Universidade de Aveiro desenvolve o primeiro drone de monitorização da saúde das florestas

A Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu um drone que permite monitorizar o estado da saúde das áreas florestais. O veículo aéreo não tripulado conta com uma tecnologia acoplada, desenvolvida pela UA, que permite avaliar o grau de impacto de vários factores de stress numa área florestal, quer sejam causados pela falta de água ou de nutrientes, bem como doenças ou ataques de insectos e fungos. O projecto, que numa primeira fase pretende mudar o paradigma da monitorização das florestas, que quando realizada é morosa e feita por técnicos no terreno, está já pensado para ser colocado ao serviço de explorações agrícolas.

“Nesta primeira fase, desenvolvemos um sistema para a monitorização de plantações de eucalipto, tendo em conta a relevância económica destas plantações, não só em Portugal mas também em muitas outras regiões do mundo como, por exemplo, em Brasil”, revela Jan Jacob Keizer, investigador do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) da UA.

A aposta no eucalipto, explica o coordenador do projeto na UA, justifica-se por este ser “a espécie florestal dominante em Portugal representando mais de seis por cento do total da superfície florestal, perfazendo 812 mil hectares”. Também no Brasil, “em 2012, a área ocupada por florestas plantadas de eucalipto totalizava mais de 5 milhões de hectares, o que representa 70,8 por cento do total de florestas brasileiras plantadas”. O drone consegue monitorizar 50 mil metros quadrados a cada 10 minutos.

A tecnologia desenvolvida por uma equipa de investigadores não só do DAO, como também dos departamentos de Biologia e Química e da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda, baseia-se num “sistema de monitorização em que imagens multiespectrais [imagens adquiridas em diferentes comprimentos de onda que resultam na captura separada de cores] são adquiridas através de um VANT de asa rotativa com propulsão elétrica que transportará um sensor multiespectral”. As imagens, explica Jan Jacob Keizer, são depois utilizadas “para quantificar, de forma espacialmente explícita, o grau de impacto de vários fatores de stress no crescimento tanto de uma plantação como um todo como de árvores individuais”.

Os drones da UA podem ser enviados em missão sob solicitação dos produtores florestais, “podendo monitorizar, de forma expedita, alterações no coberto florestal”. Por exemplo, explica Jan Jacob Keizer, num voo pode-se “avaliar a eficácia de um tratamento contra uma praga ou determinar a mortalidade de plantas recentemente plantadas após dias de geada ou de seca”.

O sistema de informação preconizado na tecnologia desenvolvida na UA, antevê o investigador, “implicará uma mudança de paradigma na monitorização de plantações florestais geridas de forma intensiva”. Este sistema, acrescenta, “será uma ferramenta eficaz, permitindo aos mesmos técnicos melhorar a produtividade e a sustentabilidade das plantações sob a sua gestão”.

O trabalho dos investigadores da UA está inserido no projeto Low-flying Unmanned Aerial Forest Monitoring System (LUNA), uma Iniciativa QREN (do financiamento UE/FEDER, através do COMPETE – Programa Operacional Factores de Competitividade), e envolve uma parceria com a empresa GeoAtributo especializada na gestão e ordenamento do território.

LEIA TAMBÉM

Mais de uma centena de famílias desalojadas em Oliveira do Hospital aponta o presidente da Câmara

Mais de uma centena de pessoas ficaram desalojadas no concelho de Oliveira do Hospital por …

Incêndio reacende-se na Serra da Malcata, zona do Lince Ibérico

Bebé desaparecido em Tábua foi encontrado morto

O bebé de um mês que estava desaparecido na Quinta da Barroca, concelho de Tábua …