Vice-presidente da Liga alerta para “morte anunciada” dos bombeiros portugueses

… da Liga de Bombeiros Portugueses, falou mesmo de uma “morte anunciada” e, a partir de Oliveira do Hospital, apelou à “união” em torno da causa que move “o exército mais barato que o país tem”.

A atribuição do prémio Manuel Gouveia Serra, no valor de 750 Euros, ao bombeiro Marco Brito serviu de entrada àquela que viria a ser a preocupação maior, hoje, manifestada na comemoração do 90ºaniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital.

“Os bombeiros estão a passar mal e temos que bater à porta dos amigos”, afirmou o vice-presidente da Liga de Bombeiros Portugueses que, louvando o gesto da autarquia em premiar o bombeiro do ano, considerou ser também este o momento em que as autarquias devem estar do lado das corporações.

“Parece que está anunciada a morte dos bombeiros do nosso país”, continuou Gil Barreiros que, criticando a imitação que em Portugal tem sido feita dos corpos de bombeiros de outros países, que “nada têm a ver com o que temos”, apelou às autarquias para que se afirmem como “aliadas”, sob pena de no futuro, em caso de extinção dos bombeiros, “as câmaras terem que assumir o socorro dos seus concelhos”. Uma situação que a acontecer, “não trará nada bom para o país e trará problemas para as autarquias”.

O vice-presidente da Liga de Bombeiros Portugueses referia-se em concreto às condições que têm sido dadas às corporações e, em particular, ao resultado do recente acordo com o ministério da Saúde. “Poderiam-nos ter dado tudo naquele acordo”, frisou o responsável que teme ainda pelo projeto portaria de transporte de doentes que está para sair e que, no entender da Liga, “acaba com o transporte de doentes nas ambulâncias dos bombeiros”.

Gil Barreiros apontou diretamente o dedo aos parâmetros que condicionam o transporte a doentes com 60 por cento ou mais de incapacidade, com menos de 600 Euros de rendimento per capita, entre outros itens clínicos e que impedem qualquer médico de passar uma credencial para transporte de doentes. “Sou médico e não tenho capacidade para o fazer”, partilhou, ao mesmo tempo que também criticou a “invenção do transporte low cost que permite a qualquer particular fazer um transporte de doentes a vinte cêntimos por quilómetro”.

Sendo obrigado a recuar ao ano de 2006 para recordar a data em que o montante transferido aos bombeiros sofreu a última atualização, Gil Barreiros alerta para o facto de os bombeiros estarem a “pagar para fazer socorro”. Neste domínio não deixou de comparar a diferença de tratamento para com o INEM.

“Não é por falta de apoio (da CMOH) que a corporação não continuará a funcionar”

O apelo à união lançado pelo número dois na Liga de Bombeiros Portugueses foi prontamente acedido pelo presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital (CMOH) que disse estar sempre disponível para apoiar as duas corporações do concelho. Reiterando o seu compromisso com as pessoas e não com os partidos políticos, José Carlos Alexandrino referiu que o sucesso de uma Câmara “não se mede pela obra física” e que, em momento de crise, “um bom presidente de Câmara é o que ajuda quem precisa”.

O autarca não deixou de criticar a atitude do governo na questão da saúde e em outras áreas no sentido de “desproteger cidades e munícipes”. “As pessoas por serem de Oliveira do Hospital não deixam de ser de Coimbra e de ser portugueses”, referiu o autarca que, vincando o seu compromisso em apoiar dois novos projetos dos bombeiros oliveirenses – construção de garagem cave e aquisição de viatura de combate a incêndios urbanos anunciada pelo presidente da direção Arménio Tavares– também agradeceu publicamente o apoio que, “quando as condições financeiras permitem”, tem sido dado pelo benemérito e presidente da Assembleia Municipal, António Lopes, recentemente distinguido com o crachá de ouro e Fénix de Honra pela Liga de Bombeiros Portugueses. Um agradecimento que, na mesma cerimónia, já tinha sido feito pelo comandante dos bombeiros oliveirenses, Emídio Camacho.

Federação quer bombeiros acarinhados

“É importante que se olhe com carinho e respeito para estes homens e mulheres”, foi a mensagem que António Simões –  subscrevendo o que também tinha sido referenciado pela presidente da Assembleia Geral Maria José Freixinho –  quis passar na comemoração do aniversário dos bombeiros oliveirenses.

À frente da Federação de Bombeiros no Distrito de Coimbra, o sucessor de Jaime Soares no cargo, falou em concreto da reduzida visibilidade que é dada ao trabalho dos voluntários em situação de sinistro.

“No caso do acidente em Tondela, quem veio dar a cara foi a médica do INEM e o comandante operacional distrital, quando estiveram mais de 50 bombeiros no local”, referiu António Simões, lamentando que naquela situação ninguém se tivesse lembrado de chamar o comandante dos bombeiros para dar a cara. “Era disso que se deviam lembrar e de acarinhar os bombeiros”, frisou.

Na comemoração dos 90 anos da corporação, o comandante Emídio Camacho referiu o trabalho em “equipa” como sendo a “alavanca” do sucesso da corporação, que tem primado por atrair jovens voluntários. Uma realidade que o responsável teme que possa ser condicionada pelo excessivo número de horas de formação.

“Este modelo pode levar a processo de desmotivação”, referiu, louvando porém todo o trabalho de articulação que tem sido desenvolvido a nível concelhio e distrital em matéria de combate aos fogos e que este ano já foram responsáveis por 16 hectares de área ardida. Uma situação que preocupa o comandante que também aludiu ao facto de o Estado não apoiar financeiramente as corporações em matéria de combate aos fogos.

A questão das horas de formação valeu porém o reparo do comandante operacional do distrito, António Martins, que aludiu às exigências técnicas que diariamente são colocadas aos bombeiros e que obrigam às horas de formação. “Se eu estivesse no seu lugar preferia dizer que com elementos bem formados, tenho bons elementos”, referiu, aconselhando ainda o comandante oliveirense, no que respeita à escassez de financiamentos do Estado, a não perder a fé. “Quando perdermos a fé, é melhor deixarmos de trabalhar”, disse.

As dificuldades que atravessam os bombeiros foram também referenciadas pelo presidente da direção dos bombeiros oliveirenses que, em concreto, se referiu ao aumento dos preços dos combustíveis e à ausência de atualização do valor que é transferido às corporações pelos serviços prestados.

Dificuldades que não esmorecem a direção da corporação que, na voz de Arménio Tavares, dá como certa a aposta de atrair mais jovens e de continuar a formar o seu corpo ativo. Entre os novos desígnios, o dirigente destacou a desejada construção da garagem e aquisição de nova viatura, num valor estimado em 370 mil Euros.

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