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Açude da Ribeira: O “Monstro” e o Descalabro

Perante a estupefacção e incredulidade manifestada por muitos Munícipes, especialmente das freguesias de Ervedal e Lagares da Beira, enquanto cidadão empenhado e interessado, que me reclamo, desloquei-me ao Açude da Ribeira para, “em loco”, também eu poder constatar. Não sou de crítica fácil. Numa outra realidade e noutro contexto, até poderia aceitar. A intenção e o desenho até não me desagradaram. Mas, se fora eu, respeitava a mãe natureza, em todo o seu esplendor que, no local, é muito.

Um simples miradouro junto ao início do pontão resolvia, com uns “patacos”, e com vantagem, o objectivo que se pretende atingir com uma colossal estrutura de ferro. Com tantos e tão bons exemplos que existem por este país fora, logo optaram por um “monstro” …!  Nós que construímos túneis com entivagem metálica para suportar muitas toneladas, resolvíamos o problema com vigas em U de 90 milímetros. Confrontámo-nos com vigas HEB 400 mm!!! em pilares de betão, estrutura capaz de aguentar o maior dos camiões TIR ou um qualquer combóio. Porquê, para quê? Ora trata-se de um pontão para fins pedonais. Alguma coisa justifica um tal gasto e a utilização de tais estruturas?

Diz-se na placa de anúncio da obra, obrigatório em obras comparticipadas, que o custo da obra são 441 mil euros. A obra tem revisão de preços, tudo a correr bem, meio milhão de euros.

Mas, se a obra já é um “bradar aos céus” analisemos o histórico:

– Em 13 de Maio de 2021 foi recebida uma proposta no valor de 274 718,14 euros, que foi aceite e adjudicada.

– Em 3 de Julho de 2021, o empreiteiro, argumentando a subida dos materiais, veio a desistir.

– Em 5 de Agosto de 2021, a Câmara decide novo concurso. aumentando o preço para 370 mil euros. A mesma empresa… apresenta proposta, a obra é-lhe adjudicada, no valor de 380 509,87 euros, incluindo 21 538,29 euros de IVA. Contrato assinado em 12 de Setembro de 2021

Ora, segundo o INE, publicação de 12 de Janeiro de 2022, a inflação em 2021, foi de 1,3 por cento. Admitindo nós que no aço, principal componente da obra, possa ter sido superior, alguma coisa aqui não joga…!

A pergunta que coloco é: justifica-se um gasto de meio milhão de euros numa obra deste tipo? A obra em construção beneficia alguma coisa a beleza do local? O valor da adjudicação contempla a pavimentação da estrada para que o açude possa ser visitado no Inverno, quando lá tem água e espectacularidade?

Mais pergunto: quem tem meio milhão para gastar onde alguns irão, mas não tantos como os que passam na Estrada Municipal, não tem uns “patacos” para colocar a pia na fonte da estrada a caminho do Ervedal e para um embelezamento na fonte junto à Ponde do Salto?

Finalmente, não há no nosso Município uma “alminha” com teiró e bom senso, para evitar e impedir aquele crime ambiental e despesismo injustificado?

 

 

 

Autor: António Lopes

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