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Alexandrino quer aproximar Oliveira do Hospital de Moçambique

 

José Carlos Alexandrino defendeu, hoje, uma maior aproximação do concelho de Oliveira do Hospital com o povo Moçambicano. “Se calhar é possível fazermos parcerias entre o município e algum município da República Popular de Moçambique”, afirmou esta manhã o autarca oliveirense na sessão solene comemorativa do 36º aniversário do 25 de Abril, realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal e participada pelo embaixador de Moçambique em Portugal.

Honrado pela presença de Miguel Mkaima em Oliveira do Hospital, Alexandrino explicou que o convite, que o próprio endereçou ao embaixador, representa “um factor importante do 25 de Abril” que é a “descolonização”.

Recusando-se a tecer grandes considerações sobre a Revolução dos Cravos, o autarca oliveirense preferiu antes sublinhar a importância das restantes forças políticas no desenvolvimento do concelho.

Sem deixar de sublinhar os nomes de João Dinis e António Campos na luta pela liberdade de Abril, Alexandrino – também se referiu a João Soares enquanto presidente da primeira comissão administrativa antes das eleições – dirigiu-se aos jovens políticos oliveirenses para lhes transmitir palavras de confiança. “Eu acredito que têm valor e que um dia irão levar este concelho e este país para a frente”.

A ideia de parceria com Moçambique caiu bem junto do embaixador em Portugal que, na sessão realizada esta manhã, destacou a importância do investimento português em Moçambique como forma de “combater a pobreza”.

Recordando que a “zanga” entre portugueses e moçambicanos terminou no dia 25 de Abril de 1974 – “não podem imaginar quão importante é a liberdade e a independência do povo moçambicano”, frisou – Mkaima clarificou que “hoje, Moçambique é um dos melhores amigos e parceiros de Portugal”. “Nós já não temos diferenças, estamos é cada vez mais unidos”, verificou o embaixador, referindo que “os moçambicanos olham para os portugueses como parceiros económicos, sociais e políticos”.

Revelando disponibilidade para “continuar a dialogar com o presidente da CMOH”, Miguel Mkaima defendeu uma “aproximação cada mais forte e que frutifique” com um concelho moçambicano.

“Este ano, também nós somos um pouco mais livres”

Sem nunca se esquecerem de enaltecer o papel dos capitães de Abril, os representantes de cada um dos partidos, com assento na Assembleia Municipal, tiveram voz na sessão solene, que também contou com a presença do ex-presidente daquele órgão autárquico, António Simões Saraiva.

Invocando os 3 D que marcaram o 25 de Abril – Descolonização, Democracia e Desenvolvimento – João Dinis olhou para o presente para verificar que Portugal atravessa hoje “sérios problemas”, como o desemprego, exclusão social, baixos salários, dependência económica, endividamento externo e baixa natalidade.

O eleito pela CDU na Assembleia Municipal referiu-se ainda ao plano externo, denunciando o “decepar da independência nacional no âmbito deste colete-de-forças entre a União Europeia e o galpulhado Tratado de Lisboa”. Dinis apontou ainda o dedo à “degradação da vida democrática a todos os níveis” e ao “pesado endividamento externo”. “O estado a que isto chegou”, verificou João Dinis, recordando que esta mesma expressão foi utilizada por Salgueiro Maia antes de avançar com as tropas.

Do lado do movimento independente Oliveira do Hospital Sempre, Rafael Costa sublinhou a importância do 25 de Abril nas alterações culturais de Portugal. Considerando tratar-se de um marco entre “um passado conservador e um futuro democrático”, Costa recordou Oliveira Salazar para verificar que “Portugal vivia orgulhosamente só”.

Sobre o presente e o futuro, o representante do movimento independente constata que “o 25 de Abril ainda não conseguiu responder a todas as aspirações justas dos cidadãos”, como a “justiça imparcial para todos”.

Rafael Costa destacou ainda que os portugueses passam por “um período de vida muito difícil”, verificando a ausência de uma “classe política capaz de governar a bem de todos os portugueses”. “O país está a sofrer e os agentes políticos pouco ajudam”, observou, apontando o dedo a quem recebe ordenados chorudos e a quem, pelo contrário, vive na miséria. O desemprego que afecta os jovens foi ainda referenciado por Rafael Costa, frisando a “falta de esperança” que por vezes afecta os portugueses. Terminou, contudo, com uma mensagem de confiança, de que um dia Portugal ainda se situará ao lado de outros países da União europeia.

A necessidade de reformas nos vários sectores da sociedade foi abordada por Rui Abrantes, do PSD. Começando por questionar a existência de razões para se comemorar o 25 de Abril, o eleito do PSD na Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital considerou que, é hoje “consensual”, que “Portugal vive um dos períodos mais conturbados da sua história”.

“Internacionalmente, já há quem questione se Portugal é um país viável dado que não tem, nem gera, recursos suficientes para proporcionar aos seus residentes uma qualidade de vida sustentavelmente digna”, considerou Rui Abrantes, tecendo um cenário pouco animador da realidade portuguesa.

À geração actual lançou o desafio de se encontrarem soluções para se resolverem as situações mais graves, onde incluiu descrédito dos políticos, o desemprego e a pobreza. Defendendo um “pacto de regime”, Abrantes colocou a descida do desemprego no topo das prioridades, seguido pela necessidade de reformas administrativas na justiça, saúde e educação.

Colocando a tónica na importância da liberdade e da independência, o socialista Rodrigues Gonçalves recordou vários episódios históricos de conquista daqueles valores. Sublinhando a necessidade de se prosseguirem os valores conquistados em 25 de Abril de 1974, aquele eleito na Assembleia Municipal verificou que “este ano”, também os oliveirenses são “um pouco mais livres”.

“Ainda ontem vi uma “chaimite” que é o símbolo da revolução e vejo, todos os dias, novas iniciativas que vão fazer deste concelho, o que ele merece”, sublinhou Rodrigues Gonçalves, esperando que “assim se mudem as mentalidades para que se cumpra o 25 de Abril”.

Pegando nos três D já invocados por João Dinis, o presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital referiu que a presença do embaixador Miguel Mkaima é a “prova provada de que a descolonização está feita”.

Sobre a Democracia, António Lopes denunciou o “egoísmo, ganância e servilismo de uns poucos” que vão “facilitando o amordaçar da liberdade então conquistada” e, “tornando distante a construção de uma democracia plena que o radioso 25 de Abril pretendeu implementar”.

Relativamente ao Desenvolvimento, António Lopes verificou que “a banca rota entrou no lexo do dia-a-dia”. “Vinte por cento da população está abaixo do limiar da pobreza. Não foi para isto que fizemos o 25 de Abril”, observou o autarca, dando conta da sua vontade para contrariar “este estado de coisas”. “Teremos a força bastante para repor este concelho e este país nos caminhos que Abril rasgou”, garantiu, apelando à mobilização, para construção de um país mais justo. “O D de Democracia não pode ser mais adiado”, frisou.

Na qualidade de primeiro presidente eleito da CMOH, António Simões Saraiva criticou as análises económicas e políticas apresentadas naquela sessão, por considerar que “o 25 de Abril foi uma bênção”.

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