de diagnosticar atempadamente a doença, o rastreio confere prioridade a cada caso sinalizado. “Toda a pessoa a quem é diagnosticado qualquer problema deve ser tratada dentro de um espaço de tempo que, habitualmente, é de um mês”, referiu a especialista ao Correio da Beira Serra, realçando ainda que os rastreios são gratuitos e possibilitam um tratamento imediato. Natália Amaral destacou também a importância de as mulheres se manterem atentas no que respeita ao cancro da mama, valendo-se do auto-exame, até porque – como disse – os números revelam que entre 15 a 20 por cento dos casos de cancro surgiram em mulheres com menos de 30 anos.

“Profissionais da humanização”

Para a detecção precoce de lesões cancerígenas, a Liga Portuguesa Contra o Cancro destaca a importância do papel dos voluntários que nas respectivas áreas de residência alertam para potenciais situações de risco e incentivam à realização de rastreios e à procura de ajuda médica. Isto mesmo foi realçado na mesa redonda, à qual não faltaram os voluntários do concelho de Oliveira do Hospital que tem como rosto principal Júlia Fonseca, que no seu seio familiar – como partilhou – já sentiu o sabor da traição de uma doença do foro oncológico.

Numa mesa redonda marcada pela interacção entre o público, os médicos especialistas, sociólogos e o moderador Lino Vinhal, o momento alto foi protagonizado por Armando Silva, Coordenador do Voluntariado Hospitalar do Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Com uma intervenção que conduziu as emoções ao extremo – as lágrimas – o voluntário apresentou-se como “profissional da humanização”, esclarecendo contudo que “quem se dedica ao voluntariado é porque um dia passou por uma situação difícil consigo próprio ou no seu seio familiar”. Com 13 anos de actividade no IPO e nos HUC, Armando Silva – a esposa faleceu vítima de cancro – considerou importante o apoio junto dos doentes, mas também dos familiares que na maioria das vezes se sentem perdidos.

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