Viv´ó Bréxit ! Viv´á Soberania dos Povos! Autor: João Dinis, Jano

Sim, apetece-nos gritar bem cá do fundo das entranhas:

– Viv´ó Bréxit ! Felicitações ao Povo de Inglaterra cuja maioria deu um espectacular NÃO  a esta União Europeia (UE)!

Em primeiro lugar, felicitações aos Ingleses por se terem feito ouvir, no caso através de Referendo, nesta matéria da chamada “União Europeia” que tanto ( e tão mal) afecta a vida de milhões e milhões de Pessoas. A seguir, felicitações pelo SIM à saída da Inglaterra desta União Europeia!

É um SIM à saída de Inglaterra desta UE que vale tanto mais quanto foi conseguido em ambiente de escandalosa manipulação da opinião pública no Reino Unido, em que valeu de tudo do lado dos partidários do “Não ao Bréxit” (Não à saída), inclusive com a vergonhosa tentativa de aproveitamento – em favor do Não à saída da UE –  do assassinato da Deputada Inglesa ocorrido em plena campanha referendária. E a tal ponto foi descarada essa manipulação que até parece que o assassinato da Deputada foi feito de encomenda para servir os objectivos dos mais interessados apoiantes do “Não ao Bréxit”!…

Este “NÃO” da Inglaterra a esta UE tem um ainda incalculável impacto político !

É um SIM à saída – SIM ao Bréxit – que também é um NÃO a esta UE que nos oprime.

Atente-se que a Inglaterra é uma potência económica, política e militar. Mesmo dentro da ex-CEE e dentro desta UE, sempre a Inglaterra dispôs de privilégios políticos, económicos, sociais e de outros tipos.

A Inglaterra ficou de fora dos “acordos internos (da UE) de Shengen” pelo que não tem as suas fronteiras franqueadas como outros países têm; a Inglaterra nem sequer admitiu a hipótese de entrar no Euro (são umas “velhas raposas” estes Ingleses…); a Inglaterra preservou como sua “quinta privativa” a “Commonwealth” (Comunidade das Nações) composta por 53 países que pertenceram ao velho Império Britânico (à excepção de Moçambique) que a Inglaterra lidera e em cuja maioria mantém interesses económicos hegemónicos; a Inglaterra tem “reinado”, mais ou menos à força, na Escócia e na Irlanda, países que é suposto fazerem parte integrante – serem iguais entre iguais – desta UE.

Ou seja, a Inglaterra sempre esteve com um pé dentro desta UE e outro pé de fora… Estava dentro para o que mais lhe convinha; estava fora para o resto… E nisso foi apoiada estrategicamente pelos imperialistas dos EUA. Portanto, como sempre souberam preservar zonas nevrálgicas da sua soberania nacional, os Ingleses têm muito menos razão de queixa desta UE do que temos nós, Portugueses, sujeitos a todas as malfeitorias e vexames por parte do eixo – Bona/Berlim – Paris – Bruxelas…

Claro que os grandes interesses económicos e estratégicos que exploram os Povos dentro (e fora) desta UE não vão respeitar esta decisão da maioria dos Ingleses

Claro que “eles” não respeitam “democracias”, não respeitam nada que não seja o seu interesse geo-estratégico, o seu interesse de rapina imperialista.

Aliás, já estão a ruminar vinganças contra os Ingleses; já ameaçam e tentam assustar outros Povos com consequências “catastrofistas” que nada faz prever até por estarmos a falar de Inglaterra…para além de actos de pura vingança por os Ingleses terem ousado pôr em causa o “império europeu” da alta finança, dos grandes “trust” económicos (incluindo os ingleses).

Veja-se a esclarecedora ordem das reacções ao “SIM ao Bréxit”:- primeiro, Merkel, chanceler alemã, falou ao Telefone com Hollande, o Presidente de França. A seguir, reúnem os seis países fundadores da ex-CEE. Só a seguir, para “ratificar” eventuais decisões já tomadas, é que reúne o Conselho Europeu dos 27 Estados-Membro da UE (onde ainda vai o “papagaio” do Cameron a quem o tiro saiu pela culatra…). Também por isto se vê, qual é o “directório” das potências que, de facto, manda nesta UE…ao serviço dos maiores interesses financeiros, económicos, estratégicos…

E vão recorrer a tudo. Inclusivamente podem até “soltar os cães”, ou seja, podem lançar para as ruas as “tropas de choque” da extrema-direita para criarem ambiente adverso a outras tentativas de emancipação democrática dos Povos e Países mais “espremidos” por esta UE e seus mandantes. Para levarem Inglaterra a fazer outro referendo, sei lá, daqui a um ano, a verem se dá (re)entrada nesta UE…

Esperemos também para ver o que vai acontecer com a Escócia e com a Irlanda…

Cá por mim, quanto mais depressa “estoirarem” com esta UE…melhor!

Venha um Refendo, em Portugal, sobre a saída ou não do Euro…

Está outra vez na hora de nós, Portugueses, também exigirmos que nos respeitem e que respeitem os nossos direitos democráticos. Por agora, “limito-me” a exigir um Referendo sobre a nossa saída deste Euro que é a moeda da nossa desgraça e é a moeda das vigarices da Banca e de outros que tais!

Força, Portugueses!

Bravo, Ingleses!

janoentrev1Autor: João Dinis, Jano

 

 

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  • João Albuquerque

    A saída do Reino Unido da UE, por um lado, é a vitória sobre as vontades de Bilderberg – se bem que o plano inicial de 1954 do grupo está cumprido há muito. O plano incluía a unificação política e económica da Europa, sobretudo da Alemanha. Isso foi atingido em 2002 com a chegada do Euro. O Reino Unido foi apenas necessário até essa altura para mostrar uma ideia de união que contou também com o fim do Império português em África, em 1975, e posterior adesão dos países do Sul da Europa. Ao tornar-se efectiva essa adesão em 1986, com a chegada de Portugal e Espanha, após a entrada da Grécia, três anos depois deu-se a queda do muro de Berlim e começou a união da Alemanha que levou ao fim da União Soviética, fim do Pacto de Varsóvia e adesão à NATO e UE dos países de Leste. O Reino Unido, pelo meio, nunca aderiu ao Euro, demonstrando a sua desconfiança, algo que alguns consideravam “excêntrico” da parte da sociedade das brumas que ficava isolada para lá do canal. Agora que a economia da Europa central está controlada pelo novo marco alemão, o sonho de Hitler cumpriu-se. E a saída do Reino Unido significa que a Segunda Guerra Mundial acabou, quem diria na noite de São João com a vitória da Alemanha. É uma derrota do espírito europeu, sem bem que, na realidade, há muito que se tornou óbvio que nunca existiu. Tornou-se notório que a Europa é comandada pelo espírito dos negócios e da corrupção política, da qual Bilderberg é o centro de decisões. Esta vitória do “Leave” só seria coisa boa se deixasse margens para relançar a ideia original da Europa solidária e unida. Nada disso. É uma vitória dos nacionalistas e da demagogia de um “orgulhosamente sós”, onde até a rainha terá contribuído com uma frase. Só não fico contente com o “Leave” por saber que é uma vitória contra uma Europa que até acreditei que poderia existir. Nesta hora de celebração, lembro-me daquela deputada inglesa que, entre os Conservadores, foi das mais notórias lutadoras contra a UE. Numa altura em que era proibido colocar em causa aquilo que hoje é uma realidade. Teresa Gorman morreu há quase um ano e foi apelidada pelo então primeiro-ministro John Major, há mais de 20 anos, de “bastarda”. Leiam o livro dela “The Bastards”. O resultado do referendo foi a sua vitória e de outros “bastardos” como ela…

  • João Albuquerque

    A imagem que coloquei é o painel de azulejos na estação de S. Bento, no Porto. Representa a entrada do rei D. João I na cidade do Porto para casar com a neta do Rei de Inglaterra, Filipa de Lencastre, em Fevereiro de 1387, cumprindo assim o Tratado de Windsor. É a mais antiga aliança diplomática ainda em vigor no mundo. Foi suspendida durante o reinado dos Filipes de Espanha, após Alcácer-Quibir. D. João IV reactivou a aliança quando enviou depois a sua filha, Catarina, para Inglaterra. Com ela, ainda oferecemos Bombaim aos ingleses. Em troca, tivemos o Ultimato Inglês – o nosso hino dizia contra os “bretões” e não os “canhões”. Depois, foram os ingleses que apoiaram o fim da monarquia. “Autorizaram” os republicanos a mudarem o regime e garantiram que a aliança era entre países e não entre regimes. Apenas pediram que a família real não fosse assassinada. E a República agradeceu. No fim, nem mudaram o nome ao Parque Eduardo VII. Os ingleses, e os seus cães de guarda que são os americanos, quiseram depois que a ditadura de Salazar fizesse parte da NATO. Éramos incómodos com as nossas colónias em África. Um pequeno país da Europa e o único com tanto território e recursos fora da Europa. Não podia ser. Conseguiram em 1975 aquilo que tentaram em 1890. Levaram-nos para a “Europa Unida”. E fomos o “bom aluno”, reduzidos finalmente às fronteiras do Séc XV. Nunca perceberam que não queríamos – nem podíamos – reinar no mundo. Só o queríamos unir. Cumprir Portugal. O último que o descreveu claramente morreu em 1935, sem saber o que o amanhã iria trazer. Trouxe-nos aqui. A hoje. Quando devemos nós começar a debater se devemos seguir os ingleses e sair da UE ou manter-nos e lutar lá dentro pelo sonho português de um mundo unido.
    Caro Professor João Dinis, não é altura de “exigir um Referendo sobre a nossa saída deste Euro”, é altura de de exigir um debate sobre o Tratado de Windsor

  • oculum

    oculum

    João Dinis, Jano falou bem…mas pelos vistos falou cedo demais. Ele quer referendar o €uro. Porém, o PCP travou essa onda que o BE entrou logo a cavalgar mas sem explicarem bem o que era que queriam.

    Eu até concordo com o PCP. Afinal, entrar no €uro até nem foi difícil…e nele nos “amarraram” sem sequer nos pedirem opinião. Agora, sair deste €uro é que será (muito) mais difícil. Sim, concordo com o Jerónimo de Sousa que há dias ouvi na comunicação social dizer que sair do €uro “não pode ser um ´acto súbito´ mas sim um processo”.

    “Processemos” pois !