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A extraordinária e singular longevidade dos irmãos Pombo

João Pombo gosta de salientar que tem uma voz que impressiona. Para retirar as dúvidas aos mais cépticos não se intimida e faz uma demonstração na mesa onde conversa juntamente com o seu irmão António e o jornalista do CBS. O tom de voz leva os clientes do estabelecimento a fazer silêncio. A escutar. Impressionante. Mas a voz não é o único aspecto que realça este amante do fado de Coimbra. A sua longevidade, juntamente com a dos seus dois irmãos, é extraordinária. João soma 95 Primaveras, sentado ao seu lado o irmão António completou, no passado dia 15, um total de 99 voltas ao sol. A irmã Sara Pombo, que se encontra numa residência para idosos, é a mais experiente com 101 anos e é a segunda de um grupo de sete irmãos. Quatro já não estão entre nós. O trio que subsiste soma um total de 295 anos, uma média de 98 Primaveras cada um, de perfeita saúde física e mental. Ainda assim, já viram partir quatro irmãos. Um caso singular registado em Ervedal da Beira, concelho de Oliveira do Hospital.

“Acho que isto se deve ao facto de andar muito quando podia. Percorria por dia seis a sete quilómetros. Mas também deve ter a ver com os nossos genes. Não sei”, conta, encolhendo os ombros, António Pombo que trabalhou até aos 72 anos e está a um ano de completar um século de vida. “Espero lá chegar. Isto é de família. O primo direito, Sebastião Pombo, morreu com 97 anos, o nosso pai, Abel Pombo, deixou-nos com 94, mas aos 87 ainda andava de bicicleta e motorizada. Temos também uma prima em Coimbra com 99 anos”, conta, lembrando outros dos seus hábitos “saudáveis”. “Durmo religiosamente todas os dias duas horas, das 14h00 às 16h00. Todas as manhãs como uma maçã e um bolo”, conta António que não limitou a sua vida ao Ervedal. Ao contrário do irmão, aos 13 anos foi trabalhar para Lisboa, mais tarde foi chapeleiro em Montemor-o-Novo, antes de regressar a Lisboa para trabalhar como caixa numa empresa reconhecida. Depois viu a mulher partir aos 67 anos, precisamente a mesma idade que tinha a filha que infelizmente já viu partir. “É a vida”, lamenta.

As afirmações de António contam com a anuência de João que sempre vai enaltecendo a sua voz e a capacidade que teve de construir um pequeno império a partir do nada. “Também andei muito. Cheguei a ter três talhos e a vender milhares de borregos para Lisboa. Esses borregos, ia buscá-los a centenas de quilómetros, muitos a pé. Também andei a minha parte”, sublinha João Pombo, explicando onde tinha os talhos: um no Ervedal, outro em Oliveira do Hospital e um terceiro em São Romão, concelho de Seia. “Pensava em casar e a minha futura mulher perguntou-me: ‘e vamos viver de quê? Não temos nada’. Só lhe respondia, o que é preciso é saúde. E tivemos. Trabalhei muito, mas consegui uma pequena fortuna”, diz, contando os terrenos e as várias casas que possui. “Esta também é minha”, diz apontando para cima no café, ele que já tem quatro netos e três bisnetos, tal como o seu irmão António, que também tem quatro netos e quatro bisnetos. A esposa, ainda viva, mas infelizmente acamada, conta já 93 anos.

A voz. A voz é algo em que João Pombo tem um especial orgulho. Já a irmã Sara era conhecida pelos seus dotes vocais, como actualmente o filho Rogério Albernaz, o neto Mário Albernaz e o bisneto Luís Albernaz. Depois de uma demonstração que silenciou o café, este amante do canto sublinha que os amigos “que já partiram” diziam que ele tinha “uma voz de cristal”. “Iam todos, muita gente para me ouvir cantar o fado no Outeiro”, enfatiza, ele que também não tem uma explicação para a sua longevidade. “Deve ser como diz o meu irmão, uma coisa de família. Não conheço outra família assim. Mas também deve ter sido por trabalhar tanto ao longo da vida”, sublinha. “Fiz muitas serenatas e continuo a cantar”, conta, algo que levanta uma forte discussão com o irmão António que se atreveu a notar que João já não tem a voz que tinha. “Não tenho? Não?”, disse antes de voltar a mostrar a sua performance. “Então?”, volta a perguntar. António encolhe os ombros e sorri e promete manter o hábito de se reunirem naquele café. Uma tradição que esperam que se repita ainda por vários anos. Afinal, a família Pombo tem uma longevidade extraordinária e singular.

ngular.

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