Vereador do PSD defende “remodelação de eventos que já não surtem efeitos”

 

O ex presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital não concorda com o modelo de alguns eventos que têm vindo a ser dinamizados pela autarquia e, na última reunião pública, até defendeu uma “remodelação dos eventos que já não surtem efeitos”.

Mário Alves reportou-se diretamente à sessão solene comemorativa da revolução dos cravos que decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal e onde “nem os membros da Assembleia estiveram presentes”.

“Faz-se uma sessão para pôr cinco ou seis pessoas a falar para uma ou duas dúzias de pessoas e a dizer o que toda a gente sabe”, criticou o vereador do PSD, considerando aquele ato dispensável, por entender que “a discussão dos assuntos se faz em reuniões de trabalho e não em sessões como esta”.

O vereador da oposição no executivo oliveirense recuou ainda ao primeiro ano de mandato da atual equipa municipal, para também criticar a presença do embaixador de Moçambique naquela sessão comemorativa, por acreditar que tal vinda só serviu para o presidente da autarquia “fazer frete a um amigo”.

Para Mário Alves, a sessão do 25 de Abril não consegue adesão popular , pelo que entende que “não serve de muito andarmos aqui nestas coisas”.

Críticas também extensíveis à Feira do Livro que, na opinião do social-democrata, “não está a resultar”. “Encaremos isso. Só lá vão os miúdos porque os levam lá”, insistiu, notando que o evento não resulta “porque é feito fora do tempo”, quando deveria acontecer em “data mais avançada”.

E nem a Feira do Queijo escapou aos reparos de Alves, que também confrontou o líder do executivo com a prática do “turismo caritativo”, diretamente relacionado com a oferta de almoços a visitantes. “Já ouvi falar em 1600, 1650 e 1500… quantos foram os almoços oferecidos?” perguntou o vereador que, feitas as contas, verificou que na oferta de 1000 almoços a sete Euros, o município gasta sete mil Euros. “Com esse dinheiro ia à feira e comprava o queijo todo que lá havia”, concluiu, notando que o modelo adotado pela atual equipa autárquica “também não serve”, porque está em causa “dinheiro do erário público que pode e deve ser utilizado a vários níveis”.

“Não será nas minhas mãos que o município deixará de comemorar o 25 de Abril”

Reparos a que o presidente da Câmara Municipal não cedeu, lembrando até a Mário Alves que o lugar que ocupa é de vereador da oposição, através do qual pode propor o quer, não estando porém em condições de “ditar as regras”.

Um esclarecimento que José Carlos Alexandrino fez acompanhar da certeza de que, enquanto for presidente do município oliveirense, não colocará termo à sessão comemorativa da revolução dos cravos.

Em matéria de feriados, o autarca criticou os querem acabar com os feriados de 5 de outubro e 1 de dezembro, constatando que se tal for por diante também não fará sentido Oliveira do Hospital manter o feriado municipal, que se assinala a 7 de outubro.

Alexandrino também não se alongou na resposta à crítica relativa à presença do embaixador de Moçambique, referindo apenas que é importante a “criação de laços” com outros países e que, como explicou, poderão dar bons frutos no que respeita à captação de alunos para a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital.

Sem nunca referir o número de almoços oferecidos na Feira do Queijo, Alexandrino disse não se tratar de um modelo de “turismo caritativo”, mas antes de “retoma económica”. “Já pensou que estes almoços foram oferecidos a pessoas que deixaram dinheiro em Oliveira do Hospital?” questionou o presidente, certo de que o município está a fazer uma boa aposta naquilo que é a remodelação da Feira do Queijo, porque o certame “não é só para vender queijo, é para promover o concelho”.

“Acho que a Feira do Livro tem excelente modelo, está sustentado e melhorou relativamente ao passado”, referiu entretanto a vereadora da Educação e Cultura, Graça Silva, esclarecendo Mário Alves de que não há forma de mandar nas condições meteorológicas e lembrando que enquanto foi presidente da Câmara, o certame realizado em junho também não escapou ao mau tempo, tendo até sido deslocalizado para o pavilhão municipal.

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