Vide é o núcleo da concentração de arte rupestre

A freguesia de Vide, no concelho de Seia, é hoje identificada como o núcleo de uma das maiores concentrações de arte rupestre nacional e da Península Ibérica.

Com as “ferraduras”, localizadas nas Pedras Lavradas, a serem o legado mais emblemático, a freguesia de Vide acabou por ser escolhida pela Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA) para acolher o Centro de Interpretação de Arte Rupestre.

A funcionar no interior da antiga escola primária da localidade, o espaço reúne um conjunto de informação sobre os vários achados móveis e a identificação das mais de 700 lajes brindadas pela arte rupestre.

Auxiliado por um filme explicativo do trabalho que vem sendo desenvolvido pela APIA, o Centro de Interpretação assume-se como um ponto de partida para o conhecimento de zonas tão emblemáticas como o sítio Entre Águas, Vinhas Mortas, Serra da Alvoaça, Pedras Lavradas e outros locais com destaque para as margens dos rios Alva e Ceira.

Estendido por três distritos, com especial incidência nos concelhos de Seia, Góis, Arganil, Pampilhosa da Serra, Covilhã e Oliveira do Hospital, o legado rupestre na região começou a ser estudado em Góis, há cerca de 11 anos. Indicações dadas por populares de que Vide seria o principal centro de arte rupestre, canalizaram as atenções dos investigadores para aquela freguesia do concelho de Seia, tendo-se revelado numa aposta ganha.

Actualmente dotado de três arqueólogos, um antropólogo e um popular que auxilia nos trabalhos, o Centro de Interpretação de Vide – inaugurado em 2008 por ocasião do 10º aniversário da APIA – viu o seu trabalho facilitado com a implementação dos parques eólicos. De acordo com Ricardo Ventura, muitas lajes rupestres foram encontradas no decorrer daqueles trabalhos e, outras já há muito tempo que eram conhecidas pelos habitantes locais.

A difícil interpretação das lajes tem-se apresentado como um problema à equipa de investigação que, por vezes, se vê obrigada a recorrer a fotografias nocturnas para poder beneficiar da luz rasante e, assim identificar as inscrições. Com mais de 700 lajes identificadas e outros elementos recolhidos e devidamente explicados e interpretados, a equipa da APIA acredita ter ainda muito trabalho pela frente. A região é de assumida riqueza rupestre e a certeza é de que, progressivamente, se possa transformar num importante pólo de atracção turística.

APIA defende a criação de um Parque Arqueológico

Tal como os antepassados criaram a designada Rota do Sal na zona das Pedras Lavradas – as lajes retratam veículos de tracção animal, corpos e pés humanos – também os contemporâneos se preparam para dar início a uma série de visitas “à descoberta da arte rupestre”. Isto mesmo já está a ser preparado pela APIA que, no dia 25 de Julho, promove uma visita ao Centro de Interpretação de Vide e a outros sítios com importante significado no domínio da arte rupestre.

Na conquista de uma cada vez maior importância no mundo dos achados rupestres, é intenção da APIA avançar para a criação de um parque arqueológico. Esta ideia foi transmitida pelo presidente da APIA, Nuno Ribeiro, num encontro realizado no mês passado em Seia. “Toda a região centro poderá ganhar com isso”, referiu na ocasião o responsável, notando contudo a necessidade de “vontade política” para a sua concretização. Para além da mera descoberta, identificação e divulgação dos achados, o trabalho da APIA incide fortemente no apoio a estudos arqueológicos já iniciados e a investigações futuras.

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