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A crise profunda do têxtil oliveirense e a apatia da autarquia… Autor: António José Cardoso

Antes da pandemia Covid 19 ter chegado a Portugal, já o sector do têxtil oliveirense estava em crise profunda devido à sua estrutura de mono produto e mono cliente. Uma política incentivada e promovida pelos empresários da região e alicerçada no boicote do Município à instalação de empresas das mais diversas áreas, como da indústria automóvel ou dos têxteis técnicos.

Com a chegada da pandemia no início de Março de 2020, os empresários do sector têxtil local, uma actividade que representa cerca de 1200 postos de trabalho directos no concelho, reuniram com o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. José Carlos Alexandrino prometeu-lhes reunir-se com a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, com quem diz manter relações privilegiadas. O autarca assegurou-lhes que se tratava de alguém conhecedor da realidade local e com capacidade para intervir junto de um grande grupo empresarial têxtil espanhol no sentido de este continuar a realizar as suas encomendas às empresas da região. Um grupo que, diga-se era, e é, o maior cliente e quase único de algumas empresas da região.

Para o comum dos cidadãos é tudo aparentemente normal, mas para quem está no mundo da indústria têxtil tudo isto parece uma anedota da pior espécie! Estão a ver um dos homens mais ricos do mundo receber uma ministra que lhe vai reivindicar trabalho para um conjunto de empresas que se renderam ao mono produto? Empresas que não têm capacidade de se reinventarem e de serem competitivas num mercado global em que a concorrência é feroz e onde competem com mão-de-obra mais barata, melhor preparada e mais versátil. Resultado: ninguém sabe se houve reunião, o que de lá saiu e o que o Município fez para apoiar os empresários, etc, etc.

Vivem cerca de 1200 pessoas, e por inerência praticamente todas as famílias do concelho directa ou indirectamente, há cerca de um ano na instabilidade do “lay off”, em formação, com salários em atraso e incerteza quanto ao futuro. Curiosamente, estamos a falar de um sector com futuro. Noutras regiões do país o têxtil é forte. Com crescimento na ordem dos 20 por cento, como acontece em Barcelos, Lousada, Paços de Ferreira ou Famalicão. Mas em Oliveira do Hospital estamos como estamos.

Como técnico na área, sei o que deveria ter sido feito. Quando houve verbas para a formação deveria ter existido uma aposta na reconversão e apostar em produtos de valor acrescentado. Seria a fórmula a utilizar por quem quer efetivamente trabalhar e viver do que produz e não do “dinheiro fácil” que vem do “Estado”. 

É imperativa a reconversão industrial. A aposta na diversificação dos artigos, nos tipos de mercado e clientes. Abandonar o mono produto e, em muitos casos, o mono cliente. Tem de se perceber onde entra a questão do boicote à instalação de empresas, o proteccionismo do salário mínimo, e o cooperativismo entre Câmara e empresários.

De que vale a expressão do Presidente do Município “Aqui fazemos os melhores fatos do mundo!”, se não há encomendas para os fazer? Deveria falar do que sabe, que é muito pouco, mas enfim…

E as 1200 pessoas? Pois, permanecem sem perspectivas, sem trabalho, a viverem de incertezas, com medo de dizer e falar sobre o que estão a passar!!!

Pergunto aos empresários, Município e ministros: qual é a solução? Nós estamos abertos para debater e contribuir para a solução do problema que é grave e já não dá para esconder!

 

 

Autor: António José Cardoso, candidato do Chega à CM de Oliveira do Hospital

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