Nunca concordei tanto com o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital quando ele finalmente desabafou – fê-lo na última Assembleia Municipal – que sobre a polémica das futuras instalações da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTGOH) não “podemos andar aqui com uma discussão bacoca sobre se é aqui ou acolá”.

 

Se bem me lembro, quando esta escola superior foi criada, já esta discussão se levantou. Na altura, as hipóteses para a sua construção eram Oliveira do Hospital – “inevitavelmente”, para alguns -, S. Paio de Gramaços, Pinheiro dos Abraços, ou, ainda, Galizes, no edifício da Santa Casa da Misericórdia.

“Uma discussão bacoca” *

Passados todos estes anos, o que é que aconteceu? É que enquanto a ESTGOH continua enclausurada num antigo quartel de bombeiros, em Seia, a Escola Superior de Telecomunicações e Turismo, foi instalada num complexo de novas e modernas instalações. Não está dentro da cidade. Foi localizada numa freguesia da periferia, em Arrifana. Para além destas diferenças de actuação no tempo, as duas escolas têm no entanto um ponto em comum: foram criadas exactamente no mesmo dia, através do Decreto-Lei nº 264/99, de 14 de Julho, pelo governo de António Guterres.

É por isso que, com a ESTGOH, hoje a “rebentar” pelas costuras, o que de facto é importante é que a solução do problema se comece a desenhar rapidamente. E, tanto quanto se sabe, Lagares da Beira está a escassos minutos de Oliveira do Hospital.

Lembro-me que há cerca de 20 anos, a Universidade Católica e o Instituto Politécnico de Viseu, por exemplo, também foram localizados fora da cidade e, na altura, a distância parecia grande. Mas decorridos poucos anos, Viseu cresceu por “tudo quanto é sítio”, montou uma rede de transportes públicos eficaz e aquelas escolas estão hoje “à mão de semear”. Só para termos uma ideia do ridículo desta discussão – aliás, não é só em Viseu que isso acontece porque em Espanha passa-se exactamente o mesmo -, basta dizer que o Instituto Piaget está há muitos anos localizado numa aldeia que dista cerca de 15 quilómetros da cidade.

Ora, a grande questão que se coloca, é que Oliveira do Hospital – ou a “Grande Oliveira” – tem também obrigatoriamente que crescer para a periferia nas suas zonas de expansão, e não pode ficar eternamente enquistada no Largo Ribeiro do Amaral e na “rua das finanças” . É óbvio que, para que isso aconteça, as políticas de desenvolvimento encetadas pelo poder local têm forçosamente que ser outras.

Portanto, se o desenvolvimento sustentado acontecer, daqui a uns anos, deslocarmo-nos a Lagares da Beira representará praticamente o mesmo do que irmos do Rossio até ao Marquês de Pombal.

Além do mais, convém ainda sublinhar que este projecto está a ser conduzido pelo Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), que se prepara para o candidatar aos fundos comunitários do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). Não creio, por isso, que o IPC se esteja a lançar numa obra à toa que, quando for apresentada publicamente, poderá surpreender muitos dos “lagarocépticos”.

Como diz Thomas Friedman no seu livro, hoje, “O Mundo é Plano”. Deixemo-nos de bairrismos…

* Disponível apenas no correiodabeiraserra.com

Henrique Barreto

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