À Boleia Autor: André Duarte Feiteira

Uma Mão Cheia de Nada! Autor: André Duarte Feiteira.

Mas afinal, qual é a estratégia?

Não encontro, de forma alguma, qualquer tipo de estratégica e planeamento para o desenvolvimento Concelhio. Encontro, apenas e só, uma mão cheia de nada.

Para iniciarmos o nosso processo deliberativo, acho justo, e até fundamental, saber o que pretendem para Oliveira do Hospital. Partindo deste pressuposto, acho que é unânime a ligação que de imediato transferimos para o sector do Turismo, tanto como impulsionador da região, como dos conhecidos atributos que o concelho tem para oferecer ao sector. Nesse sentido, e, ao contrário do que se diz, é, na minha opinião, fundamental que a Câmara Municipal faça todos os esforços e mais alguns para que exista uma unidade hoteleira (de maior dimensão) em Oliveira do Hospital. Colóquios, palestras, formações…qualquer tipo de actividade turística, que envolva um autocarro de pessoas, têm que excluir automaticamente Oliveira do Hospital da rota. De que adianta fazer eventos no nosso concelho se, depois, vão dormir nos concelhos vizinhos? Já que não há hotel em Oliveira do Hospital, e, já que são evidentes as necessidades hoteleiras e o tal empenho em as colmatar, onde estava esse compromisso no processo do empreendedorismo turístico das Caldas de São Paulo? Vai gerar postos de trabalho, vai diminuir o défice que temos a nível de alojamento, vai trazer valor acrescentado para a nossa região…afinal, qual é a estratégia?

A BLC3 – Plataforma para o Desenvolvimento da Região Interior Centro, partindo do que pretendem (e já se viu que a CMOH pretende), também terá que vir a discussão. Numa acta recente, encontrei, como em tantas outras, um subsídio para a BLC3, subsidio esse no valor de nove mil euros, para fazer face a despesas gerais de funcionamento. Sabendo eu destes subsídios, e, sabendo que, desde a “fusão” da BLC3 com o Empreender +, já foram atribuídos mais de 100 mil euros em ideias de negócios, sendo munícipe como todos vós, logo sócio da BLC3 também como todos vós, gostaria que fosse convocada uma Assembleia para se apresentarem os resultados do nosso investimento e para analisar a estratégia da nossa direcção!.. O que não pode continuar a acontecer é canalizar dinheiros públicos para empresas “públicas”, e, depois, quando se trata de apresentar resultados, de contratar, ou de se formar direcção, essa instituição seja intransigentemente privada.

Desemprego jovem, outro assunto que terá que vir para a discussão. Segundo a nossa autarquia o emprego jovem está a diminuir, e nisso, tenho que concordar. Mas apenas concordo com os dados, não com a justificação. É óbvio que o desemprego jovem está a diminuir, mas desengane-se quem pensa que é porque estão a ser criadas condições para a fixação de jovens, quer de mão-de-obra qualificada, quer de não qualificada que por cá permanece. O desemprego diminui porque os jovens cada vez mais descartam a possibilidade de se fixarem em Oliveira do Hospital, não por vontade própria, mas por necessidade. Contudo, e aos olhos de todos, ainda vão havendo umas entradas no mercado de trabalho. O que se estranha, até aos olhos dos mais informados, é onde são divulgadas e abertas certas vagas. Até os recentes sete estágios do programa PEPAL parecia que queriam esconder a sete chaves. Não é moralmente satisfatório e profissionalmente meritório dizer aos jovens que existem sete vagas de emprego?

A Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital, que, também merece toda a nossa atenção, deve constar nas prioridades dos Oliveirenses, mas temo, que só depois de encerrada, vislumbrem a potencialidade que é a ESTGOH. Não podemos assistir de braços cruzados à cada vez menor procura de alunos e à redução drástica do número de matriculas, e, apenas no início de cada ano lectivo, tentar promover a escola. Houve mudanças académicas, sociais, económicas, profissionais desde a fundação da ESTGOH. Não é tempo de a reinventar? Ou vamos esperar que continue a funcionar a lume brando até que se apague de vez? Uma herança histórica, económica e social que caso não venha a ser debatida com seriedade e brevidade, vai deixar de ser presente e ficará apenas na memória.

Num passado próximo em que se requalificou o Parque do Mandanelho, em que se requalificaram as principais artérias e centro da cidade, em que havia crescimento patrimonial, social e económico, como é que é possível que os bens essenciais e as taxas municipais não fossem tão elevadas como são actualmente? Que obras foram realizadas em Oliveira do hospital que viessem trazer bem-estar aos seus munícipes e que por esse motivo lhes viessem agravar os impostos? Sabemos das necessidades que temos em melhorar o complexo das piscinas municipais, sabemos das necessidades que temos em requalificar a zona histórica, sabemos que devemos impulsionar a zona industrial, sabemos das necessidades que temos a nível de acessibilidades (ligação do IC6), sabemos da cada vez maior fuga de jovens e do consequente envelhecimento da população. Sabemos de muita coisa, mas o que temos, é uma mão cheia de nada. Quanto aquilo que sentimos, mas para o qual não temos explicação, é o facto de ter havido um aumento brutal na tarifa da água quando a obra pública é inexistente e o executivo camarário diz que estamos melhor que há cinco anos atrás. Eu cá não acredito, não observo, e penso que não vou observar uma estratégia diferente para o crescimento local. E esta? Não obrigado, antes inconformado que compactuar com o pecado.

À Boleia Autor: André Duarte FeiteiraAutor: André Duarte Feiteira. 

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