Vereadora da Educação da CMOH abandona reunião

A frase foi dirigida, hoje, ao final da tarde, por um encarregado de educação a uma vereadora da Câmara de Oliveira do Hospital.

Mesmo antes do início de uma reunião com pais e professores de alunos da EB 1 de Galizes, a vereadora com o pelouro da Educação da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital (CMOH) decidiu abandonar as instalações da Sociedade de Recreio e Cultura dos Povos de Galizes e Vendas de Galizes (SRCPGVG) por causa da presença de dois jornalistas do Correio da Beira Serra.

“Vou-me ausentar. Tenho a máxima consideração pelos jornalistas…mas estarem aqui os jornalistas desvirtua completamente esta reunião”, afirmou Fátima Antunes, alegando que estavam em causa “assuntos internos” da EB 1 de Galizes – a escola do 1º Ciclo de Ensino Básico, onde recentemente desabou parte do tecto de uma sala de aulas.

“Com os pais eu falo. Com os jornalistas não…”, explicou ainda a vereadora da Educação da CMOH, que disse nunca ter visto “em lado nenhum uma coisa destas: uma reunião com os pais e os jornalistas ali presentes”.

“Quem não deve não teme” 

Mal Fátima Antunes se levantou da cadeira para abandonar, abruptamente, as instalações da SRCPGVG, a reacção de protesto dos encarregados de educação foi instantânea: “Se é assim a sua maneira de resolver os problemas, muito obrigado e boa viagem”.

“Os jornalistas estão aqui para saber a verdade e não incomodam ninguém”, sentenciou de imediato um dos presentes na sala daquela associação; “Há um ditado que diz que quem não deve não teme”, afirmou também uma encarregada de educação, que perguntou mesmo a Fátima Antunes se tinha “alguma coisa a esconder” para estar tão preocupada com a presença dos únicos jornalistas que estavam a fazer a cobertura daquela reunião.

Uma outra participante daquela polémica reunião, também lembrou à vereadora da CMOH que, na última reunião, “não tínhamos cá jornalistas, e os senhores não apareceram”. Fátima Antunes disse não ter recebido qualquer convocatória, mas alguém lhe respondeu: “falei com a sua secretária que se esqueceu de lhe dar o recado”.

Enervada com a embaraçosa situação que acabara de criar, a vereadora de Mário Alves acabou mesmo por sair, mas debaixo de várias vozes que protestaram contra a sua atitude.

Curiosamente, as duas representantes do Agrupamento Brás Garcia de Mascarenhas também manifestaram a vontade de abandonar a sala por entenderem que aquela reunião não deveria ter a presença de jornalistas. “Estando aqui presente a comunicação social nós também não vamos ficar”, afirmou Alice Relvas, uma representante daquele agrupamento escolar.

A discussão no interior da sala começou a subir de tom, mas, na assistência, nenhuma voz se levantou contra a presença do Correio da Beira Serra.

Porém,  uma encarregada de educação solicitou aos jornalistas do CBS para compreenderem a anómala situação, apelando-lhes – de forma muito cordial – para que abandonassem as instalações da SRCPGVG.

Para não prejudicar os trabalhos, os jornalistas deste jornal argumentaram que a legislação em vigor no sector lhes permitia estar naquele local, mas sublinharam que também não era sua intenção impedir que os problemas das pessoas ali presentes fossem resolvidos.

Sem a presença de Fátima Antunes – o presidente da junta de freguesia local, Adelino Henriques, chegou poucos minutos depois da vereadora da CMOH ter saído –, a reunião lá prosseguiu e, durante o dia de amanhã, este diário digital procurará saber quais foram os resultados desta reunião que tinha como objectivo discutir o futuro da EB 1 de Galizes e dos seus 35 alunos, já que a maioria dos encarregados de educação não aceita que os filhos continuem a frequentar aquela estabelecimento escolar sem que estejam reunidas as mínimas condições.

Amanhã, o correiodabeiraserra.com vai também editar dois vídeos sobre a situação ocorrida esta tarde em Galizes.

Para ter acesso aos desenvolvimentos que este polémico caso está a gerar na comunidade educativa da freguesia de Nogueira do Cravo, clique aqui.

* Com Liliana Lopes

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