We Can

A não surgir uma Mudança teremos uma grave crise social com contornos imprevisíveis, podendo mesmo vir a atingir uma violência generalizada, que só um longo período de tempo poderá remediar.

A crise que enfrentamos foi resultante de um sistema económico, cujos protagonistas, quer estivessem no governo quer na oposição, se encarregaram de fazer implodir, ao orientá-lo para um exacerbado consumismo, hedonismo e individualismo.

Será possível que os mesmos rostos, tão marcados por um passado recente, podem ser capazes de nos fazer sair desta crise? De fazer a Mudança?

É verdade que alguns estão agora na prisão, mas outros continuam governando, e a maioria deles luta ainda por manter o seu estatuto, sem saber, porém, como sair do buraco que ajudaram a construir!

Não acredito, pois, que os próprios mentores da crise nos possam, agora, tirar da crise.

Não acredito que os governos, injectando dinheiro, sem regras, no topo da Pirâmide (Bancos) possam contribuir para a Mudança. O dinheiro deveria, há muito, ter sido disponibilizado para a base da Pirâmide (PME) ou seja, para quem cria produção e emprego (cerca de 2 milhões de trabalhadores) e que sempre trabalhou em condições de crise.

Quantos empresários de PME não sentiram, quase sempre, insuficiências de dinheiro para o desenvolvimento dos seus empreendimentos, quantos não sentiram a angústia pelo atraso do pagamento dos salários aos seus trabalhadores, quantos não sentiram até vergonha pelo não cumprimento atempado de compromissos junto dos seus fornecedores?

Foram o Comércio e depois a Indústria de Confecções que deram força e prestígio ao nosso Concelho. As confecções suportam, há largas décadas, o elevado índice do emprego, contribuindo para uma paz social referenciada por uma baixa criminalidade, para um notável crescimento na construção civil e para um comércio e serviços que, nos anos 80 e 90, eram florescentes e diversificados.

Esta situação alterou-se nos últimos anos não só por erros próprios, de gestão empresarial e política, mas também devido a uma inevitável mas, todavia, saudável globalização.

Uns, aquando da explosão bolsista, perdiam mais tempo na bolsa do que na produção e gestão das suas fábricas. Outros, agarrados a um individualismo congénito, não souberam acompanhar totalmente os efeitos da globalização. E, aqueloutros que não quiseram ou não souberam adaptar-se aos novos tempos e continuaram com uma gestão política de caciquismo retrógrado.

Atrevo-me a dizer que, numa perspectiva de Mudança, a nossa Indústria de Confecções não deve olhar para esta crise apenas como uma fatalidade mas também como uma oportunidade benéfica uma vez que, em vez de vítima e sofredora da globalização, a vejo poder assumir-se como uma solução política e económica para o Concelho e, por consequência, para o País.

Nesta óptica, a crise levará os grandes grupos de distribuição e de marcas Europeias a rever as suas logísticas produtivas e financeiras: comprar na China ou na Índia torna-se, agora, mais difícil, pois diminuíram as quantidades, diminuíram os recursos financeiros disponíveis para estas importações e, principalmente, porque se torna agora cada vez mais necessário fazer os negócios just in time.

Assim, antigos clientes voltarão, novos clientes surgirão e as Confecções voltarão a ser criadoras de riqueza e justiça social e a base da recuperação económica do Concelho.

É por este prisma que vejo a renovação e retoma da importância das nossas Confecções e, por consequência, a consubstanciação do WE CAN! Se as Confecções souberem aliar a herança e cultura herdadas no trabalho e produção às novas tecnologias disponíveis nos dias de hoje;

Se as Confecções forem capazes de se inserir num processo de globalização irreversível, sem qualquer saudosismo relativamente a proteccionismos ultrapassados;

Se o Concelho sair das próximas eleições autárquicas com um governo ousado para promover a Mudança que se exige;

YES, WE CAN: proporcionar a Mudança, ganhar confiança, ganhar emprego, ganhar segurança e qualidade de vida.

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