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AB Guarda quer expandir a prática do basquetebol a todo o distrito e Seia poderá voltar a acolher a modalidade em breve

“O Sampaense Basket é um exemplo de que podemos fazer um bom trabalho com o basquetebol no interior do país”

Tiago Nascimento, 36 anos, começou como jogador no Celorico Basket, foi treinador, árbitro e dirigente. Em 2020, assumiu a presidência da Associação de Basquetebol da Guarda e não esconde que o objectivo de alavancar a modalidade. Tiago e a sua direcção pretendem apostar na divulgação da modalidade nas escolas do 1º ciclo, prometem investir na formação de recursos humanos e apoiar o relançamento da modalidade em clubes onde se extinguiu basquetebol. “Queremos uma expansão do basquetebol a todo o território do distrito”, refere este dirigente em entrevista ao CBS, salientando que mesmo no interior é possível fazer um bom trabalho. E fala do Sampaense Basket, de São Paio de Gramaços, concelho de Oliveira do Hospital. “É o exemplo de um clube que trabalha de forma exemplar a modalidade, é do interior e tem êxito, recrutando mesmo atletas num clube nosso filiado, o Club Camões de Gouveia”, sublinha, acrescentando que as selecções distritais ficam com um centro de treinos em Celorico da Beira. Outro dos objectivos para promover a modalidade passa por trazer para o distrito fases finais das competições nacionais de topo. “Queremos que seja realizada aqui pelo menos uma fase final de uma das provas profissionais”.

CBS- Qual é o objectivo da direcção da Associação de Basquetebol da Guarda (ABG)?

Tiago Nascimento – Estamos a procurar desenvolver um trabalho estruturado que pretende atrair mais atletas, ter mais treinadores e uma expansão geográfica com clubes por todo o distrito. A modalidade não pode estar confinada a dois ou três concelhos. Tem de ser abrangente. Para já, o Grupo Desportivo de Trancoso é uma das colectividades que vai relançar o basquetebol, depois de alguns anos de ausência. O mesmo está a ser feito, e acreditamos que será para breve, para conseguir que outros clubes venham ter condições para acolher a modalidade. Seia, por exemplo, teve basquetebol durante oito anos e hoje não existe, temos de contrariar essa tendência e já contamos com o apoio autarquia para o relançamento da modalidade). A Associação tem elementos empenhados, para que este trabalho tenha êxito, o que a acontecer permitirá mais competitividade e, por sua vez, mais atletas…

Mas os jovens não parecem sentir-se muito atraídos pela modalidade…

Não me parece que seja verdade. Não têm é possibilidade de ter contacto com o basquetebol, alguém que os coloque em convivência com a modalidade, o que é bem diferente. Se existir essa oportunidade os jovens vão praticar basquetebol. Não é por acaso que uma das nossas apostas passa por levar o basquetebol a algumas escolas do primeiro ciclo. O projecto chama-se “minibasquete vai à escola”, com o objectivo de realizar acções de dinamização da modalidade, levando-os a praticar. Se gostarem podem ser encaminhados para as bases do clube mais próximo. Estamos a investir muito neste projecto que, acreditamos, vai ajudar os clubes a superar as dificuldades de recrutar atletas. De momento, por falta de recursos humanos, não podemos ir muito longe e vamos começar por concelhos com pratica da modalidade, estendendo-se posteriormente aos restantes.

“[É] um clube que trabalha de forma exemplar a modalidade, é do interior e que tem êxito. Falo do Sampaense Basket, de São Paio de Gramaços, concelho de Oliveira do Hospital”

E os clubes como conseguem recursos?

Esta direcção tem feito tudo o que lhe é possível para apoiar os clubes. Com isenções de pagamentos de taxas de inscrição e seguros, disponibilização apoios ao nível financeiro para organizarem as actividades que desenvolvam. Apoiamos também com material desportivo para as equipas inscritas. Além disso, a ABG tem estabelecido contactos com todas as Câmaras do distrito porque consideramos que são parceiros estratégicos e a resposta tem sido muito positiva. Acreditamos que o basquetebol tem futuro.

Como podem existir muitos atletas se o interior está cada vez mais “deserto”?

Isso é transversal a todas as modalidades. É um problema do país. Temos de lutar contra essa realidade. Obviamente que não vamos ter facilmente uma centena de atletas num clube como tinha opor exemplo o ACR Trancoso ou Celorico Basket na década de 2000. Mas não considero que estejamos perante uma fatalidade. Posso lhe referir um clube que trabalha de forma exemplar a modalidade, é do interior e tem êxito. Falo do Sampaense Basket, de São Paio de Gramaços, concelho de Oliveira do Hospital. Pertence à Associação de Basquetebol de Coimbra, mas está na fronteira do distrito, a 15 minutos de Seia, e disputa a ProLiga. E posso lhe dizer que a prospecção dessa colectividade tem recrutado atletas no Club Camões, de Gouveia, um dos nossos filiados. Isto demonstra que temos matéria prima e que é possível conseguir resultados e que em termos de modalidade estamos aquém das nossas capacidades. Mesmo assim, temos também o Guarda Basket que está a disputar o Campeonato Nacional da II Divisão, masculinos.

A falta de jovens, de resto, não se sente apenas no distrito da Guarda…

Pois não. É transversal, como lhe disse, a todo o interior do país. Daí, existir uma colaboração entre cinco associações, da Guarda, Viseu, Castelo Branco, Coimbra e Leiria. Estamos a realizar esforços conjuntos em termos competitivos e de preparação de recursos humanos para alavancar a modalidade. Está a decorrer o Campeonato do Centro, em diversos escalões de formação, que permite maior competitividade entre as equipas. Está em preparação a organização de um curso de treinadores grau 1 entre as cinco associações, que poderá ser aqui na Guarda, e que será importante, porque um dos problemas que os clubes sentem é precisamente a falta de recursos humanos. Queremos integrar aqui alguns alunos da licenciatura de Treino Desportivo do Instituto Politécnico da Guarda, com quem estabelecemos um protocolo.

….

A Associação de Basquetebol da Guarda financiou recentemente também um curso de árbitros e oficiais de mesa. A acção teve uma adesão além das expectativas, com a participação de 14 elementos. Foi ministrado por um árbitro da Federação Internacional de Basquetebol. Com este investimento a arbitragem na ABG está assegurada nos próximos tempos, com esta geração de árbitros.

“O objectivo é trazer a fase final de um dos campeonatos ou das taças das provas profissionais para o distrito da Guarda”

Recentemente um dos vossos clubes pediu para se transferir para a Associação de Basquetebol de Castelo Branco, o Guarda Up. O que levou a essa tomada de posição?

Não sabemos. Foi uma decisão dos responsáveis do clube que provavelmente consideram que isso será o melhor para os atletas. Mas ficámos com insatisfação porque a ABG perdeu jovens praticantes e capacidade de recrutamento para a sua selecção distrital, já que estes jogadores agora representam Castelo Branco. Com esta decisão, o clube também perdeu todos os direitos de afiliado da ABG, como apoios financeiros e de material desportivo. Da nossa parte, o que consideramos importante é que o clube mantenha o percurso ascendente que tem vindo a realizar.

Uma as formas de promover um desporto passa por permitir o acesso aos jogos disputados ao mais alto nível. A ABG tem feito algo nesse sentido?

Temos como objectivo trazer a fase final de um dos campeonatos ou das taças das provas profissionais para o distrito da Guarda, apesar do ideal seria trazer duas dessas provas. Aqui temos a colaboração da Federação Portuguesa de Basquetebol que também está empenhada em expandir o basquetebol a todo o território nacional, nomeadamente na zona do interior. Será uma forma excelente de alavancar a modalidade. As crianças que assistam a estas partidas têm maiores probabilidades de procurar um clube para praticar.  Será também muito importante do ponto de vista económico para o concelho que receber os eventos e zona envolvente. Mas também temos iniciativas próprias.

Como por exemplo?

Estamos a trabalhar na realização de um torneio diferenciador na zona interior do país para os escalões de formação, entre as selecções distritais do interior e também formações provenientes de Espanha, da região Castilla Lyon, com quem temos estabelecido contactos. Será muito importante este intercâmbio porque a modalidade está muito mais desenvolvida em Espanha. Os nossos agentes desportivos podem retirar algo de positivo do modelo seguido no país vizinho.

“Em alguns estágios, vamos fazer os possíveis para esteja presente um treinador de referência, para melhorar os talentos do distrito”

Anunciaram recentemente que o Centro de Treinos das Selecções Distritais será em Celorico da Beira. O que levou a essa escolha?

Tivemos um bom entendimento com a Câmara Municipal que se mostrou receptiva a colaborar nesse sentido, em particular com a cedência do pavilhão municipal para a realização de estágios. Além disso, tem uma excelente localização geográfica que permite facilidade de acesso dos atletas do distrito, quer das associações vizinhas e das equipas de Espanha, reforçando a colaboração transfronteiriça. Depois, a estrutura logística de apoio ao pavilhão é muito boa.

Quais as vantagens que as selecções distritais podem tirar destes estágios?

Como alberga o trabalho de todas as selecções de formação, acreditamos que haverá avanço, permitindo, por exemplo, criar rotinas de trabalho. Em alguns estágios, vamos fazer os possíveis para esteja presente um treinador de referência, para melhorar os talentos do distrito, e contar com a participação de selecções vizinhas e de Espanha. Quem vai ficar a ganhar também com este protocolo que estabelecemos com a Município de Celorico da Beira será o concelho.  É que, além de todo o pessoal pertencente ás equipas, há também famílias que seguem os atletas. Isto é bom para a economia local e para elevar o nome da vila.

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