Vice-presidente do PSD acusa Sandra Fidalgo de “traição”

 

O ambiente é de rutura entre o vice-presidente e a presidente da Comissão Política do PSD de Oliveira do Hospital. “Falta de liderança” e “incapacidade para o diálogo” são apenas algumas das acusações que Nuno Pereira dirige à sua sucessora na presidência da Comissão Política do PSD de Oliveira do Hospital.

O caso chega, contudo, a ganhar contornos maiores quando o vice-presidente coloca em causa a conduta de Sandra Fidalgo, apontando o dedo ao que apelida de “movimentações fora da Comissão Política”.

“As conversas que tem connosco na Comissão Política, não são as mesmas que tem em Coimbra”, contou Nuno Pereira ao correiodabeiraserra.com, confessando-se “atraiçoado”. “Não estava à espera destes processos e de muitas traições em relação a membros da Comissão Política”, continuou, criticando igualmente o facto de, a nível concelhio, Sandra Fidalgo não dialogar com os elementos da Comissão Política e manter relações com pessoas que – como assegurou – se revelaram indisponíveis para participar em ações de campanha nas últimas eleições legislativas. Referiu, em concreto, os nomes de Rui Abrantes e Nuno Marques.

O vice-presidente, que garante não se ter pronunciado antes sobre o assunto para não prejudicar os resultados do partido nas últimas legislativas, nega-se a compatuar com a metodologia de trabalho seguida por Sandra Fidalgo e, na última reunião do partido, chegou a fazer uma espécie de ultimato à presidente.

Apontando o final de julho como data limite, Nuno Pereira exigiu a Sandra Fidalgo a tomada de medidas concretas, que passam pela retirada da confiança política a Mário Alves e Paulo Rocha e, a realização de reuniões com militantes e elementos independentes, com o objetivo de se começar a preparar o candidato para as próximas autárquicas. Se tal não acontecer, Nuno Pereira assegura não estar disponível para continuar a integrar a estrutura.

“Com estas ideias o PSD vai continuar a ser oposição”

O mau-estar que só agora vem a público, há muito que se vem sentindo em sede de Comissão Política. No entanto, o azedume entre os membros ganhou contornos maiores com a constituição das listas de candidatos a deputados e que, segundo Nuno Pereira, até levou Sandra Fidalgo a falar em demissão do cargo que ocupa.

Segundo contou a este diário digital, tal aconteceu em reunião de 11 de abril, data em que os elementos eram convidados a pronunciar-se sobre a integração do nome da presidente da concelhia nas listas de candidatos a deputados pelo distrito de Coimbra.

Na ocasião, e alegando mau-estar na estrutura local, Sandra Fidalgo ter-se-á revelado indisponível para integrar a lista e anunciou a intenção de demissão, que nunca chegou a ser consumada.

Por decisão da estrutura nacional, Fidalgo acabou, contudo, por ocupar o oitavo lugar da lista que, na opinião do vice-presidente é desprestigiante para o concelho e para a região, por não se tratar de um lugar elegível. Contou o seu próprio caso, em que recusou o convite que lhe foi dirigido para ocupar o 10º lugar, por entender que esse lugar não corresponde aos anseios da população. Para Nuno Pereira, “este não foi um processo claro”.

Tomando por base este conjunto de episódios e outros que conta revelar em momento oportuno, Nuno Pereira não duvida de que Fidalgo “não reúne condições para presidente da Comissão Política”. “Vai prejudicar o partido a nível local e da região”, considera o vice-presidente, não perspetivando bons resultados nas próximas autárquicas, ao ponto de antever que “com estas ideias, o PSD vai continuar a ser oposição”.

Para Nuno Pereira, o caso chega a ganhar gravidade maior, por constatar que “a oposição que existe até vai contra as ideias do PSD”.

Num olhar pelo trabalho realizado por Sandra Fidalgo à frente da estrutura – foi eleita em maio de 2010 – Nuno Pereira confessa-se decepcionado e explica que quando decidiu integrar a lista, fê-lo porque lhe reconhecia capacidade de trabalho pelas funções que, até aquela data, desempenhou na presidência da mesa da assembleia. “Eu não a conhecia”, verifica agora Nuno Pereira que não reconhece em Sandra Fidalgo a capacidade para liderar, tomar decisões e estabelecer contatos.

O vice-presidente chega ainda a recear que devido a essa postura, Sandra Fidalgo dê por terminado o tradicional encontro da família social-democrata, realizado anualmente na praia fluvial das Caldas de São Paulo e que, no ano passado, apesar de ter contado com a presença de várias personalidades do partido, já deu sinais de reduzida afluência de militantes.

“O achincalhamento público não é benéfico para ninguém”

Até aqui reservada ao silêncio, Sandra Fidalgo revelou há instantes o seu descontentamento pelo facto de Nuno Pereira resolver discutir na praça pública, aquilo que são os assuntos internos do partido.

A presidente do PSD de Oliveira do Hospital, que desafia Nuno Pereira para uma reunião no local próprio, escusou-se a dar resposta a qualquer tipo de acusação, limitando-se a considerar que o vice-presidente da Comissão Política “não está a contribuir positivamente para o partido, mas sim para atingir objetivos do ponto de vista pessoal”.

“Acho extremamente incorreta a postura de militantes que optam por não dignificar o partido”, continuou Fidalgo, observando que “o achincalhamento público não é benéfico para ninguém”.

“Até me parece surreal”, continuou, garantindo apenas que “há um trabalho interno que está a ser feito no partido e que não tem que ser ajuizado na praça pública”.

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