As alterações ‘climáticas’ que se vêm fazendo sentir na atmosfera política do PSD local, são susceptíveis de poderem gerar um novo clima a partir de Outubro.

Verão quente de 2009

Mesmo não sendo meteorologista, tudo indica que vamos ter um dos verões mais quentes de que há memória.

Para se proteger das radiações – a camada de ozono laranja nunca esteve tão vulnerável – o actual presidente da Câmara vale-se de tudo para se aguentar no poder. Mas deixemos as metáforas, e passemos aos factos.

Foi ontem colocado na minha caixa de correio, e pago com os dinheiros do erário público, mais um Boletim Municipal todo a cores e com mais de 150 páginas. A publicação – distribuída por todos os habitáculos postais do concelho através de infomail – custa semestralmente ao Município várias dezenas de milhares de euros. Não passa de um mero instrumento de propaganda eleitoral, mas tem um condão. Pois, contrariamente a ‘alguma imprensa’, como tanto gosta de sublinhar o presidente da Câmara, “esta publicação – passo a citar o editorial de Mário Alves – tem levado bem longe o nome do concelho (onde? De Aldeia das Dez a Seixo da Beira?), reportando, de uma maneira ABSOLUTAMENTE CRITERIOSA e VERDADEIRA, aquilo que se vai passando pelas nossas localidades”.

Nestas cento e muitas páginas há fotografias de obras, obrinhas, caminhos, muros, muretes e subsídios. Também existe obra digna do nome, e sobretudo aquela que arrancou dentro dos “timings” eleitorais a que o país político português já nos habituou.

O que eu estranho é que o presidente da Câmara que ainda recentemente valorizava a internet em detrimento do papel, e até afirmava que não valia a pena andar a fazer roteiros turísticos porque as pessoas não liam – o turista que descubra o património –, gaste agora tanto dinheiro dos munícipes, tanta energia dos seus colaboradores e tanta àrvore da nossa floresta. Por que é que Mário Alves não segue a mesma linha de raciocínio e deixa que os munícipes descubram a sua obra?

Não convém… pois quando o calor aperta a sede desperta. E então, toca a utilizar o Boletim para fins políticos. A técnica não é nova e a antiga autarca socialista de Sintra, Edite Estrela, também já teve que explicar o seu bom português nos tribunais, depois de ser acusada de utilizar este tipo de instrumento de informação com propósitos eleitorais.

Alves opta pelo mesmo caminho e, na conclusão do seu editorial, lá deixa a mensagem eleitoral que aqui reproduzo: “Por fim, resta-me, pessoalmente e em nome da equipa que lidero, reafirmar a inteira disponibilidade do executivo camarário para continuar a trabalhar por si e pelo concelho.”

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