Uma cabeleireira de Oliveira do Hospital na alta-roda da moda internacional

Uma cabeleireira de Oliveira do Hospital na “alta-roda” da moda internacional

Joana Neves, de 24 anos, abandonou o curso superior de Comunicação e Relações Publicas, ganhou apreço pela profissão de cabeleireira, tirou um curso em Espanha e, depois de vencer vários concursos em Portugal, acabou a trabalhar em Londres, num dos salões mais conhecidos da capital inglesa. Um livro onde guardava os seus trabalhos convenceu o seu patrão a dar-lhe uma oportunidade no seu grupo de elite. “Ficou tão 10736130_849152205104705_1792242068_nfascinado que me convidou para trabalhar na equipa artística dele. Para fazer vários desfiles na semana da moda de Londres”, confessou ao CBS Joana, natural de Oliveira do Hospital, que a partir desse momento e, depois de vencer as dificuldades de uma língua que mal dominava, viu abrirem-se-lhe as portas para colaborar com as melhores casas de estilistas e a oportunidade de pentear gente famosa.

“Tive o prazer de trabalhar em shows da Chanel, Dior, Valentino, Botega Vennetta, Dolce and Gabbana, Alexandres McQueen, Lanvin, Moschino, Miu Miu, Calvin Klein, Hugo Boss, Versage, Burberry, Jean Paul Gaultier, Balmain, Celine , Chloe, Alexander Wang e muitos outros, sempre integrada nas equipas internacionais dos mais prestigiados cabeleireiros ligados à área da moda mundial”, sublinha. “E já tive o privilégio de pentear algumas pessoas bastante conceituadas como Georgia Jagger (filha do Mick Jagger),Cara Delevingne ou Adriana Lima, entre muitas outras”, explica.10748867_849138338439425_2096373634_n

 “Nunca me passou pela cabeça ser cabeleireira”

A relação de Joana Neves com a profissão de cabeleireira começou cedo, através da mãe que tem há 30 anos um salão em Oliveira do Hospital. Conceição Neves, uma apaixonada na área, sempre manteve a filha a par de tudo, mas isso não foi suficiente para a convencer a seguir a arte. “Nunca me passou pela cabeça ser cabeleireira”, confessa. Mas a vida dá sempre algumas voltas inesperadas. Quando já nada o fazia prever e já frequentava o curso de Comunicação e Relações Publicas no Instituto Politécnico da Guarda, foi convidada para ser ‘modelo’ por um dia numa demonstração de técnicas de cabeleireiro de uma equipa vinda de Espanha até Oliveira do Hospital. Foi o click que faltava. “Depois de ter experimentado bem de perto uma outra vertente da profissão fiquei mais desperta para uma possível mudança radical na minha vida. A partir daquele momento tive a certeza do que queria fazer para o resto da vida. Fiquei apaixonada pela profissão”, confessou ao CBS.

10745115_849091465110779_1838474503_n (Small)Joana sentiu que queria alargar horizontes. Com a colaboração da mãe procurou uma forma de desenvolver o seu talento. A vizinha Espanha foi o país escolhido. “Tínhamos muito boas referências de uma escola de cabeleireiro situada no sul de Espanha de altíssimo nível que tinha cursos de um ano”, lembra. Passado um mês estava a viver em Múrcia, a dar os primeiros passos naquilo que já era “o sonho” da sua vida.

“Todos os momentos de aprendizagem eram absolutamente fantásticos. Queria sempre aprender mais sobre tudo, aproveitando todo o tempo e dinheiro que os meus pais apostavam em mim. Todos os dias depois de cerca de 9h00 de formação prática trabalhava ainda num cabeleireiro perto da escola para progredir mais rapidamente”, conta. Foi aqui que aprendeu a trabalhar várias vertentes da profissão, desde extensões, perucas ou implantes capilares. “Uma vasta área que não era abrangida na escola”, diz.10721252_849138325106093_2051889952_n

Como ao fim-de-semana se deslocava para uma região perto de Múrcia, chamada Aguilas, acabou por reencontrar Juan Fran, um dos elementos que despertaram a sua atenção para esta actividade em Oliveira do Hospital. Foi trabalhar com ele. “Aprendi muito, foi importantíssimo estar ao lado de artistas tão talentosos como estes. Ensinaram-me tudo o que sabiam”, frisa.

 Regresso a Coimbra e as medalhas de ouro

Após um tempo dedicado à formação, regressou a Portugal e foi trabalhar para Coimbra. É nesta altura que é desafiada a entrar em concursos. O primeiro foi a competição National Skills, onde conseguiu a sua primeira medalha de ouro. “Todo este sucesso nas competições deu-me ainda mais coragem para continuar a competir. Decidi participar no concurso nacional de penteados Full Fashion Look e, depois de um trabalho que demorou cerca de seis horas a ser concretizado, consegui mais uma medalha de Ouro”, comentou.10743293_849138321772760_718785304_n

Em 2011, Joana partiu para Londres com o objectivo de visitar uma feira de cabeleireiros internacional que se realiza todos os anos. “Mal eu sabia que já não iria regressar”, sorriu. “O meu inglês era muito mau, mas sempre tive o sonho de tirar um curso na Vidal Sasson. Como não dominava a língua inglesa, procurei arranjar emprego durante algum tempo”, frisa. É nesta altura que se cruza com o salão Windle and Moodie, um dos salões de cabeleireiros mais famosos de Londres (este ano de 2014 foi mesmo considerado o segundo melhor de Londres).

“Marcámos uma entrevista com o senhor Paul Windle. Nesse mesmo dia estávamos em Covent Garden sentados numa mesa bem longa. Estava nervosa, nem conseguia falar. O meu namorado ajudou-me, entregou o meu currículo e falou de todo o meu percurso. Paul Windle, um dos cabeleireiros mais importantes de Londres, foi muito amável, e o João (namorado) virou-se e disse-me: ‘Joana, ele está a perguntar quando é que queres começar?’ Respondi com um ar de surpreendida e quase sem pensar: posso começar já! No dia a seguir estava a trabalhar”, explica.

 “Oliveira do Hospital? Ainda não perdi as esperanças.”

Dois meses mais tarde um dos patrões pediu-lhe o tal livrinho onde Joana guardava fotografias de trabalhos antigos. Foi uma porta que lhe permitiu entrar para a equipa artística da empresa e fazer vários desfiles na semana da moda de Londres. Em Feve10743404_849154505104475_1355758315_nreiro de 2012 já fazia parte da equipa que penteava as modelos do show da Burberry na semana da moda de Londres. Estação após estação, cada vez fazia mais espectáculos. “Nesta última estação fiz trinta e nove shows passando por Nova Iorque, Londres, Milão e Paris”, remata, sublinhando que nesta altura trabalha como freelancer, está bem em Londres, mas que ainda não perdeu a esperança de regressar a Oliveira do Hospital. “Tenho muitas boas recordações desta minha querida terrinha”, conta, deixando a todos os jovens um conselho: “Temos que acreditar nos nossos sonhos e amarmos muito o que fazemos”.

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  • Pedro

    Jornalismo de qualidade sobre pessoas com qualidade.

  • Pedro

    Sei o quão difícil é superar as limitações de uma juventude “à rasca” que poucas oportunidades vê na vida e que pontualmente tem de emigrar para as conseguir. Uma geração onde há bastantes valores desperdiçados e desvalorizados e onde o esforço por vezes não compensa o gasto. (também há o invés, claro).
    Não conheço a Joana pessoalmente, mas reconheço-lhe o esforço e a vontade de progredir na vida. É preciso coragem e muita força, admito-o. E se, a certo ponto até se viu com “sorte” na oportunidade, digo toda a gente tem sorte e oportunidades, só há que as agarrar no momento certo e fazer delas o nosso orgulho.

    Parabéns e felicidades!

  • autoconvencidos

    Sei que esta joana e estes pedros são jovens que pensem por eles e não dos que se identificam com os medíocres do poder local —os oportunismos de ocasião que a troco de empregozito arranjado pelos PS,PSD infiltrados de ocasião no PS ,CDS dependentes e PCPs, da gamela dita democrática e de barriga cheia nem dos Be do caviar que andam juntos com os dos xouxialistas . O pais precisa de muitas joanas e pedros com cabeça pensante . Boa noticia.

  • Guilherme

    Bravo! Profissionais em ambos os casos. Parabéns.

  • Lénia Laurel

    Tenho q dar os parabéns a esta jovem. Felicidades e sucesso pr o futuro