Viva o 6 de Dezembro de 1383! Viva a Revolução de 1383-85 em defesa da Independência nacional! Autor: João Dinis

Sim, foi a 6 de Dezembro de 1383 que um grupo de corajosos patriotas entrou no palácio da regente do Reino de Portugal e dos Algarves, Leonor de Teles – a “aleivosa” no dizer do Povo e de Fernão Lopes — e apunhalou até à morte o seu “primeiro-ministro” (e amante) Conde (de) Andeiro (II Conde de Ourém)! Este era um personagem – um político – proveniente da Galiza que se tornou odiado e temido porque, na corte portuguesa de então, exercia de facto o poder mas já ao serviço do Rei de Castela (D. João de Castela) cujo casamento com a Princesa (herdeira) Beatriz de Portugal fora negociado ainda no tempo do pai desta, o recém-defunto rei de Portugal, D. Fernando, que fora casado com Leonor de Teles, a mãe da Princesa Beatriz.

É neste dia 6 de Dezembro e neste ano de 1383 que, categoricamente, se inicia, pelo uso legítimo da força nacional e patriótica, a Revolução de 1383 – 85, o exaltante processo de defesa da soberania e da independência do Reino de Portugal e dos Algarves, e dos Portugueses patriotas, face ao reino e ao rei de Castela que, logo após, entraram (mais uma vez aliás) em guerra aberta contra Portugal.

Enfim, sendo verdade que o conceito de “pátria” e de “nação”, à época, ainda seria um esboço do conceito e da sua materialização prática que hoje temos – eu digo “que hoje temos” porque continua a haver patriotas – também é verdade que os revoltosos sabiam muito bem o que queriam e sabiam que estavam a arriscar tudo o que tinham, incluindo as suas vidas, para não ficarem submetidos a Castela. Portanto, há um inequívoco desejo de defenderem a independência do Reino de Portugal e dos Algarves até porque muitos outros nobres, militares e eclesiásticos “se bandeavam” para o lado do Rei de Castela e, por isso, se posicionavam contra Portugal soberano e independente.

Há interessantes versões para os acontecimentos históricos ocorridos nesse dia 6 de Dezembro. Certo é o Conde (de) Andeiro ter sido morto pelos revoltosos onde se incluía o Grão-Mestre de Avis, embora de início um pouco a contragosto pois “jogava” mais na via do compromisso com os partidários de Leonor de Teles (que acabava de lhe “roer a corda” e se recusara a casar com ele, Grão-Mestre de Avis…). É pois com o verter do sangue do Conde (de) Andeiro que o então Grão-Mestre de Avis e futuro rei D. João I acabou por ficar comprometido e foi de seguida aclamado pelo Povo de Lisboa, “mobilizado” para as ruas para “acudir ao Mestre (de Avis) que o matam!” – como refere o lúcido cronista Fernão Lopes.

Ou seja, é o Povo de Lisboa – que de imediato adere e potencia o “golpe palaciano” dos revoltosos iniciais – que faz com que o Mestre de Avis, um chefe político-militar profissional e filho bastardo de D. Pedro I, se decida a assumir todas as suas responsabilidades, aceite ser “regedor e defensor do Reino de Portugal” e, nessa qualidade político-militar, enfrente os traidores e Castela!

  1. Nuno Álvares Pereira – de família nobre e poderosa – ainda jovem mas também ele já um militar experimentado em novas e flexíveis tácticas de guerra, junta-se ao grupo do Mestre de Avis, e cedo acaba por ser erigido a “comandante” dos exércitos patrióticos que se vão formando e juntando. Um pouco mais tarde, é nomeado “Condestável” – de facto o “chefe militar das forças armadas” — pelo novo rei D. João I, logo após as “famosas” cortes de Coimbra do Dr. João das Regras.

Nuno Álvares Pereira tem um decisivo papel de comando nos combates que se sucedem após o 6 de Dezembro de 1383 e em especial na batalha de Aljubarrota (Agosto de 1385) em que o Mestre de Avis e já D. João I, nesse dia, começa por se resguardar estrategicamente na retaguarda do famoso “quadrado” das tropas Portuguesas e só por flagrante necessidade se expõe mais e entra “a doer” nos embates mais duros e perigosos entre os dois exércitos, na batalha entre “os dois valerosos campos” como diz Camões.

Os Burgueses de Lisboa – grande Álvaro Pais, um alfaiate! – de facto, assumem a liderança política da Revolução em conjunto com alguns (poucos) nobres e têm o apoio heróico do Povo que passa à linha da frente dos acontecimentos, verdadeiramente revolucionários, que se espalham por Lisboa e por Portugal inteiro.

A grande maioria da nobreza e do clero, muitos comandantes militares destacados para os castelos e praças-fortes do Reino de Portugal, traem e “bandeiam-se” para o lado de Castela, aprestando-se a servir, até militarmente, o Rei Castelhano contra Portugal e os Patriotas.

Este processo que já antecede 1383 e que vai até Aljubarrota, em Agosto de 1385, demonstra que a classe dominante – a nobreza e o clero – pouco se ralaram com a “Pátria” e com o Povo Português. De facto, como o Rei de Castela – à frente da potência Castela – lhes prometia a salvaguarda dos principais privilégios de classe, logo mandaram às urtigas outros valores mais nobres como o patriotismo e a solidariedade nacional. De imediato e sem vergonha alguma se “bandearam” para Castela…e ao serviço de Castela “invadiram” militarmente o seu País de origem, Portugal. Foram clamorosamente derrotados e continuaram a ser derrotados até ao reconhecimento formal, por Castela, em 1411, de Portugal soberano e independente!

Como dantes, hoje, a história tem “condimentos” parecidos…

Parecido à revolução de 1383 – 85, acabou por vir a ser o 25 de Abril de 1974 embora sem as “batalhas militares” e sem os milhares de mortos e feridos de então.

Também a 25 de Abril de 1974, é o Povo que decide a sorte a Revolução ao apoiar, em massa, os militares revoltosos, naquele dia e seguintes com destaque para o 1º de Maio de 1974.

Aliás, a história “condimenta” os acontecimentos de 1580 – que culminaram com a perda da independência de Portugal para Espanha dos Filipes – com “ingredientes” semelhantes…

Filipe II de Espanha e I de Portugal vem às cortes de Tomar e garante à nobreza e ao clero “portugueses” que não lhes vai retirar os privilégios de classe e que até vai manter “portugueses” a dirigir Portugal em seu nome… Perante estas e outras promessas, logo aí, essa nobreza e esse clero, traem a Pátria, os patriotas e a solidariedade nacional e também eles se bandeiam, submissos, para a então Espanha dos Filipes…

Os patriotas conspiradores palacianos, a 1 de Dezembro de 1640, vão ao Terreiro do Paço e aí matam o “português traidor” Miguel de Vasconcelos, este o “primeiro-ministro” da duquesa de Mântua que “reinava” em Portugal em nome do Filipe IV de Espanha e III de Portugal, e que é feita prisioneira. Pois também esses “Conjurados” do 1 de Dezembro de 1640, foram de imediato apoiados pelo Povo Português e pelos Patriotas que souberam enfrentar e ganhar muito duras batalhas contra Espanha durante os 28 anos seguidos da “Guerra da Restauração”.

Hoje a “guerra” é outra mas há “ingredientes” semelhantes…

Com a entrada da CEE – agora da UE – em Portugal, temos perdido elementos importantes da soberania e da independência nacionais. Neste processo, o capital nacional associa-se e submete-se ao capital multinacional. Aplica-se a teoria e a prática do “supra-nacionalismo”, o que os seus propagandistas e agentes papagueiam como sendo “inevitabilidades”…

Hoje, como dantes, as classes dominantes bandeiam-se para o lado do “diktat” das três ou quatro maiores potências europeias que “mandam” na agora UE, na busca da manutenção ou mesmo do reforço dos seus privilégios de classe. No processo, mandam às urtigas valores nobres como patriotismo, como honra, como solidariedade nacional (que não é nacionalismo…).

No processo, estamos talvez já pior do que em 1580 em que Filipe II de Espanha e I de Portugal até permitiu que mantivéssemos a moeda Portuguesa, o “Real”… Hoje, agrilhoaram-nos a um tal “euro”, a moeda da nossa desgraça e da nossa vergonha enquanto patriotas Portugueses!

Sim, ultimamente, como dantes, tem havido grandes traidores à Pátria, e já lá vão 31 anos de submissão!

Mas, com o nosso Povo, havemos de os derrotar !

Viva Portugal soberano e independente!

 

Autor: João Dinis, Janojanoentrev1

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  • joão dinis, jano

    Ainda Revolução em defesa da Independência Nacional.

    Sim, estava-se em finais de 1383 e início de 1384 em plena idade média, com as condicionantes culturais e ideológicas dessa época cerrada, em que acima dos homens e das coisas reinavam, e impunham a lei e o terror, reis, bispos, cardeais e o Papa (ou os dois Papas após o “cisma”…).

    Pois apesar e para lá desse “caldeirão negro”, o Povo de Lisboa, amotinado, invade a Sé de Lisboa, agarra o seu Bispo – este era galego e partidário de Leonor de Teles e de Castela – e ensina o Bispo “a voar” atirando-o da torre da Sé abaixo e esquartejando o corpo pelas ruas… Portanto, que prodigiosa circunstância empurrou o Povo de Lisboa para mais este acto de pura revolta contra as personificações locais do Rei de Castela !

    Já agora, também em relação à 1ª Invasão Napoleónica de Portugal – a do general Junot – houve comportamentos semelhantes. No caso, o Rei D. João VI e toda a sua corte (de autênticos poltrões !) foram metidos à pressa (Novembro de 1807), a mando dos “aliados” Ingleses, em naus que os levaram em fuga para o Brasil onde, depois, se entretiveram a catar piolhos, a emborracharem-se e a fornicar…

    Portugal e o Povo ficaram entregues a si próprios, “entalados” entre os sucessivos exércitos em confronto (com milhares de mercenários). Nesta situação, passam a ser tragicamente “castigados” pelos “aliados” ingleses – os “amigos de Peniche” – em que os “marechais” e comandantes britânicos, Beresford e a seguir Wellington, são ditadores militares praticantes, sem clemência, da táctica da “terra queimada” que acaba por causar a morte de mais Portugueses que os combates directos. E Portugal e o Povo “castigados” são pelas hordas dos exércitos napoleónicos às ordens dos generais franceses, os invasores “oficiais”.

    A “factura” imposta pelas tropas napoleónicas e a “factura” imposta pelos “aliados” ingleses são pois pagas, a alto preço, pelo Povo e pelos Patriotas ! Aliás, também na decisiva batalha do Buçaco (Setembro de 1810) – na 3ª Invasão, a do general Massena – são soldados Portugueses, recrutados de entre o Povo, os primeiros a entrar em combate, logo pelas sete horas da manhã, e a mostrar a diferença de convicções que sempre há entre quem defende a sua casa e a sua Pátria e quem é “arregimentado” para vir combater nas guerras. E durante quase quatro anos, nas constantes escaramuças, estilo guerrilha, são “guerrilheiros” maioritariamente populares que flagelam os exércitos franceses quando estes avançam e quando retiram. E quando os franceses retaliam, também são os populares a sofrer as represálias mais violentas! São estas verdades históricas que certos historiadores, e dos mais “credenciados”, não são capazes de reconhecer…

    Ou seja, historicamente, é no seio do Povo que estão a essência e as “forças de reserva” capazes de levantar a defesa da Pátria, do território e das características nacionais ! Contra os “canhões” e contra os traidores de todas as cores !…

    João Dinis, Jano

    • António Lopes

      Sim, até porque se o Povo não morresse da guerra, morria às mãos dos senhores, por não terem morrido, ou feito com que eles, os senhores, fossem heróis.O Povo “licha-se” sempre…Nas muitas revoluções, como tu dizes,safaram-se os “nobrezitos” que iam combatendo os “nobrezões”.Depois iam nascendo outros “nobrezitos” e assim sucessivamente, até ao 25 de Abril.Ainda nesse dia não foi o Povo genuino. Como por aí se vai vendo, umas entremeadas e umas festitas o Povo já se contenta..! Sempre foi e é, muito generoso..! Acredito que, talvez na próxima.Em 1820.para se ir à mais forte e recente,mesmo na implantação da Republica,o povo continuou a viver miseravelmente e praticamente sem direitos, inclusivé o de votar.O estar no papel não basta…

  • António Lopes

    As histórias da história: De há uns tempos a esta parte que ando meio desconfiado deste meu ilustre camarada. Bem sei que, o Aleixo nos ensinou:

    “Entre sábios e letrados
    fala só, de vez em quando
    porque, às vezes, calados,
    dizemos mais que falando”

    Mas, para “provocar”, mesmos sabendo isto. não consigo ficar calado.Logo, às vezes, sai asneira. Mas…

    Porque só fui aluno, uns anitos antes,na mesma escola onde este meu ilustre camarada foi professor, e porque naquela escola aprendi, MUITO, com o professor Alexandrino, (não confundir com o Alexandrino que só deu para esquecer),sendo escola básica, deu para a “reprimenda” que se segue:

    Então, o Camarada e professor João Diniz, ilustre líder político e professor de créditos firmados, esquece na robusta e explanada prosa, o Mestre Alfaiate Fernão Vasques? O Álvaro Pais era nobre de não muito elevada “jerarquia” mas nunca alfaiate.Como de costume, ficou com os louros mas, estes, foram especialmente do Alfaiate Fernão Vasques. Foi esse que gritou: “Acudam o Mestre que o matoon”..! Sendo que, o Mestre, estava preso- mas pelos encantos de Leonor Teles.Consta que era “boa” “todos os dias”…Certa vez ,D.João I, foi a Alenquer com a missão de a prender mas,chegado lá, queria era ir para o quarto ao que, ela resistiu, mesmo na “mó de baixo”..!E foi por ser “boa” que D. Fernando a obrigou a casar-se com ele, sendo que já era casada com o conde de Ourém.E de tão boa que era, o tal de Conde Fernandes Andeiro, reparou nisso. Quando D. Fernando estava para expirar o último suspiro, o médico disse à senhora: ” Se o quer ver vivo, é agora.” Ela há muito que não visitava o rei no seu leito de enfermo. Motivo: estava grávida.Quando finalmente chegou, tipo para se despedir do Rei, este, ao vê-la com um “barrigão” de seis meses, “apagou-se” mesmo.Sabendo que, eventualmente, foi o primeiro Rei a morrer consciente de que era “galhado”. Houve mais. D.João VI. assumidamente. Até porque, também assumidamente, era homo.
    Ainda debruçando-me sobre a prosa, outra nota digna de realce. D.Miguel Luís de Noronha, nessa coisa de patriotismo,aconselhou o pai,o Marquês de Vila Real, a não conspirar contra o Rei D.João IV. Mas, este, respondeu: “Filho, só se jura lealdade a um Rei. E eu, já jurei ao Nosso Rei e Senhor Filipe IV, de Espanha.Sou um homem de honra”..! Sim estas coisas, às vezes, custam a entender…! Moral da história. D.Miguel Luís de Noronha Menezes, 2º Duque de Caminha, foi degolado , no dia 29 de Agosto, de 1641, no Rossio, em Lisboa,

    Crime:

    POR NÃO TER DENUNCIADO O PAI..! Segundo a espanhola e nossa Rainha, Luísa de Gusmão:”A LEALDADE AO REI É SUPERIOR À LEALDADE AO PAI”..! Dizia ela…
    Já contei esta passagem histórica, quando presidente da AM, respondendo ao PS, que a lealdade ao Concelho era superior à lealdade ao PS.Valha-nos que “fui posto na rua” mas,ainda tenho a cabeça colada ao pescoço..! Sinais dos tempos.Se fora naquela altura… lá tinha ido…

    Para dizer ao meu ilustre Camarada: Neste País de brandos costumes, mudam-se os tempo mas não se mudam as vontades.O Povo, de onde todo o poder emana, não sabe o poder que tem e, anda sempre ao sabor do “poder” de meia dúzia que, sendo nenhum, acaba por ser todo..! Aqui por casa, quando olho para os detentores do mesmo, não posso deixar de meditar: Mas como é isto possível..? Em 1383 acabou por ser entregue no teu dizer, a um”nobrezito”.Sim D.João era bastardo de D.Pedro I com Teresa Lourenço que já era, para aí, a quarta mãe de filhos do dito.E como ela não era de sangue real, segundo o direito dinástico, os filhos “jamé”..! Como tal, tinha muito pouco a ver com o Povo que, como de costume, só serviu, temporariamente,para muleta.Afinal, foi este bastardo,D.João I, que fez a “Lei Mental” a mãe de todos os morgadios, latifundios e fascistas, que durou até à Revolução Liberal de 1820 e seguintes..

    Tirando as conclusões: Não estamos muito diferentes de 1383. Não esquecer Fernão Vasques, a voz do Povo, na Revolução de 1383.

    • Fernandino Lopes

      A ver…
      1. Não é verdade que o sr. professor Alexandrino, por aí citado,professor primário, em Vila Franca da Beira, durante demasiados anos, alguma vez tenha aberto, em permissa, sequer, ou método, ou pedagógico sentido – didáctico? – estudo da História de Portugal…algum caminho…
      SE o sr António Lopes retém, desta minha completa ausência, – e que foi a minha – memória conveniente, que o afirme – e repare que, ao tempo, sr António, falar de revolução, era proibido…ahahahaaahah
      (O priviligiado parece ter sido o sr…ahahahahah)
      Eu sei que o sr professor Alexandrino – também fui dele discípulo, e ele ,sempre, de régua em punho! – tinha os seus privilégios…e os seus priviligiados…
      Mas parece que, entre trutas, caminhos de ferro, produções e vantagens das províncias ultramarinas, e ditados,e redacções, todos nós aprendemos alguma coisa…;e eu, lá, naquela escola, “aprendi a andar de comboio por todo o país, e nas províncias ultramarinas, sem nunca ter visto , a esse tempo, sequer ,um comboio”- e tive, ainda , em vida do sr professor citado, o privilégio de muito conversar com ele, já eu, adulto…muitas vezes…
      …Eu e não os outros , os mais de 30, ou 40, até 50 ,que andávamos, que andámos, que andaram, todos os dias, ao ritmo de “Uma dúzia de reguadas em cada mão” – dirá o sr António, com saudosa memória, “Que grande escola! Aprendíamos mais, em 4 anos, do que aprendem, agora, em 12 anos, todos os alunos!”
      – Até nisso está enganado -ou se enganou, ou o enganaram, sr António;
      a ressonância de nomes, a falta de perspicácia ,a ousadia- ou desplante,ou, até, essa dos versos “Alexandrinos” – as rimas, o dinheiro, o pestanejar, parece que tudo isso, “ao primeiro olhar” , o confundiu e permitiu que todo o romance seguisse pelos trâmites que o senhor nunca, há pelo menos dez (10) anos ,nunca entendeu, nem, jamais, entenderá !- ou , se entendeu, jamais o dirá!
      O sr precisou de ajuda…e não lha deram. O Sr “entregou o ouro ao bandido”. Foi enganado e, como o seu orgulho é maior do que aquele que este mundo tem, fez o que fez….e não se safou…
      Confessa o sr, entendemos nós, sabemos nós.
      Sabemos que o encosto ao PS, em Oliveira do Hospital, há 10 anos, ou mais, não o safou das diatribes – não da História de Portugal, mas sim das suas diatribes com o Estado…e das quais não se safou…
      Ainda bem que agora, até com o Jano, o sr quer reestabelecer a História de Portugal.
      Antes, ao fazer estória, o sr inventou uma diatribe com o João Abreu – arrasca, creio eu.
      Agora?
      Com o Jano?
      Tenha juízo, e o Jano também.
      No “pano” da História de Portugal, todos os contributos são válidos.
      Pano, sr António, porque queremos continuar a estar, pelo menos, ainda, vestidos…
      Quanto ao (ainda) permanente sentido de independência do nosso rincão, ao da nossa raiz, tronco, ramos, folhas, flores e frutos, sabe melhor o sr quanto os banqueiros, financeiros e empresários lhe fizeram…
      Imagine, vá lá: se neste momento da nossa História, batalha de Aljubarrota houvesse, de que lado estaria o sr?
      (E, convenhamos, para quem se arroga ao direito de “ditados históricos”, que consulte as fontes,,,)
      Vá lá…Vamos (re?)ler , em Português Arcaico – que trabalhão! – as Crónicas de Fernão Lopes.
      Mas para ler a sério. Honestamente. Em particular, àqueles que agora, para tempero dos tempos, se acham políticos.
      Mas ler…é, sempre, entender.
      E divirtam-se.
      Mas deixem-se de merdas! – perdão.

      • António Lopes

        Senhor “Ferdinando Lopes”:Confesso que tenho alguma dificuldade em o decifrar.Dificuldade minha, por certo.Do saudoso professor Alexandrino só posso dizer que aprendi muito.E eu não disse que foi história.Também..!E foi o que disse e repito.Sim é verdade que ele interpretava bem “a filosofia educacioal da época”.É verdade que, hoje, andando por este País, encontro-me em serras, rios e caminhos de ferro, que também conheci naquela escola, bastante mais cedo de os conhecer in loco.Ainda hoje disparo todas as serras de portugal de rajada.Linhas de caminho de ferro, hoje quase todas extintas.Rios e afluentes também. Quanto ao mais, do que percebi, e repito não percebi muito,penso que pertence ao grupo dos que sabem mais de mim que eu próprio.O que também já não é original.Respondendo, objectivamente, à questão de que lado estaria em Aljubarrota, eu, como tantos naquela altura, estaria do lado que me parecesse o mais correto, o mesmo que faço hoje.Sendo, como várias vezes já escrevi e repito, tenho muita dificuldade em entender porque diabo só 7 ou 8% pensam e votam como eu, quando eu acho que noventa por cento têm tudo a ver comigo e eu com eles.Com tão baixa expressão de votos, serei levado a pensar que , sou eu que estou errado. Mas, não penso.A esta luz, só com a análise dos dados do momento, tal como hoje, decidiria em consciência.Segundo o direito dinástico, todos os pretendentes espanhóis que reclamaram o trono de Portugal, eram os que tinham o melhor direito.Uma vez conseguiram, outra vez não.Houve uma terceira vez em que ofereceram, “de mão beijada”, o trono de Espanha e, os Reis da época. D.Pedro IV, seu genro D.Fernando de Saxe Coburgo Gota, seus netos D.Pedro V e D.Luís todos recusaram.Por um motivo simples.Tinham que residir em Madrid… Quanto ao João Abreu, ao PS, à generalidade dos PSDs do Concelho, o que me divide deles, em termos reais ,ou arrumação de classe, é nada.O problema é que, eu, defendo uma linha, ideologicamente falando, que é a mesma de sempre e é a da classe onde nasci.Ideologicamente.Porque, na prática, há eleições, governam as maiorias e, todos temos que seguir as leis que se vão produzindo.Ninguém faz leis contra os seus interesses.Logo somos governados não segundo o que pensamos e desejamos mas, segundo o que pensa quem nos governa.Um empresário de esquerda está no mercado como os de direita.Em bom rigor nem devia ser empresário.Logo, ou é competitivo e segue as tais regras que lhe impõem, ou vai à vida.Para lhe dizer que as contradições não são tanto como parecem.São, antes, o fruto da dinâmica dos tempos.No governo há funcionários de todos os partidos.Mas têm que seguir as orientações de quem governa, ou têm a vida difícil..Não me lembro de alguma vez pedir ajuda a ninguém, politicamente falando, porque nunca tive grandes ambições, nesta área.e continuo a não ter.Do muito que me foi oferecido recusei tudo.Desde os 29 anos, em que pela primeira vez fui candidato a deputado, todos os caminhos se abriram.Ontem como hoje, sempre recusei um lugar que me ocupasse a tempo inteiro.E hoje, até se compreende.Ganho num dia o que não ganharia como deputado ou presidente de Câmara , num mês, apesar de tudo o que se diz.Mas, naquele tempo, eu era mineiro e ganhava 19 contos. Era uma promoção social grande.Financeira não, que o meu partido tem regras.Recebe-se, e bem, o que se recebia antes. Como lhe disse, não quis.Disse o outro Alexandrino que eu me incompatibilizei porque ele não me apoiava para presidente de Câmara..! Ora , declinei o convite e recomendei-o .Então ia pedir-lhe o emprego dele?Será que alguém acreditou nessa patranha? Mas, ser presidente de Câmara traz-me o quê?Toda a minha intervenção política foi, e é, norteada por um ideal e um objectivo.Uma sociedade sem classes.Quero dizer-lhe que, em Portugal, estamos quase lá.Pela negativa…O Capital internacional tem dado machadadas, profundas, no nosso arremedo de capitalismo.Dizia o MIra Amaral , aqui há uns anos, que o Estado estava a promover o comunismo pela via fiscal.Com a nova lei, em que se paga o sol e as vistas, vão conseguir.A mim, já o estão a conseguir mesmo com a lei actual.O Salgado, o Granadeiro, O Rendeiro. O Jardim Gonçalves,o Bava para só falar nos mais badalados, sabe como estão.As empresas de grande dimensão já foi tudo.As médias e pequenas foi uma rasia. Banca, Santander -Espanha. Pois, isso de independência se alguma vez houve, onde é que está? O professor Alexandrino não me ensinou isto.Ensinou-me o programa da época com os métodos da época. Reguadas deu-me seis em três anos, e não foi por causa da escola.Rebuçados, deu-me sacos,Sabe, já naquele tempo eu sabia o que queria..!Se quiser testar ainda lhe leio páginas inteiras, de livros que já não vejo há quarenta anos.Como essa coisa da” Peneda, Suajo Gerês, Larouco Barroso Cabreira Falperra,Marão Padrela, Nogueira Bornes Mogadouro… e por aí adiante…Na história, hoje como ontem, há sempre várias.A dos que trabalham e a dos que vivem de quem trabalha…

  • João Dinis, Jaano

    João Dinis, Jano

    Sim senhor…

    Álvaro Pais era um “pequeno-burguês” (digamos assim) – não foi da nobreza — pois era o equivalente a funcionário público para aquela época. Entretanto, foi ele o “cérebro” da Revolução de 1383-85 como organizador clandestino da resistência (em Lisboa) a Leonor de Teles, como agitador no dia 6 de Dezembro a “mobilizar” o Povo de Lisboa, como “líder” político da “Casa dos 24”, o “conselho” fiel a D. João I, que governa Lisboa em plena “crise” e enquanto o próprio D. João I tenta o compromisso com Leonor de Teles incluindo o seu casamento com ela que, ao que nos é transmitido, era uma mulher esplendorosa…
    Mas, claro, Álvaro Pais não esteve sózinho. Sim, também o alfaiate Fernão VAsques e o tanoeiro Afonso Anes e muitos outros tiveram importante papel revolucionário nos vertiginosos acontecimentos que constituem a primeira revolução burguesa da mundo.

    Mas foi o Povo de Lisboa e o Povo de Portugal – a “arraia miúda” como lhe chama Fernão Lopes – que entrou em revolução, que tomou a iniciativa, inclusivé a iniciativa “militarizada” e que manteve a revolução em marcha nos momentos mais difíceis. Aliás, assim foi até a revolução ser finalmente “traída” pela grande nobreza emergente da luta pela independência, aqui incluindo Nuno Álvares Pereira, o militar comandante emérito dos exércitos portugueses na luta contra Castela…e de seguida o maior latifundiário do País (está na base da futura Casa de Bragança…) até se “passar dos carretos” com a velhice…

    São estes aspectos fundamentais que quase todos os historiadores “encartados” mais têm dificuldade em ver e são estes aspectos que são escondidos no processo revolucionário ímpar que transcorreu sobretudo entre 1383 – 1385 (mas não só).

    A acção do Povo Português “em armas” – “arraial – arraial – por El-Rei de Portugal” – é a base da vitória da independência nacional. Claro que o Povo foi bem “ajudado” no conflito pela burguesia – que dirige a política (Lisboa – Porto e noutras cidades) durante pelo menos três anos – e por alguma nobreza. E bem ajudado foi pelo génio militar de Nuno Álvares Pereira e seus principais capitães militares. D. João I é também ele um militar experiente, participa pessoalmente em vários combates mas, por táctica ou por estratégia, cuida também da sua integridade física…

    Viva a Independência Nacional !

  • António Lopes

    Sim sim. Álvaro Pais era o Vedor da Fazenda.Assim tipo o ministro das finanças actual.Penso não andar longe da verdade se afirmar que era um cargo de “juro e herdade” e que lhe adveio do avoengo Gualdim Pais, este sim, de muito rija tempera, encarregue de guardar um terço do tesouro real, por D.Afonso Henriques.
    Valeu a provocação.Já foste buscar um tanoeiro.Mas João Diniz o povo é sempre para o corpo às balas.No Brasil, o Duque de Caxias, colocava os negros na frente, para apanharem a primeira descarga.Por cá o Povo é que leva o embate.Depois esquecem-se dele.Estes dois grandes heróis, visto pelo lado bom da história, limparam a nobreza quase toda, que para não variar e como quase sempre, pouco se incomodava por o governo ser de Espanhois. Só que, entre os dois, ficaram donos de Portugal quase todo.E para aconchegar mais a coisa, casaram os filhos e assim como dizes, se fundou a grande Casa de Bragança que, ainda hoje resiste.Curiosidade histórica, o D.João já se falou da origem.O N.Alvares era filho do prior da Ordem do Hospital, Álvaro Pereira que tendo feito voto de castidade teve 33 filhos.Alguns combateram o irmão em Aljubarrota.E como se não bastasse era neto de D.Diogo Pereira, arcebispo de Braga, ainda hoje a maior autoridade eclesiástica da Península. É por causa destas e outras parecidas, que são muitas, que isto anda sempre do avesso…

  • João Dinis

    João Dinis, Jano

    E já agora que andamos em “revisitação” destas coisas formidáveis…

    Já agora, o nosso velho “patriarca” Viriato – afinal o mais famoso de todos os Lusitanos “de gema”, daqueles que usavam as “Vírias” ( pulseiras) na parte superior dos braços e que indicavam a hierarquia dos respectivos utilizadores e assim, de facto, foram vários os nossos “Viriatos” – também ele andou anos a bater nas Legiões – nos guerreiros profissionais – de Roma. Começou por lhes bater em luta de guerrilha e, a seguir, deu-lhes enormes “arraiais de porrada” em batalhas mais “convencionais”…

    O “rei-pastor” Viriato, chefe da “confederação” de tribos Lusitanas e Celtiberas, foi mais do que um “simples” pastor apesar de também ter passado todas as privações no seu início de rebelde, perseguido que andou, “como um animal feroz”, por dois generais romanos quatro anos seguidos…

    Os Romanos queriam da “Ibéria” os escravos e queriam pilhar as riquezas da época:- ferro, ouro, prata e cereais…. As tribos autóctones defenderam-se e defenderam os seus territórios e aquilo que, estando lá, deles era e, eles, disso queriam legitimamente usufruir.

    Os invasores Romanos não conseguiram derrotar Viriato em batalha, embora nessa tentativa tenham concentrado, durante vários anos, milhares de “Legionários” – militares profissionais que chegavam a andar aos 20 anos seguidos “na tropa” – e alguns dos seus mais experimentados e cruéis generais.

    Os exércitos Romanos foram sistematicamente derrotados pelos povos da “Ibéria” (da época) “em armas” (e às vezes até “à pedrada”…)!

    Só a traição vitimou Viriato, às mãos de três dos seus, até aí, mais próximos “aliados” mas que foram comprados pelos Romanos… Sempre há os traidores…

    Mas se Viriato foi um incontestável e incontestado Chefe dos Lusitanos e dos Celtiberos, se foi um politico notável e se foi um extraordinário comandante de “tropas” (mais ou menos “fandangas”…), Viriato “só” foi tudo isso porque soube interpretar e fazer convergir as vontades e as forças de milhares de “guerreiros” locais – dos territórios da Ibéria – que enfrentaram o Império (Roma) com a maior determinação e lhe infligiram estrondosas derrotas políticas e militares !!

    Viva Viriato ! Viva a sua herança neste nosso Portugal de hoje !

    Vamos enfrentar e derrotar o novo “império” !

    João Dinis, Jano

    • António Lopes

      Pois… o problema é sempre o mesmo…”Os vende Pátrias”. como muito bem dizes, os traidores..! Hoje basta um empreguito de 500..!

  • joão dinis, jano

    João Dinis, Jano

    Então e nada é dito por aqui, nesta “onda”, sobre El-Rei D. Afonso Henriques? Sim, que dizer sobre “El-Bortukali” ( O Português) – como, com muito respeito e temor, lhe chamavam os seus “clientes” Mouros, durante a “reconquista” das terras desde Coimbra até ao Algarve?…

    Tamanha vida e tamanhas façanhas não cabem em espaço normal.. Exigem um enorme cuidado, muito estudo, e uma esforçada e lúcida capacidade de análise e de síntese.

    D. Afonso Henriques, com os seus partidários, os seus aliados e os seus inimigos; com as suas alianças político-militares e as contra-alianças, e mais alianças e mais contra-alianças, tudo entremeado com pequenas, médias e grandes batalhas militares em que, quase de um mês para o outro, variava o inimigo concreto e circunstancial, esse fantástico período constitui, provavelmente, a fase mais espectacular de toda a nossa História. Portugal foi tornado independente e foi consolidando o seu território e criando, nele e nos povos, uma identidade nacional consubstanciada na figura do Rei e no Reino.

    Há quem diga que visto à luz dos dias de hoje, D. Afonso Henriques capitaneou, durante quase cinquenta anos, hordas de salteadores e assassinos. Em primeiro lugar, não se pode produzir sentenças desse tipo, agora, novecentos anos depois. Mas mesmo analisando apenas os factos de que há memória mais fidedigna, na verdade, e pese embora D. Afonso Henriques e seus fieis companheiros terem passado mais tempo de cota vestida e espada à cinta do que sem elas, ainda assim, em várias circunstâncias demonstraram clemência para com seus inimigos em armas como é exemplo a tomada de Lisboa aos mouros. Esta, foi uma Batalha em que os “mercenários” mais conhecidos da época – os Cruzados (vindos do Norte) – quiseram pôr a Cidade de Lisboa a ferro e fogo para a saquearem e matarem os seus habitantes mouros… D. Afonso Henriques – que recorrera ao “auxílio” desses Cruzados para o cerco a Lisboa – acabou por ter de impedir essa acção brutal, (embora também não “morresse de amores” pelos residentes e defensores mouros mas que impediu a destruição e a chacina lá isso impediu).

    Em síntese:- D. Afonso Henriques e seus Companheiros eram “brutos”, sem dúvida. D. Afonso Henriques não sabia ler e nem sequer assinava o nome. Sabia pelejar, inequivocamente, Mas o que eles souberam – magistralmente – foi fazer política a todo o momento e em qualquer circunstância. Adoptaram “tácticas” mais do que flexíveis sempre a pensar no seu (deles) objectivo final:- conquistar e consolidar a independência de Portugal, alargar e consolidar o território “nacional” , não pagar impostos nem a Castela nem aos mouros nem sequer ao Papa !!! Além de grandes combatentes em armas, foram mais finos (espertos) que todos os outros juntos !

    Hoje, temos cá uma corja de cretinos e traidores a quererem fazer-nos de estúpidos. Querem convencer-nos, por exemplo, que Portugal tem uma dívida para pagar e que, para se pagar tal dívida, temos que fazer sacrifícios eternamente… Temos até que “vender” a soberania e a independência nacionais… São traidores esses “artistas”…

    Temos que lhes fazer ver que nós, os Portugueses, não temos que pagar nada a castelhanos, a alemães e a outros “mouros”. Nem sequer ao Papa !

    Viva D. Afonso Henriques !

    Viva Portugal livre e independente !

    João Dinis, Jano

    • António Lopes

      Não..! Ao Papa pagava e não era coisa pouca…Só assim viu confirmada a independência de Portugal e ser reconhecido Rei, para ele e seus herdeiros,a 23 de Maio de 1179, através da Bula Manifestis Probatun.Quanto aos “salteadores e assassinos”, não sei se o eram.Segundo Marcelo Caetano, “tudo o que sirva os interesses do Estado, é legítimo”.Que tinha no Giraldo Geraldes,”o Sem Pavor” um homem de mão para ir conquistando e torpedeando o acordo que tinha feito com o genro, lá isso tinha e fomentava…

  • joão dinis, jano

    João Dinis, Jano

    Enfim, continuando…

    Da “Conferência de Zamora” em 1143 saiu o “Tratado de Zamora” ( revê condições do anterior Tratado de Tui) em que Afonso Henriques e Portugal são reconhecidos “independentes” mas apenas em relação ao Reino de Leão e não em relação a Afonso VII (primo de Afonso Henriques) e “imperador” da potência dominante, Castela..Ou seja, pode-se dizer que nem a meio do caminho – a completa independência de Portugal – se chegou (formalmente pelo menos) em Zamora, em 1143..

    Mas é provavelmente neste período, e em Zamora, que Afonso Henriques e seus notáveis conselheiros políticos ( de entre os quais vários Bispos da época) aplicam um “golpe” político e diplomático a Afonso VII ao “arregimentarem” para a sua causa – a causa da independência de Portugal em relação a Leão e a CASTELA – o cardeal Guido de Vico representante directo do Papa de Roma a essa conferência de Zamora.

    Guido de Vico regressa daí a Roma e intercede no processo a favor das pretensões independentistas de Afonso Henriques. Ao que se sabe, Afonso VII de Cstela não foi devidamente informado deste “golpe” pois só muito mais tarde “protesta” ao Papa que “reinava” em Roma…
    É por essa altura ( 1144) que Afonso Henriques e a Santa Sé acordam na “famosa” tença anual das 4 onças em ouro a pagar por Afonso Henriques ao Papa de Roma que reconhece Afonso Henriques como “rex” e seu “vassalo” directo. Dessa forma, a Santa Sé, tira, de facto, Afonso Henriques da vassalagem que deveria prestar-pagar a Afonso VII “imperador” de Castela.

    Mas o Papa vigente morreu muito depressa e o processo retrocedeu e andou “embrulhado” anos a fio. com Afonso Henriques a voltar a não ser reconhecido por Roma como “rex” (rei),.título que ele próprio usava para se auto-designar.

    Zamora é´em 1143. A Bula “Manifestis Probatum” do Papa de Roma, Alexandre III – que finalmente reconhece Portugal independente também em relação a Castela – essa Bula,é de 1179. Há, portanto, um largo espaço de 36 anos ( e de muita batalha de todos os tipos) em que Afonso Henriques e Portugal andaram a conquistar terras a mouros (mas também a “cristãos”) e a conquistar a independência. Ora, nesse período, Afonso Henriques não pagou a tença aos Papas por várias vezes e até “foi multado” mais tarde pois agravaram-lhe a tença para um valor quatro vezes superior ao inicial !

    Aliás, a Bula, “Manifestis Probatum” (de 1179) foi “revista” algumas vezes e a última versão data de 1212 (27 anos após a morte de Afonso Henriques).quando seu filho D. Sancho I acertou condições – e as “contas” das tenças – com a Santa Sé.

    A História da 1ª Dinastia – “Afonsina” – de Alexandre Herculano (outro “velho” patriota e também “internacionalista”) é material imprescindível de estudo e pesquisa.

    Sim, Afonso Henriques e seus aliados foram guerreiros notáveis. Mas foram ainda melhores como “políticos”….

  • João Dinis, Jano

    Joao Dinis Jano

    Corrigindo agora…

    Pois, parece que o rei que veio “acertar as contas” com a Santa Sé das onças das Bulas, já foi Afonso II (neto de Afonso Henriques) pois Sancho I morre em 1211.

    Até Afonso III – o “Algarvio” – Portugal andou muito envolvido em batalhas mais ou menos fraticidas, digamos que “guerras civis”, entremeadas com inúmeras surtidas contra os mouros ou em defesa dos ataques destes.. Tratou-se de, com a Espada e com a Bíblia, ganhar e perder territórios, castelos, palácios, poderes, honrarias, bens alimentares, servos da gleba, impostos, dinheiros…Tratou-se de desconcentrar (reduzir) ou concentrar (aumentar) o poder ´e a fortuna – régios – e assim se continuou aliás até D. Fernando, portanto durante praticamente toda a 1ª Dinastia..

    De alguma forma, D. Afonso Henriques e seus Compaheiros também “fundaram” um sistema “português” em que os fins justificavam todos os meios a utilizar e fizeram-no séculos antes de Maquiavel vir a teorizar sobre este tipo de sistema… Mas isso também é o tipo de sentença sobre “ética política” (ou sobre a falta dela) que não cabe produzirmos, hoje, vários séculos depois dos acontecimentos.

    Mas, hoje, para nossos contemporâneos, temos que assumir que, em política como na vida, “não vale tudo” ou seja, os fins NÃO justificam todos os meios a utilizar…

    João Dinis, Jano

  • João Dinis, Jano

    João Dinis, Jano

    Grande, enorme, Afonso de Albuquerque !

    Apetece-me continuar mesmo sem saber se alguém mais ainda vai ler o escrito…

    Quero afirmar que na minha opinião “civil”, o mais completo soldado e marinheiro – comandante e subordinado – que tivemos em toda a nossa História, esse, foi Afonso de Albuquerque, o célebre, temido, respeitado e também odiado, “2º Vice-Rei da Índia” – “1º Duque de Goa” – pelos adversários e inimigos cognominado de “Leão dos Mares” de entre outras designações.

    Morreu com 62 anos (em Goa) depois de toda uma vida em combates de todos os tipos. Combateu sob obediência a três Reis de Portugal – D. Afonso V – D. João II – D. Manuel I . Combateu dentro de Portugal continental, combateu em Espanha, combateu em África e na Ásia. A pé e a cavalo. A bordo de Caravelas, em batéis, em jangadas. Algumas vezes até em rios e não só no mar. Teve naufrágios, foi mal ferido em combate. Enfim, só não travou – e venceu – combates nos céus porque, à sua época, ainda não havia aviões ou dirigíveis…

    Acabou por se traído – há sempre os traidores – por rivais “portugueses” que, na Corte de D. Manuel I e também na Índia, o invejavam. Conspiraram, engendraram calúnias contra ele, à boca pequena, que não tinham coragem para o enfrentar de caras…

    D. Manuel I e os seus mais próximos, a quem Afonso de Albuquerque enriquecia com o seu controlo de zonas nevrálgicas na Índia e em África, marginalizaram-no e puseram-no na prateleira…

    Mas Afonso de Albuquerque nunca renegou o “seu” Rei e poderia ter feito o que quisesse. Por exemplo, poderia ter enveredado por ser corsário “privado” – e que tremendo corsário não daria ele ! – e, certamente, disso obteria muitas mais riquezas do que aquelas que juntou e que, no final, foram bem poucas.

    Grande Afonso de Albuquerque ! Grandes soldados, grandes marinheiros, também grandes diplomatas, serviram sob as suas ordens !

    João Dinis, Jano

    • António Lopes

      “Mal com El-Rei por amor aos homens, mal com os homens por amor a El.Rei. O melhor é acabar.” E assim se finou…

      Afonso de Albuquerque, o “Terribil”, (no dizer de Camões).