“Todas as idades têm os seus frutos, mas é preciso sabê-los colher.”
(Raymond Radiguet)

Cada vez mais o envelhecimento da população é uma realidade no âmbito dos países mais desenvolvidos do mundo ocidental.

Velhos… nem os trapos

Devido ao efeito conjugado do aumento da esperança média de vida e da diminuição dos níveis de natalidade, a verdade é que este facto já é considerado como um dos fenómenos demográficos mais marcantes dos últimos anos. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), no ano de 2050, um terço da população portuguesa terá mais de 65 anos e quase um milhão de pessoas terá mais de 80 anos. A manter-se a actual tendência, Portugal, dentro de 42 anos, será um país severamente envelhecido, uma vez que a faixa etária da população com idade superior a 65 anos deverá representar cerca de um terço dos habitantes de Portugal. Compreender as necessidades dos consumidores que vão avançando na idade é o próximo grande desafio do marketing, uma vez que este segmento passará, certamente, a ser uma interessante oportunidade de negócio.

Hoje em dia, apesar de assistimos ao progressivo abandono do estereótipo de que o idoso é uma pessoa sem energia que se encontra no final de vida, não nos podemos esquecer que esta fase da nossa existência produz transformações muito significativas.

Assim e em primeiro lugar, as empresas não deverão negligenciar as mudanças biológicas e psíquicas que caracterizam este grupo de pessoas. O surgimento de dificuldades de mobilidade e de processamento de informação, a diminuição da visão e audição implicam que as empresas passem a ter, por exemplo, uma maior preocupação na concepção de embalagens de abertura fácil e com etiquetas maiores onde a informação seja mais visível e, ainda, com o facto dos produtos que são dirigidos a este segmento não estarem expostos em prateleiras muito baixas para evitar que o consumidor sénior se baixe constantemente. Colocar carrinhos fáceis de manusear e vários bancos nas lojas ou centros comerciais deverá também ser objecto de atenção.

Em segundo lugar, surgem as mudanças ligadas a questões sociais onde se destaca a solidão. Assim, este grupo de pessoas mais velhas, para ter companhia, dedica muito mais tempo a animais de estimação, a viagens em grupo e à internet. É a pensar nestas mudanças que começam a surgir, mesmo em Portugal, condomínios destinados especificamente a este segmento. De forma a satisfazer a necessidade de independência e de segurança física e psicológica, a compra de casa nesses espaços permite o acesso a diversos serviços, nomeadamente, actividades domésticas, cuidados de saúde, espaços comuns como salas de estar, de jantar, de leitura, de jogos, bar, salão de festas, piscina e ginásio.

Contudo, apesar de serem inegáveis os efeitos negativos do envelhecimento da população, devem também ser analisados os impactos positivos do aparecimento deste segmento populacional com características e necessidades próprias. Estudos recentes revelam que, de forma crescente, os idosos modernos gozam de uma saúde mais conservada, são mais activos e independentes, são mais consumistas e participativos em actividades sociais. Frequentam shoppings, fazem cruzeiros, saem para jantar fora, namoram, assistem a espectáculos de arte ou música, navegam na internet, fazem aplicações financeiras e cuidam da saúde e aparência. Estando conscientes deste facto, actualmente, existem muitas empresas que já começaram a aproveitar essa oportunidade e passaram a oferecer serviços diferenciados a este grupo de consumidores, fiéis e com um rendimento disponível mais elevado.

Nos próximos anos, o marketing terá assim de abandonar de vez a ideia de que os idosos são consumidores sedentários e pouco atractivos, pelo que deverá passar a dar mais atenção a este segmento em crescimento.

*sugestã[email protected]
Associação Nacional de Jovens Formadores e Docentes
(FORDOC)

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