Domingo, Março 26, 2017
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Universidade de Coimbra desenvolveu modelo matemático que poderá ter impacto “na cardiologia de intervenção”

Universidade de Coimbra desenvolveu modelo matemático que poderá ter impacto “na cardiologia de intervenção”

Um modelo matemático que simula a libertação do fármaco a partir dos ‘stents’ de última geração, “ferramenta que poderá ter impacto na cardiologia de intervenção”, foi desenvolvido por investigadores do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC em colaboração com o Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC)/ polo dos Covões. Os drug-eluting stents (DES), também conhecidos como ‘stents’ farmacológicos, são dispositivos médicos utilizados na desobstrução de artérias.

O que distingue os DES dos ‘stents’ convencionais é o facto de “a estrutura metálica ser revestida por um material polimérico, em que é disperso um fármaco antiproliferativo, que é posteriormente libertado, evitando, ou pelo menos limitando, a posterior ocorrência de reestenose (reoclusão) no vaso intervencionado”, refere a UC em comunicado.

O comportamento dos DES, isto é, “a distribuição ao longo do tempo do fármaco libertado nas paredes do vaso, é determinado por uma complexa combinação de fenómenos que dependem das propriedades do polímero, das propriedades do fármaco e da situação clínica do paciente, em particular do estado clínico das paredes do vaso sanguíneo intervencionado”, acrescenta a UC.

É por essa razão que o modelo desenvolvido pela equipa do Centro de Matemática, constituída pelos investigadores José Augusto Ferreira, Maria Paula Oliveira e Jahed Naghipoor, em colaboração com Lino Gonçalves, director do Serviço da Cardiologia do CHUC, pode assumir um papel preponderante. “O modelo permite a introdução de parâmetros que caracterizam a situação clínica do paciente, como, por exemplo, a viscosidade do sangue e a geometria e composição da placa aterosclerótica”.

Uma vez personalizado o quadro clínico, “o conjunto de equações que constituem o modelo simula a distribuição de fármaco, ao longo dos meses subsequentes à implantação do ‘stent’, assim como algumas características da circulação sanguínea na região de implantação, para cada paciente individual”.

As informações fornecidas pelo modelo podem constituir “uma importante ferramenta de apoio à decisão clínica, possibilitando a definição de estratégias terapêuticas para prevenir o aparecimento da reestenose”, sublinha a UC. “A modelação matemática do acoplamento ‘in vivo’ de um ‘stent’ e de um vaso sanguíneo revelou-se uma tarefa de elevada complexidade porque o processo depende de múltiplos fenómenos interdependentes” e tão diversos como, por exemplo, “as características da degradação do revestimento polimérico do ‘stent'” ou as propriedades fisiológicas da parede do vaso sanguíneo.

“O sucesso do trabalho que desenvolvemos deve-se à estreita colaboração e ao constante diálogo interdisciplinar entre os matemáticos da equipa e o cardiologista Lino Gonçalves”, afirma José Augusto Ferreira, para quem agora, “através da criação de um novo algoritmo que tenha também em atenção a proliferação celular que ocorre durante a reestenose”. Seguir-se-á “a validação do modelo, que se baseará na casuística do Serviço de Cardiologia [do CHUC], e, concluída esta fase”, será disponibilizada “uma plataforma computacional a ser utilizada em ambiente hospitalar”, adianta José Augusto Ferreira.