“A liderança efectiva é colocar em primeiro o que é mais importante.” Ando a aprender a jogar xadrez. Talvez o jogo mais fascinante jamais inventado.

Começo a conhecer as peças, a aprender a movê-las no tabuleiro e a perceber as regras. No xadrez há dois exércitos que se defrontam. No início da partida, um jogador tem 16 peças de cor branca, o outro tem 16 peças de cor preta. O confronto só é possível graças aos espaços vazios no tabuleiro. Sem esses espaços, as peças permaneciam imóveis sem sair do lugar. O objectivo é mover as peças de tal forma que, no final o rei adversário fique sem saída e abdique. É o chamado xeque-mate.

Xeque-mate.

A política assemelha-se muito a um jogo de xadrez. No xadrez as jogadas têm que ser feitas dentro do tempo estabelecido. Na política também existe um tempo determinado, e quem não o conhece, ou não o respeita, tem fortes probabilidades de ser um perdedor. No xadrez existe uma previsibilidade de jogadas e o bom jogador prevê a jogada do seu oponente e as próprias jogadas com relativa antecedência. Na política, também existe essa previsibilidade e isso faz a diferença entre o bom e o mau político. No xadrez os objectivos são, avançar as pedras, conquistar espaços no tabuleiro, capturar o rei e dessa forma vencer o jogo. Na política os objectivos são avançar no terreno do adversário, conquistar o seu espaço político, convencer os eleitores e dessa forma, vencer a eleição.

Assim como há nítidas semelhanças, há compassivas diferenças, entre o jogo de xadrez e o jogo político. No jogo de xadrez, há um número certo de peças e cada peça tem o seu próprio movimento – no caso, as peças brancas iniciam sempre a partida. E à semelhança do xadrez, na política também existem as peças brancas e as peças pretas, só que sem limite, nem movimento certo. O jogo de xadrez, prevê a promoção do peão. Quando ele atinge a última fila do tabuleiro, pode ser trocado por outra peça de maior importância, não podendo o jogador escolher outro peão ou o próprio rei. Na política também deveria ser assim: o peão só deveria ser promovido quando atingisse a última fila do tabuleiro, e mesmo assim, respeitando o rei e o líder maior.

O jogo de xadrez pode muito bem ajudar-nos a entender, a última captura en passant – designação de uma jogada especial de peões – da distrital do PSD. É bom que se saiba, definitivamente, que a distrital social-democrata, está para a concelhia, como o cavalo d4 (posicionado no centro do tabuleiro), está para o xadrez: em posição de ser o terror do nosso tabuleiro político, imprimindo ataques vigorosos. E as eleições directas do partido, colocam à prova num curto espaço de tempo a concelhia e o seu presidente, que apesar de terem atingido a última fila do tabuleiro, com a vitória há menos de um mês, nas eleições para a secção concelhia. correm o sério risco, de serem trocados por um “peão” que quer ser o “rei”, mesmo que a norma do xadrez não o permita, nem a lei da política, o aprove. Sobretudo porque, os jogadores têm de se submeter às regras, no xadrez e na política. Em qualquer dos dois, pode-se sempre escolher o estilo, mas não se pode escolher as regras.

Já não sendo a concelhia do PSD a mover a primeira peça do xadrez, está já anunciada a insígnia a Paulo Rocha, de mandatário concelhio da candidatura de Manuela Ferreira Leite, imposição com o alto patrocínio da distrital do partido, (apenas) com a motivação de proteger no xadrez político a “rainha” Paulo Rocha. Que continua a ser a peça mais importante para proteger o “rei” Mário Alves. Será conveniente quanto antes, que José Carlos Mendes, como presidente da comissão política de secção, à semelhança do que acontece no xadrez, tenha como estratégia de defesa, não deixar em mais nenhum momento, o centro do seu tabuleiro político, ser dominado por um cavalo adversário. Tem de estar ciente, que as peças pretas, do nosso xadrez político, esquecem-se (na maioria das vezes) das regras do jogo, e podem à semelhança do que agora fizeram, dar inicio à partida.

Não sei se a minha versão será legitimada pela maioria dos membros da concelhia – que sabem há muito qual é o meu candidato e o cenário concelhio e distrital, que o impõe – mas se o critério para o comportamento de matrona, da distrital, continua a ser o pavor descomunal por parte daqueles, que não querem jamais aprender a perder. Então, seja qual for a posição definitiva da concelhia, nas directas de 31 de Maio, será bom que antes de decidir, perceba o jogo e reaja a ele, ainda que errando o momento, que não erre no adversário.

E os 1200 militantes têm de perceber, que entre nós, temos jogadores – em suma – peões pretos, que com arrogância – a mesma de sempre – se assumem líderes partidários, apesar de perderem eleições, tentando apressadamente com a ajuda externa, dar um xeque-mate no “rei” José Carlos Mendes. Se Paulo Rocha já é mandatário concelhio de Manuela Ferreira Leite, resta-nos esperar que à boleia, o líder da JSD Carlos Veloso, seja o mandatário de Pedro Passos Coelho. Apostam?!

Por não ser respeitada uma eleição e quem é eleito, não nos iludamos – e saibamos ser práticos – tal como no jogo de xadrez, no PSD local, certas pedras continuarão de um lado e outras estarão do outro.

Lusitana Fonseca
Candidata eleita à CPS do PSD

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