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Trinta e seis anos depois da Revolução dos Cravos, o país está cansado, deprimido e – pior ainda! – com muito pouca esperança em relação ao futuro.

36 anos depois!

Permanentemente mergulhados em sucessivas crises económicas, hoje, uma grande parte dos portugueses não vive – sobrevive.

Na sociedade portuguesa a classe política está cada vez mais desacreditada – “são todos iguais”, é o que já dizem muitos cidadãos –, e o constante clima de suspeição que se instalou entre alguns dos nossos governantes, só piora todo este estado de coisas.

É óbvio que a mesquinhez da luta política e a postura do “vale tudo”, são desde há muito um dos principais cancros das sociedades democráticas.

Hoje, os portugueses sabem que a conspurcação do debate político se sobrepõe muitas vezes à discussão dos reais problemas daqueles portugueses que – trinta e seis anos depois de Abril – continuam a auferir salários miseráveis, que mal lhes permitem alimentar os filhos, quanto mais encaminhá-los para a Universidade.

Pelo que acabei de escrever, incluo-me entre os cidadãos deste país que estão cada vez mais cépticos quanto ao futuro de Portugal. E também há uma coisa, que digo aqui sem qualquer tipo de reservas: não foi com certeza para isto que se fez o 25 de Abril!

Nestes anos todos, o Estado, como já alguém disse, foi transformado num autêntico monstro. Num país, onde andamos há uma vida a apertar o cinto, as mordomias nas empresas que o Estado foi privatizando são um atentado a quem tenta ganhar o pão de cada dia de uma forma honesta.

E não me venham cá dizer que o Sr. Mexia da EDP – mais não sei quantos senhores que repentinamente foram transformados em gestores públicos – ganha anualmente os milhões que ganha porque cumpre objectivos. Isso é um argumento – desculpem-me a brejeira expressão – para “papalvos”.

Na verdade, o que Portugal precisa – nos dias que correm – é de uma sociedade muito mais crítica e reivindicativa. E se for preciso que saia à rua, pois como um dia disse Mário Soares, “todos temos o direito à indignação”.

henriquebarreto@correiodabeiraserra.com

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