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“A floresta é uma das nossas prioridades, queremos recuperar a mancha verde que era o cartão de visita de S. Gião antes dos incêndios de 2017”

É um dos presidentes de junta mais jovem do País. Com 23 anos, tem como grande objectivo resolver os problemas das pessoas da Freguesia de S. Gião, concelho de Oliveira do Hospital, que conquistou nas últimas autárquicas. A médio e longo prazo, Rafael Dias, licenciado em Estudos Europeus e Ciência Política e a frequentar um Mestrado em História Contemporânea, pretende recuperar a mancha verde que existia na localidade antes dos incêndios de 2017. “Queremos fazer uma aposta forte no medronheiro. Entendemos que poderá vir a ser um produto de valorização local muito interessante”, explica em entrevista ao CBS, assegurando que quer tirar partido do PRR e da criação de Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP). O jovem autarca surge também como o número dois nas listas do CDS-PP pelo círculo eleitoral de Coimbra para as legislativas de 30 de Janeiro. “Gostaria de representar a juventude do Centro do País”, diz, explicando também as razões que o levaram a ser contra uma coligação pré-eleitoral com o PSD.

CBS – Como têm corrido estes primeiros dias enquanto autarca?

Rafael Dias – Bem. A dinâmica tem sido boa. As pessoas queriam uma mudança e estamos a procurar a corresponder à expectativa que foi depositada na nossa equipa. O trabalho que estamos a desenvolver neste momento passa por superar os problemas do dia a dia, de ver as necessidades e encontrar soluções. A título de exemplo, posso referir que já conseguimos colocar aqui um terminal de pagamento. As pessoas tinham de se deslocar a Oliveira para pagar o telemóvel, a televisão, qualquer coisa. Isso agora já não é necessário. Pode ser feito aqui. É uma pequena coisa que ajuda ao bem-estar das pessoas, principalmente dos idosos. Mas o objectivo é cumprir tudo aquilo que prometemos aos nossos eleitores e que é o projecto: um futuro para a nossa terra.

Ficou surpreendido com a vitória para a junta de Freguesia?

Não totalmente. As pessoas queriam uma mudança. Além disso, a candidatura foi preparada com tranquilidade. Era um projecto que estava a ser estruturado há quatro anos, inicialmente apenas com o CDS-PP e depois em coligação com o PSD. Era um resultado expectável. Mas se me pergunta se estava há espera de ganhar com 60 votos de vantagem, num universo de cerca de 300 eleitores que foi às urnas, tenho de ser sincero e dizer que não. Mas estes números só reforçam a nossa responsabilidade.

“Queremos fazer uma aposta forte no medronheiro. Entendemos que poderá vir a ser um produto de valorização local muito interessante.”

É um dos autarcas mais jovens do país…

Sim. Com 23 anos feitos em Novembro. Sou o mais novo, a par de um colega da freguesia de Melo, concelho de Gouveia. Afinal (risos) há muita juventude aqui na nossa região interessada pela política e a receber a confiança da população.

Quais são os seus grandes objectivos em termos estruturais?

A floresta é uma das nossas prioridades. A recuperação da mancha verde. E vai começar a notar-se a partir de Janeiro, uma vez que, como presidente de junta, vou ficar a meio-tempo. Estarei muito mais dedicado à freguesia. Temos de aproveitar o PRR e a criação de Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP) que eu sempre falei na campanha. São Gião era a localidade no concelho de Oliveira do Hospital que mais floresta autóctone tinha e que desapareceu com os incêndios de 2017. Temos 60 hectares de baldio e queremos colocar ali floresta autóctone. Desejamos fazer um trabalho de valorização da nossa floresta. Não só como património económico, mas também social. Temos a questão paisagística e a identidade de todo um povo, porque a mancha verde era o cartão de visita que São Gião tinha para oferecer aos visitantes e que actualmente não existe.

Em que tipo de árvores vão apostar?

Queremos fazer uma aposta forte no medronheiro. Entendemos que poderá vir a ser um produto de valorização local muito interessante. Já há Áreas Integradas de Gestão da Paisagem concluídas no Parceiro e Rio de Mel. Mas ainda não estamos no terreno. Nem temos propostas concretas para executar o trabalho. Será tudo feito a partir de Janeiro. Vou ter tempo para falar com diversas entidades para nos ajudar nessa empreitada.

“É o reconhecimento do partido relativamente ao trabalho que temos vindo a desenvolver em Oliveira do Hospital”.

Foi um dos responsáveis pela dinâmica actual da Juventude Popular de Oliveira do Hospital….

Este projecto não nasceu agora por geração espontânea. Tenho muito orgulho de o ter iniciado quando tinha 15 anos, ainda andava no ensino secundário, no 10º ano. Está a ser desenvolvido ao longo de sete anos. Foi desenhado como um projecto de médio prazo, bem estruturado, de valorização do próprio partido em Oliveira do Hospital. Hoje, é a mais empreendedora do concelho. Esse trabalho é visível e ajudou o partido. Temos duas juntas, conseguimos manter a bancada municipal. São resultados muito interessantes.

Como se sente ao ver dois nomes de Oliveira do Hospital na lista de deputados do CDS-PP pelo círculo de Coimbra para as legislativas de 30 de Janeiro, sendo que o seu surge em segundo lugar…

Inegavelmente com uma pontinha de orgulho. É o reconhecimento do partido relativamente ao trabalho que temos vindo a desenvolver em Oliveira do Hospital. Nós não nos representamos a nós próprios. Representamos o partido, a concelhia e a juventude.

Quais os seus grandes desafios se chegar ao Parlamento?

Procurar levar uma lufada de ar fresco naquele espaço e de quem defenda o interior. O que vou procurar, se vier a ser eleito, até pela minha idade, é representar a juventude do Centro do País. É a juventude que, em relação ao resto da Europa, mais tarde sai de casa dos pais. A média é de 28 a 29 anos. É também a primeira geração que vai ter menos rendimentos que a geração anterior. Vai haver muita precariedade. O Estado falhou em muita coisa nos últimos 50 anos. Este regime falhou para com as novas gerações. O meu maior desafio passaria por reivindicar um projecto de futuro para o nosso país e para a nossa geração.

“Sempre fui contra uma coligação pré-eleitoral a nível nacional”

Além disso, temos de lutar pela fixação de jovens no Interior. Conheço muitos amigos pelo interior deste País que gostariam de se fixar e de se estabelecer na sua região, mas não têm possibilidades. Seria necessário delinear um projecto centrado em muitos eixos. Teria de ser uma política estrutural, transversal a várias áreas. É importante uma voz que não tenha medo de defender estes princípios.

Era favorável a uma aliança pré-eleitoral com o PSD nas legislativas?

A posição que vou revelar compromete-me apenas a mim próprio. Dito isto, tenho de lhe confessar que sempre fui contra uma coligação pré-eleitoral a nível nacional. Não é possível replicar a aliança concelhia. Entendo que os partidos são instrumentos que têm de ser colocados ao serviço das pessoas e são instrumentos que veiculam ideias que, por si só, vinculam pessoas. Ou seja, o CDS-PP tem as suas ideias, um eleitorado diferente, património político autónomo e completamente independente face ao PSD. Não entendo uma coligação pré-eleitoral com outro partido sem ter propriamente um projecto conjunto definido para o país como aconteceu, por exemplo, quando surgiu a Aliança Democrática (em 1979). Coisa diferente será uma aliança pós-eleitoral para garantir a estabilidade política e o futuro do nosso país.

“A bipolarização nos círculos mais pequenos é absolutamente inaceitável para um sistema parlamentarista como o nosso que procura representar as várias franjas da sociedade”

Não teme que muitos votos do CDS nos círculos eleitorais do interior, em que são eleitos poucos deputados, normalmente bipolarizados entre PSD e PS, que os votos dos populares venham a ajudar a esquerda?

É claro que também reconheço as virtudes de uma coligação. Há sempre os prós e os contras. Mas esse é um dos problemas do nosso sistema eleitoral que deve ser reformado, porque favorece o voto útil no PSD e no PS e não pode acontecer. Não é tolerável.

Como classifica este sistema eleitoral?

Esta bipolarização nos círculos mais pequenos é absolutamente inaceitável para um sistema parlamentarista como o nosso que procura ter representadas as várias franjas da sociedade. No mínimo, devia existir uma compensação nacional para que as pessoas pudessem expressar, de forma completamente transparente a sua vontade eleitoral, no momento de votar, independentemente da zona em que habita. É um aspecto que terá de ser revisto urgentemente.

 

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