O Congresso do Partido Socialista chegou ao fim sem estórias para contar numa croniqueta como esta, que foge da política partidária como o diabo da cruz. Mesmo assim, estive atento aos discursos…

Watergate à portuguesa

O engenheiro Sócrates pediu para as próximas eleições legislativas nova maioria, como estava previsto, portanto… ”nenhuma novidade”!

…Novidade é a sua incómoda posição no “caso Freeport”, num tempo em que não são permitidos desvios de atenção na liderança do País. Há uns tempos a esta parte era de todo impossível imaginar as nuvens negras que lhe cobriram o azul do céu, por onde passeou arrojo nas decisões da governação, quando pouco se sabia sobre a crise que aquecia em banho-maria. Perante o desconforto das notícias que adensaram dúvidas sobre a sua interferência no “negócio” de Alcochete, Sócrates, o cidadão, deu a cara na defesa da sua honra; o político não vacilou e disse ao que vinha: cartas na mesa, e a Justiça que desempenhe o seu papel, de preferência até ao próximo Outono, de modo a que não fiquem dúvidas sobre todas e quaisquer decisões por si tomadas nesse período a que se reporta o escândalo Freeport.

Sócrates está, pois, metido numa alhada do arco-da-velha, que faz mossa e tira o sossego aos seus afazeres no Governo, logo agora que são necessárias – mais do que nunca! – decisões acertadas… O discurso de abertura do secretário-geral do PS, no Congresso, trouxe uma frase que destaco e é por aí que conduzo o raciocínio: “Em democracia quem governa é quem o povo escolhe, e não um qualquer director de jornal ou uma qualquer estação de televisão…”.

Que o assunto Freeport justifica todas as primeiras páginas e aberturas de telejornais, todos estamos de acordo; que um “escândalo” deste quilate, onde se quer “encaixar” o actual Primeiro-ministro, faz menear as cabeças dos incrédulos, também é verdade; que alguns especialistas dos “media” portugueses são capazes de vender a alma ao diabo, a troco da tentativa de fazer cair o Primeiro-ministro de Portugal, ninguém discute. Quanto mais “sangue” melhor, porque haverá um prémio para quem desfechar o tiro certeiro, de preferência no peito, um pouco descaído para a esquerda…

Não há, no assunto Freeport, semelhança com o caso Watergate, em 1972, que valeu ao presidente americano Richard Nixon uma saída a destempo do cargo que exercia; a haver alguma analogia, só a vamos encontrar na Imprensa, a começar pelo jornal Washington Post, o “pai” de todas as denúncias, depois de investigação com primor.

É sabido que o escândalo foi retratado posteriormente de várias maneiras e feitios, sobretudo no filme “Os Homens do Presidente”, vencedor de quatro Óscares… …Mas isso foi na América, um país demasiado confuso para a compreensão beirã de um “tuga” como eu…

Em Portugal não haverá, estou certo, nenhum “caso Sócrates” que justifique uma fita de cinema, embora os jornais insistam no sonho de um guião, ao estilo do Washington Post.

Carlos Alberto 

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