Vereador independente acusa executivo de usar Boletim Municipal como “meio de propaganda”

 

…o Boletim cumpre outros objetivos que não o de informar os oliveirenses.

Invocando os tempos de crise e a necessidade de redução de despesas, o vereador do movimento independente “Oliveira do hospital Sempre” foi à última reunião pública da Câmara Municipal vincar a sua oposição ao Boletim Municipal, que a autarquia acaba de lançar.

“É um meio de propaganda e de o executivo tentar minimizar obras que não foram realizadas”, começou por afirmar José Carlos Mendes que, numa alusão aos gastos decorrentes da “riqueza gráfica e do tamanho” da publicação, chegou mesmo a considerar que “a coerência do executivo anda muito por baixo, quando antes criticava situações deste género”.

Visivelmente contra, o eleito independente desafiou até o executivo a “refletir e ver se deverá continuar com a mesma posição relativamente a esta matéria”. O que já tem sido situação recorrente nas reuniões públicas do executivo oliveirense, voltou ontem a acontecer, com o vereador do PSD a ser o primeiro a criticar a intervenção de Mendes e a sair em defesa do executivo em permanência.

“Sempre achei no poder que o Boletim Municipal era fundamental para dar informação aos munícipes por uma questão de transparência e para que se saiba quanto é que as associações recebem de subsídios”, afirmou Mário Alves aludindo ainda à função de “fiscalização” inerente à publicação, por permitir aos diferentes associados quais as ajudas da autarquia e, assim, questionar os dirigentes associativos acerca do rumo dado às verbas recebidas.

Sem pormenorizar, o ex presidente da autarquia considerou no entanto que a próxima edição do Boletim deve ser melhorada, no sentido da redução de custos. Ainda que no lugar de vereador da oposição, Mário Alves interpretou a intervenção de Mendes como própria da oposição, contando que já no seu tempo de chefe do executivo, o vereador José Francisco Rolo fazia o mesmo. “Também me macerava com esse tipo de argumentos com que eu não concordo”, contou.

“Percebemos qual o papel da oposição e a ideia que tem que dar”

Garantindo nunca ter criticado a publicação – “desafio-o a apresentar um documento onde eu critiquei o Boletim”, frisou – o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital desvalorizou a intervenção de Mendes e até considerou que o Boletim deveria deixar de ser anual, para passar a ser trimestral.

“Percebemos qual o papel da oposição e a ideia que tem que dar”, continuou José Carlos Alexandrino que até chegou a admitir que a publicação que – como disse – teve um custo de três mil Euros, venha a sofrer ajustes “porque há coisas que não estarão muito bem”.

Para o autarca, o Boletim “tem uma certa dignidade por informar os munícipes, chegando até a criar alguns problemas do poder”. “Não é um instrumento de propaganda e até nem sei quantas fotografias minhas lá tenho”, afirmou, em tom irónico.

“É fundamentalmente, em grande percentagem, um instrumento de propaganda e não de informação”, insistiu José Carlos Mendes, chegando a propor que, em vez de o executivo mexer na tabela de taxas e licenças e na atribuição de subsídios, faça cortes “em setores que não tragam problemas aos munícipes”.

Uma sugestão que voltou a merecer a reação direta do seu verdadeiro opositor, que o chegou a acusar de andar “no mundo da lua”. “Já é assim há muito tempo…já vem de longe”, referiu Mário Alves, explicando que “uma coisa é falar de migalhas” – “eu gastava no máximo cinco mil Euros na impressão de oito mil exemplares”, contou – e “outra coisa é falar de milhões”, notando que só em subsídios ao desporto federado, estão em causa “cerca de 300 mil Euros/ano) e nos subsídios às associações são “mais de 100 mil Euros”.

Mário Alves insistiu, assim, com a certeza de que “o Boletim Municipal é importante” e disse também compreender as críticas de Mendes “porque às vezes não é conveniente, para pré-iludir as pessoas relativamente a determinados contextos”.

Em defesa da crítica que mereceu do antigo presidente da Câmara, o vice-presidente da autarquia disse nunca se ter oposto ao Boletim, mas antes ter reivindicado a sua participação na publicação e ter sugerido a redução de custos com o Boletim.

José Francisco Rolo não perdeu também a oportunidade para comentar a apreciação do vereador independente José Carlos Mendes, informando-o de que “o povo decidirá se o senhor um dia será presidente da Câmara ou não”. “Espero que não”, logo continuou, avisando-o de que se tal acontecer pretende ouvir de Mendes, de que a primeira medida a tomar é acabar com o Boletim Municipal. No caso de Mendes poder vir a suceder Alexandrino no cargo, Rolo garante estar atento e avisa que em caso de não cumprimento da medida: “cá estarei para lhe enviar uma carta a dizer que meteu o pé na poça e foi incoerente”.

LEIA TAMBÉM

Nova liderança da JSD de Oliveira do Hospital quer colocar problemas dos jovens na agenda política local

Virgílio Salvador, de 26 anos, foi eleito no domingo presidente da Juventude Social Democrata de …

«Castração» política em Oliveira do Hospital. Autor: João Cruz

Passados 44 anos após o 25 de Abril de 1974, vive-se hoje em Oliveira do …