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IC6

Alexandrino recusa-se a condicionar futura candidatura pelo PS à conclusão do IC6

Corria o mês de Fevereiro de 2010 quando José Carlos Alexandrino afirmou numa entrevista que se perdesse a batalha pela conclusão do IC6 não sabia se faria sentido continuar a ocupar o lugar de presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. Três anos depois, em Setembro de 2013, numa outra entrevista reconheceu que tinha assumido publicamente demitir-se se a via não avançasse. A obra não avançou, mas não cumpriu aquilo que tinha prometido. Justificação: o PS não completou o mandato no Governo. Na última Assembleia Municipal, onde IC6 e requalificação da EN17 voltaram a estar em destaque, José Carlos Alexandrino viu-se novamente assombrado por aquelas obras e antigas declarações quando o centrista Luís Lagos o questionou directamente se admitia recandidatar-se à autarquia pelo PS se o actual Governo não se comprometesse com a conclusão da obra. Lagos não conseguiu obter uma resposta clara, ficando a saber apenas que Alexandrino só admite candidatar-se pelo PS.

“Esta é a grande pergunta que se impõe politicamente no concelho e a única grande arma de arremesso que existe. Senhor presidente da Câmara é candidato pelo PS, se o Partido Socialista não assumir o IC6 como uma prioridade política enquanto Governo? É ou não candidato?”, atirou o agora líder da distrital centrista de Coimbra. Luís Lagos foi mais longe e deixou outro desafio ao autarca: “Se tiver a coragem de dizer aqui que não o é, mas que será candidato de outra forma, até eu ponderarei se uma candidatura de tal envergadura em defesa do concelho não merece o meu apoio. Porque isso sim, é abandonar a partidarite em defesa do concelho”, sublinhou.

“Não serei candidato por outra força partidária ou independente”

José Carlos Alexandrino não conseguiu responder. Contornou a pergunta. Utilizou mesmo um artigo de opinião do CBS, o qual referia a possibilidade do PS estar a pensar em Paulo Campos como candidato, para dar um tom lúdico ao tema. E lá foi dizendo que o “timing” da sua candidatura é ele próprio que o escolhe e mais ninguém. “Por uma questão de lealdade, não para com o PS nacional, mas local quem será o primeiro a saber da minha decisão será o PS do concelho”, respondeu numa primeira fase. Só deixou uma certeza. “Garanto-lhe aqui que se não for candidato pelo PS, não serei candidato por outra força partidária ou independente. A minha carreira política acaba aqui”, frisou, deixando o eleito do CDS sem resposta objectiva para a questão que tinha colocado.

Luís Lagos ficou sem grandes dúvidas. “Reconheceu que a solidariedade entre o partido e o concelho está feita. A solidariedade dele é para com os interesses do Partido Socialista local”, explicou depois em declarações ao CBS, frisando que “a bomba atómica” do concelho para forçar o Governo à conclusão do IC6 “seria o candidato das suas cores não se candidatar se não assumirem a obra como uma prioridade”. O centrista, que durante a Assembleia Municipal fez questão de referir que no tempo do Governo PSD/CDS esteve na linha da frente da luta por aqueles objectivos, explicou que ele jamais se candidataria se não tivesse essa promessa garantida por parte do seu partido se esse fosse poder. “Quando houve a manifestação eu estive presente e o meu partido estava no Governo. Coloco os interesses do concelho à frente dos interesses partidários”, rematou.

“Problema podia estar resolvido se não fosse a necessidade de se colocar em bico de pés”

As vias de comunicação foram, de resto, alguns dos alvos mais debatidos tanto pelo PSD, como pelo CDS. Luís Lagos classificou aquela via como “um batatal” e que é necessário passar das palavras aos actos, num processo que não pode ser partidário e terá de ser liderado pelo presidente da autarquia. “Para quando senhor presidente e de que modo nos vamos bater pela EN17 e pelo IC6? Urge exigir a este Governo uma resposta concreta”, enfatizou o líder centrista, apontando vários problemas ligados a esta inactividade. “Há vários investimentos bloqueados no concelho pelo traçado do IC6. Está desenhado e num raio de 30 ou 60 metros não se pode fazer qualquer tipo de construção. É muito investimento inviabilizado por uma estrada fantasma”, rematou. Já o PSD reforçou que é necessário fazer ver aos responsáveis das Infra-estruturas de Portugal o estado em que se encontra a EN17. “Estamos convencidos que eles não fazem ideia do estado deplorável em que se em que se encontra esta via. A situação é revoltante. Continuamos a assistir a acidentes para os quais muito contribui o estado do asfalto”, referiu Rafael Costa, desafiando os colegas da Assembleia Municipal a enviarem mails e cartas com fotos para devidos responsáveis. “Vamos entupir-lhes as caixas de correio”, atirou.

Já António Lopes não acredita na conclusão do IC6. Considera que esse problema e o da saúde poderiam estar resolvidos “não fosse a necessidade que José Carlos Alexandrino sente de se colocar em bicos de pés”. “Como ainda o fez hoje aqui”, referiu numa alusão ao facto de José Carlos Alexandrino ter feito saber que tinha tido um encontro com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, num evento. O homem que foi eleito para liderar a Assembleia Municipal acredita que o IC6 também só não chegou a Oliveira do Hospital devido a frases alegadamente proferidas pelo autarca como “É preciso haver sangue”, “Vamos formar uma guerrilha”, “Vamos boicotar as eleições Europeias”. Palavras que, segundo António Lopes, não caíram bem mesmo junto de outros autarcas da região e de nada valendo a tentativa de intervenção para abafar o ruído por parte dos presidentes de Câmara das duas CIM envolvidas.

José Carlos Alexandrino, por seu lado, não avançou com qualquer tomada de posição. O autarca diz querer reunir brevemente com todos os líderes dos partidos políticos do concelho para se delinear uma estratégia. Reconheceu, porém, que este Governo já teve tempo para resolver o problema. “Vai fazer um ano e é tempo demais para a resolução destes problemas. Se há aqui alguém que se sente frustrado sou eu”, admitiu, antes de dar conta que não tem conseguido “abrir portas”. “A adjudicação da EN17 é uma vergonha. Tem havido muitas portas fechadas. A paciência esgota-se e a minha está a esgotar-se”, concluiu.

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