Ventos de bonança

Nas últimas semanas tenho estado ausente da escrita aqui pelo Correio da Beira Serra, não por ausência de tema, mas de tempo. Os últimos tempos têm sido felizes para Oliveira do Hospital e é disso mesmo que vos falo na minha crónica de hoje.

Em setembro e outubro recebemos a distinção ECO XXI, integrámos a Rede de Cidades e Vilas de Excelência e, cereja no topo do bolo, fomos distinguidos pela Universidade Nova de Lisboa como um dos Melhores Municípios para Viver.

A atribuição deste prémio, especialmente devida ao projeto Ativosociais, uma das imagens de marca do executivo camarário, vem provar a importância das autarquias na correção de desequilíbrios nacionais e confirmar o crime que tem sido feito com a progressiva redução de financiamento para o poder local.

Estes parecem ainda ser os primeiros frutos da marca Oliveira do Hospital. É verdade que ainda falhamos na promoção interna e que tem de se continuar a trabalhar na autoestima dos oliveirenses, mas os sinais têm sido muito agradáveis.

O reconhecimento, por instituições externas e independentes, dos progressos que têm sido feitos, é um bom sinal. Não podemos é parar por aqui e sermos “só” atrativos, temos também de ser fixadores, é esse o 2 em 1 que nos fará vitoriosos. Criar oportunidades e atividades para a população local. Dinamizar a cultura, estimular o empreendedorismo e a iniciativa privada, fazer uma cidade que seja jovem e com a qual os seus jovens se identifiquem. Uma cidade que cativa, que apaixona e que nos faz, a todos, sermos os embaixadores internos de que falava há uns meses atrás.

É este o caminho que temos de percorrer, com a energia que nos caracteriza, para deixarmos de ser mais “uma cidade perdida na Beira”. Acredito que conseguiremos, se cada um de nós arregaçar as mangas e se disponibilizar pela sua parte, porque são também os cidadãos que fazem aquilo que é uma cidade viva e ativa.

Ainda vale a pena dizer que…
A confusão gerada pela agregação de todas as escolas do concelho num único agrupamento está a fazer sentir-se no quotidiano dos vários estabelecimentos, que estão embrulhados numa enorme confusão burocrática e de procedimentos. O prejuízo é claro para o ensino e para o dia a dia dos estudantes, que andam há mais de um mês em permanente agitação. E, atribuições de culpa à parte, a qualidade não pode sair prejudicada. Resolvam o problema, fazer queixinhas é feio.

Já era altura de o Município otimizar a sua presença na internet e nas redes sociais. É confrangedor o que se passa na presença da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital ao nível da gestão de espaços online. Eu recebo a newsletter da autarquia e, pela terceira vez consecutiva, chega ao meu e-mail com eventos já ultrapassados. Isto não só é muito pouco profissional, como uma prova de ineficiência.

Os filmes estão a chegar a Tábua praticamente na mesma altura que estreiam nas grandes cidades. Um acordo com a ZON Lusomundo permitiu a modernização do Centro Cultural da cidade vizinha, que tem recebido as últimas novidades em 2D e 3D. Tendo em conta a população de Oliveira do Hospital e até o interesse existente por uma oferta completa e diversificada – que não é a que temos atualmente – fica-nos muito mal continuarmos, neste contexto, parados algures no século passado.

Pedro Coelho

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  • jpcruz

    pensei que tivesses ausente para pensares qual seria o tacho que te arranjassem na câmara. pessoas como tu deviam ter vergonha de vir para aqui vender postas de pescada.

  • Erasmo de Roterdão

    E qual foi o tacho que o Pedro teve? Ainda bem que alguns só vendem baboseiras..!

  • Assurancetourix

    É preciso olhar para estas distinções com cautela. Uma coisa é a realidade dos factos, outra é o Marketing que lhes está associado.

    A distinção do ITC-UNL soa bem nas notícias que circulam pelas redes sociais. Mas será Oliveira do Hospital um dos melhores municípios para viver? Com base em quê? 100 postos de trabalho serão mesmo ‘cem’ postos de trabalho?

    Muitas pessoas estão a trabalhar em IPSS, por cerca de mais 80 euros do que receberiam do subsídio de desemprego. Mas, para todos os efeitos, estas pessoas continuam desempregadas. O que acontecerá quando terminar o período de acesso ao subsídio de desemprego, e os ‘empregadores’ as dispensarem, para ir buscar mais um funcionário por 80 euros mensais (em números redondos, mão de obra a 50 cêntimos/hora)?

    Já para não falar dos estágios profissionais negociados em função da filiação política, com ofertas de emprego acompanhadas de boletins de inscrição no partido.

    Enquanto Oliveira é promovida na televisão e nas redes sociais, o investimento dos oliveirenses continua a ser subestimado. As pequenas empresas fecham, os jovens saem do concelho em busca de oportunidades, e de quem lhes permita fazer aquilo que sabem. Será este o caminho certo?