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Admissão de Paulo Rocha incendiou os ânimos na última Assembleia Municipal

 

… acusou Rui Abrantes de faltar à verdade e de “ir longe de mais” no caso Paulo Rocha.

“Saiu esta Câmara Municipal lesada ou não, por não ter ninguém como Paulo Rocha à frente das finanças municipais?”, questionou ontem à noite o deputado do PSD na Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, onde, por várias vezes usou da tribuna, até para dar como certa a sua intenção de não receber a senha de presença em face da exígua ordem de trabalhos.

Em reunião daquele órgão autárquico que terminou quando o relógio se aproximavam das duas da manhã, Rui Abrantes foi, de resto, a voz mais interventiva, com especial destaque para os reparos à “contratação de inverno” relativa à admissão do antigo companheiro de partido, Paulo Rocha.

Começando por informar que “foi com espanto e regozijo” que viu que, afinal, o PSD “estava certo e tinha razão” quando apoiou Rocha e a sua lista nas última eleições autárquicas, o jovem deputado social-democrata revelou, ainda, que o facto de o presidente da Câmara Municipal lhe reconhecer “competência” dá “ânimo” aos deputados do PSD.

“É uma mais valia que o senhor disse que precisava”, continuou Abrantes, que acusou José Carlos Alexandrino de se “escudar na sua incapacidade” para justificar a admissão do vereador. “O senhor disse que integrava Paulo Rocha por ser incapaz de lidar com as finanças”, insistiu, colocando, no imediato, em questão o estado das finanças municipais até à entrada de Rocha no executivo. Rui Abrantes foi ainda mais longe ao verificar que aquilo que Alexandrino quis foi “obter aquilo que as pessoas não lhe deram, que foi a maioria absoluta”.

Recorrendo a tudo o que foi dito por ocasião da admissão de Rocha no executivo municipal em permanência, Abrantes pegou até no argumento usado por Alexandrino de que o vereador seria responsável pelo trabalho de reformulação de regulamentos, representando menores custos para o município que chegou a ponderar a adjudicação do serviço a uma empresa, a preço mais elevado.

“Afinal, contratou Paulo Rocha porque é bom, ou porque é barato?”, questionou em tom irónico.

“O senhor deduziu que eu era incapaz. Isso é mentira, porque eu nunca disse isso”

“As declarações em relação a Paulo Rocha foram longe de mais porque não têm um conjunto de verdades”, respondeu o presidente da Câmara Municipal, notando até que da parte de Rui Abrantes houve, “no final”, alguma “desconsideração” para com o vereador em questão.

A acusação de “incapacidade” para lidar com as finanças locais não caiu bem junto de José Carlos Alexandrino que, recorrendo até, a um artigo de jornal provou nunca se ter valido daquele argumento para justificar a admissão de Rocha. “O senhor deduziu que eu era incapaz. Isso é mentira porque eu nunca disse isso”, afirmou, visivelmente desagradado o autarca oliveirense, que fez também questão de esclarecer que “nunca disse que ele (Rocha) ia ficar barato”.

Ainda sobre finanças, Alexandrino disse não lhe faltar capacidade para lidar com aquela pasta, mas antes disponibilidade. “Eu até venho do Crédito Agrícola, onde lidava com verbas muito mais elevadas do que aquilo que é o orçamento municipal” referiu, garantindo ter “confiança” no novo elemento do executivo municipal que “ já esta a fazer trabalhos nas áreas financeiras”. “Eu estou muito mais descansado agora, não haja dúvidas”, logo retorquiu Rui Abrantes.

Numa Assembleia que ficou marcada pelas intervenções inflamadas de Rui Abrantes, o presidente da Câmara também não se coibiu na argumentação, levantando até a suspeição relativamente ao dinheiro que município pagou a “alguns escribas que ganharam muito mais do que aquilo que Paulo Rocha vai ganhar”. Uma informação que garante tornar pública “porque nunca percebi o trabalho que cá fizeram em prol do concelho”, afirmou, causando uma onda de silêncio que assolou o salão Nobre dos Paços do Concelho. Alexandrino não deixou ainda sem resposta o deputado social democrata que o acusou de, através da contratação de Rocha conseguir aquilo que o povo não lhe deu.

“Também estará aqui em causa a questão da maioria para alcançar estabilidade política”, avançou, elogiando porém o trabalho da oposição que “tem colaborado com o executivo”. Num momento em que goza da desejada maioria, Alexandrino assegura não tencionar mudar o seu método de trabalho e compromete-se a “continuar a fazer consensos”.

Semelhante resposta foi dada pelo presidente ao deputado Rafael Costa do movimento independente Oliveira do Hospital Sempre que acusou o executivo municipal de incoerência no processo de admissão de Paulo Rocha. “Porque é que o governo fez uma coligação?” questionou José Carlos Alexandrino, que disse ainda não culpar Paulo Rocha de tudo o que aconteceu no anterior executivo. “O líder da equipa era o professor Mário Alves”, verificou, certo de que Paulo Rocha “ajudará a governar de modo melhor, porque não temos os mesmos meios do passado”. “Temos que fazer política de modo diferente”, concluiu.

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