Vale do Alva amanheceu “vestido de luto”

Luto é a palavra que melhor descreve o estado em que ficaram as encostas do Vale do Alva, ontem, fustigadas pelo forte incêndio que deflagrou em Digueifel, freguesia de Vila Pouca da Beira e afetou as freguesias de Avô e Anceriz (concelho de Arganil) e consumiu uma mancha florestal que se situa entre os 200 e os 300 hectares.

Um fogo que teve início às 17h00 e foi considerado dominado cerca das 23h00, tendo mobilizado quatro centenas de homens de corporações de bombeiros dos distritos de Coimbra, Guarda e Viseu, num total de 125 viaturas, e seis meios aéreos.

Tal como a densa coluna de fumo, avistável a longos quilómetros de distância, fazia prever, o fogo causou horas de intenso trabalho aos bombeiros e de verdadeira aflição aos populares que viram os seus bens serem ameaçados pelas chamas.

No concelho de Oliveira do Hospital, a freguesia de Avô foi a que maior preocupação causou aos bombeiros dada a rápida propagação das chamas junto de habitações isoladas, ao ponto de praticamente deixar a localidade rodeada pelas chamas. Duas habitações ainda foram parcialmente afetadas pelas chamas e as vidraças de novas habitações acabaram por estilhaçar dada a elevada temperatura  que se fez sentir, não havendo – ao contrário do que este diário digital tinha adiantado – famílias desalojadas.

“Foi assustador… isto só visto”, comentou ao início da manhã uma popular de Avô, com residência habitual em Lisboa, e que ontem se deparou com um cenário de propagação rápido do fogo.

“Ardia aqui, depois ali e além também”, contava ainda em estado de choque uma octogenária avoense que hoje se confessava doente devido à situação a que ontem se viu obrigada a assistir . “Tenho 85 anos e nunca vi nada assim”, contou Cidalina Antunes, lamentando que muitos populares não tenham conseguido salvar a agricultura.

“Sempre vivi aqui e nunca vi coisa igual”, partilhou também ao correiodabeiraserra.com a proprietária de um mini-mercado na localidade de Avô que depois do drama ontem vivido se confessava angustiada com o negro da paisagem, que o amanhecer do dia mostrou à população. Ofélia Tavares, com 43 anos, contou ter vivido horas de verdadeiro terror, mas notou a bravura e coragem dos bombeiros que ao fim de seis horas deram o fogo por resolvido. Nesta luta, a avoense destacou igualmente a atuação da população, em particular na zona da Várzea. “Foi impecável”, referiu a comerciante que, agora tem a lamentar o tempo que vai demorar até que o verde da vegetação seja reposto nas encostas do vale do Alva.

Depois do combate às chamas, a noite foi de rescaldo e ao início da manhã eram visíveis ainda dezenas de viaturas e elementos de várias corporações da região que, espalhados pelos vários pontos devastados pelo fogo, procediam à necessária vigilância.

“Temos que manter o dispositivo para que em caso de reativação possa haver reação o mais rapidamente possível”, explicou o responsável pelo posto de comando de operações de socorro ainda instalado junto a Digueifel.

A render o comandante que ontem esteve no teatro de operações, Fernando Pimenta fazia uma avaliação positiva do trabalho levado a cabo pelos meios envolvidos no combate às chamas. “Dada a abundância de combustível florestal, as elevadas temperaturas e a irregularidade do relevo podemos falar de um resultado muito bom”, registou o responsável, que se apraz por, ao fim de seis horas e naquelas características, o fogo ter sido dado como resolvido. De acordo com o comandante das operações de socorro, o fogo terá consumido uma mancha florestal entre os 200 e os 300 hectares.

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