Vítimas dos incêndios vão enviar caderno reivindicativo a vários órgãos de poder e pedem demissão de ministro da Agricultura e da liderança da CCDR

O Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM), liderado pelo empresário Fernando Tavares Pereira, anunciou hoje, dia em que fez um balanço da sua actividade e promoveu várias iniciativas, o envio para a Presidência da República, a Assembleia da República, Comissão Europeia e outros órgãos de poder um caderno reivindicativo com diversos documentos que comprovam a ausência de apoio estatal e no qual dão conta dos diversos problemas que atingem os lesados pela catástrofe dos incêndios.

O documento aponta vários problemas, entre eles, as dificuldades com que se deparam os emigrantes e os deslocados. Entre as várias exigências pedem que o sistema de apoio dado após os incêndios de Pedrógão Grande, que mataram pelo menos 66 pessoas, seja replicado na região Centro, a mais atingida em Outubro de 2017.

O movimento vai igualmente avançar com um processo conjunto contra o Estado português, pedindo por isso a todos os lesados pelos fogos que peçam junto das autoridades o “estatuto de vítima”, ao mesmo tempo que exigem que o ministro da Agricultura e que a direcção da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) se demitam. Em causa está, de acordo com o movimento, o facto de o ministério e a comissão não estarem a conceder apoios da mesma forma que aconteceu nos fogos de Junho de 2017 em Pedrógão Grande e de não “conhecerem a realidade resultante dos incêndios de 15 de Outubro”.

Esta associação reivindica celeridade nos processos de pagamento às indústrias ou habitação, a reabertura de linhas de apoios para os lesados agrícolas ou novas oportunidades de candidatura e ainda ajudas para a floresta, entre outras temáticas. “A MAAVIM está a avançar com uma petição para a abertura dos apoios aos lesados dos incêndios, para que todos tenham acesso, sem burocracias, aos apoios aprovados em Assembleia da Republica, pela portaria 347/2017. Contamos já com mil assinaturas, mas queremos quatro mil assinaturas para levarmos o assunto à Assembleia da República”, referem.

O movimento descreve ainda aquilo que tem sido a sua actividade. “Efectuámos cerca de uma centena de candidaturas aos projectos simples de restituição produtiva, num valor aproximado de 400 mil euros, e elaborámos 12 candidaturas ao Programa de Desenvolvimento Regional 2020, sem qualquer custo, num valor de mais de três milhões de euros”, acrescentou. O movimento sublinhou que isto só foi possível com os donativos de mais de 100 grupos de voluntários: “Os vários grupos de voluntários organizados e privados, onde a MAAVIM está incluída, como a associação que mais distribuiu ajuda nas zonas afectadas”.

A MAAVIM explica que sinalizou mais de três mil famílias e que foram ajudadas com diversos bens nos concelhos de Tábua, Oliveira Do Hospital, Arganil, Góis, Seia, Gouveia, Nelas, Carregal do Sal, Tondela, Santa Comba Dão, Mangualde, Penacova, Vila Nova de Poiares e Lousã.

A MAAVIM já distribuiu mais de 60 toneladas de batatas, 45 toneladas de alimentos, mais de 6.000 produtos de higiene, mais de 20 mil peças de roupa, diversos brinquedos, 25 mil quilos de ração, 13 mil árvores (carvalhos, azinheiras, sobreiros, oliveiras, entre outras), 500 toneladas de material de construção (destacando-se 100 paletes de tijolo, 10 paletes de cimento e 15 toneladas de ferro), dezenas de alfaias e pequenas máquinas agrícolas, que se adquiriram com os donativos para os casos mais urgentes.

O movimento entregou ainda diverso mobiliário e centenas de electrodomésticos, assim como distribuiu mais de 200 toneladas de palha para alimentação animal, sementes para semear os campos, 500 cabazes de Natal e, hoje, mais de mil árvores de fruto, 500 oliveiras, mil quilos de maçã e mil compotas.

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