Um mundo em re-transformações. Autor: João Cid Brito.

Facilmente abrimos um jornal e mantêm-se no dia-a-dia as sucessivas transformações que vamos sofrendo, quer a nível económico, social ou mesmo político-ideológico, já que todos nós mantemos o nosso ponto de vista sem sequer pensar se estamos certos ou errados, ou nos erros da nossa própria cultura, mas a verdade é que tivemos um passado e é desse mesmo passado que nunca nos devemos esquecer.

Se começarmos por esse mesmo passado longínquo da Pré e Proto-História, reconhecemos diversas transformações sociais, antropológicas (sobretudo na Pré-História), no nosso mundo, mas também nas diversas influências que desde então sofremos: a influência fenícia, vinda do oriente, já que este assunto orientalizante não é uma temática actual, mas que remonta ao século X a.C.; se pensarmos no que foi a influência romana, e as modificações que trouxe ao quotidiano, algumas pelas quais ainda hoje nos regemos, como o direito romano, e outras, como o teatro, a arquitectura e o urbanismo romano. Falando em influências orientais, ainda podemos referir o ano de 711 d.C., que simboliza o início da ocupação árabe na Península Ibérica, ocupação essa que veio trazer imensas mudanças à nossa cultura, como os numerais, a cultura da vinha e da oliveira, assim como o desenvolvimento de diversas áreas da Ciência como a Química, a Matemática, entre outras; outra cultura que nos modificou foi a migração judaica para Portugal até à sua expulsão por D. Manuel I, que é vista por diversos autores como um erro para a economia portuguesa, já que ao saírem de Portugal se instalaram nos Países Baixos, principalmente, e aí renovaram a economia desses países; por último a revolução industrial do século XVIII e a revolução tecnológica dos séculos XX e XXI que transformaram e continuam a transformar a nossa vivência no quotidiano.

Estas influências são o testemunho de que para chegar à nossa cultura, muitas foram as formas de vivência onde fomos aproveitar para enriquecer o nosso quotidiano. A História ensina-nos que após momentos de desunião, se seguem momentos de transformações profundas no modus vivendi. Na actualidade verificamos ora o avanço do Estado Islâmico e a pretensão de conquistar parte do mundo, ora a desunião da União Europeia, já que o Brexit do Reino Unido fez com que nesta instituição se abrissem precedentes por toda a Europa, onde existem pretensões noutras nações do referendo sobre o mesmo assunto. E ainda a crise económica que assola o mundo, acreditando que a História não se repete, esperemos não ver a recuperação dos anos 20 e 30 do século passado, que com as transformações destes anos se seguiram totalitarismos de esquerda e direita, que se mostraram altamente destrutivos das liberdades e vivências dos povos.

Antes que estes problemas ganhem proporções que permitam a não resolução dos mesmos, têm de ser tomadas soluções, mas que não podem ser como a França, que ora condena os ataques terroristas do grupo extremista islâmico, ora expulsa, arrastando um grupo de fiéis católicos da sua igreja, nem como há séculos; como os cristãos da reconquista, ou como a expulsão dos judeus de Portugal, e, obviamente, contrariar todos os extremismos, pois estes são exemplo claro desta não-aceitação das diferenças do outro; precisamos de uma mentalidade de aceitação das diferenças de todos os que nos rodeiam, e não é com xenofobias, nem com medidas violentas que chegaremos ao resultado pretendido. Toda a convivência entre culturas deve ser um tempo para reconhecermos alguns erros da nossa cultura e das que nos rodeiam e aprender a corrigirmo-nos correctamente e sem prepotências políticas, sociais e económicas.

Consciente e deliberadamente o autor não aderiu ao actual Acordo Ortográfico.

João Cid BritoAutor: João Cid Brito, licenciado em Arqueologia pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e mestrando em Arqueologia e Território na mesma faculdade.

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