Há muito que os mais atentos tinham compreendido que o século em que vivemos ia ser dominado pela Ásia. A Europa, os Estados Unidos e o Japão dominaram o Mundo, criaram sociedades de bem-estar com forte crescimento económico, principalmente após a II Guerra Mundial.

Um concelho sem norte

O desenvolvimento do conhecimento tecnológico e científico, baseado no consumo energético, foram os motores desse crescimento. As riquezas acumularam-se e as sociedades para serem mais justas e solidárias criaram duas formas de repartir essas riquezas, que são a luta por salários justos e os impostos sobre os que mais têm para ajudar os menos favorecidos.

Assim qualquer sociedade, qualquer País ou Concelho tem que ter como prioridade a criação de riquezas e depois impor regras através dos salários justos e dos impostos, para que elas possam beneficiar o maior número de cidadãos. Uma das razões porque a Ásia está a dominar o Mundo é porque muitos no Ocidente perderam capacidade de trabalho, empenho no conhecimento e um grande desprezo pela iniciativa empresarial.

O Estado tem de dar o exemplo, criando todas as condições para que a iniciativa desponte e tenha êxito. Vemos o Primeiro-Ministro a levar comitivas de empresários à Venezuela, Líbia, Brasil, Nigéria etc. Assistimos, agora, ao Presidente da Republica a iniciativas similares na Europa de Leste. O esforço para colocar a produção nacional no exterior é enorme. Criar condições para que as iniciativas tenham êxito na criação de riqueza e de postos de trabalho é um dever de qualquer dirigente político. A forma mais justa de distribuir essa riqueza é pelos salários. O desemprego é de longe a forma mais cruel de condenar os cidadãos.

O Poder autárquico tem em relação aos seus munícipes um dever enorme, que é o de criar condições para o desenvolvimento uma vez que vive dos impostos que o Estado e ele próprio cobram. Os impostos são pagos, em maior percentagem, por quem mais tem ou mais ganha.

Qualquer Presidente da Câmara, que tenha a noção do Mundo em que vive, tem por dever e por prioridade na sua acção captar investimento para o seu Concelho, criar condições ideais para a sua aplicação, com o objectivo de criar riqueza para melhorar os salários e o emprego. De que servem as lâmpadas nas estradas desertas, os silos para parques de automóveis em cidades pequeníssimas, o estreitar de vias para a construção de grandes passeios, o construir em altura, o alcatroar caminhos rurais que impermeabilizam solos, se o Concelho não tem um gabinete de apoio ao investimento, não mobiliza os jovens para a iniciativa, não aproveita os fundos comunitários para o seu desenvolvimento, não tem um parque industrial que fomente a iniciativa.

É óptimo encantar os olhos mas antes temos de cuidar de alimentar o estômago. No Concelho há muito que não é feito um investimento digno desse nome na criação de uma empresa e se não invertermos esta situação o Concelho caminha a passos largos para a desertificação. Não é ao Governo que compete andar à procura de investidores para se localizarem em Oliveira do Hospital. Não é ao Governo que compete ter uma zona infra-estruturada para a localização de empresas. Não é ao Governo que compete localizar pontos de criação de riqueza em Oliveira do Hospital. Não é ao Governo que compete criar um gabinete activo da captação de fundos Comunitários para apoiar o investimento em Oliveira do Hospital.

Temos um Politécnico que nenhum Concelho com esta dimensão tem. Formamos pessoas para irem para os outros Concelhos, mas não somos capazes de criar uma dinâmica de localizar empresas ligadas ao conhecimento e ao capital intensivo. No passado já tivemos essa capacidade, a do Concelho ser dos mais activos no Distrito, a nível comercial e industrial.

Hoje, somos um Concelho envelhecido, sem norte, onde o Município gasta os impostos de todos nós mas não cria condições para que se produza. Ora se o objectivo número um não for a criação de riqueza e a sua distribuição através do salário e do imposto justo o futuro do Concelho estará hipotecado, o desemprego subirá, o abandono e a desertificação continuarão e o Concelho definhará. Será que qualquer cidadão que ama o seu Concelho não sentirá que é necessário uma outra visão e um outro empenho para nos desenvolvermos?

*Ex-Eurodeputado do PS

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