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Alvoco das Várzeas: O exemplo da cooperação para a Saúde em Portugal. Autor: João Miguel Pais

A Saúde é possivelmente o tema mais importante de toda uma sociedade, dado que existe uma preocupação constante sobre todos nós. Admitindo que, pelo modo de ser da vida, encontramo- nos sujeitos às mais vulgares enfermidades, desde dos mais vulneráveis aos que demonstram uma saúde “em pêras” (como se diz aqui pela Nossa Beira) Contudo, há intervenientes como os prestadores de cuidados, os gestores, os governantes e outros que, pela responsabilidade que detêm sobre si, , possuem também a vontade de querer responder e fazer por promover a Saúde em Portugal: seja ela nos grandes centros urbanos, seja ela numa aldeia como Alvoco das Várzeas.

Os desafios progressivos da baixa densidade populacional a somar às constantes mudanças do perfil das doenças – como é o exemplo da Covid-19 -, mas também da crescente exigência social e do escrutínio público fazem com que a Saúde no nosso País seja alvo de preocupação. Não obstante, torna-se essencial que sejam dadas respostas rápidas e funcionais por parte de todos o que integram este sistema burocrático que peca pela sua sensibilidade.

Em Oliveira do Hospital: não é diferente. Não é diferente na precariedade que o Sistema Nacional de Saúde apresenta, nem é diferente na responsabilidade que os decisores locais devem assumir. São estes também os responsáveis que devem responder a quem precisa. Acima de tudo, querem- se com a lucidez necessária, com visão, mas também com a capacidade de deixar de lado os, por vezes (talvez demasiadas) e existentes, interesses politiqueiros. Devem responder a um Povo que, por vezes, sofre do esquecimento crónico alojado no poder central. Devem responder a localidades que necessitam de Serviços de Saúde próximos e eficazes.

Afinal de contas, vejamos, que por cá, as características são preocupantes. A realidade de uma comunidade envelhecida que se demonstra enquanto lacuna de um sistema de mobilidade interno ágil e condigno: a dificuldade constante de captar e fixar médicos, a carência da modernização – necessária – dos equipamentos hospitalares e das suas infraestruturas, a ausência do serviço de atendimento permanente no Centro de Saúde, entre tantas outras privações que estamos submetidos dão aso a que precisemos de ideias, soluções e inter-cooperação.

Posto isto, sofremos de uma conjunção que une – para nossa infelicidade – a necessidade de uma longa travessia a percorrer e de uma identificação prática das necessidades que localmente sofremos. Felizmente, há passos que já vão sendo dados. Um deles, bem próximo da nossa realidade. A reabertura da Unidade de Extensão de Saúde de Alvoco das Várzeas é um exemplo vivo disto mesmo. Uma lacuna que há pouco mais de quinze dias acabou por se suprir. Mais do que uma lacuna: um dever. Um dever que agora se cumpre pelas particularidades únicas das necessidades de uma população que, pelo que a constitui, tanto ganha em ter cuidados de saúde primários na sua terra. Por inerência, é um passo dado e uma amostra clara e de confiança que, com as pessoas certas e com uma dose de coragem e colaboração, sejam quais forem, os desafios podem ser sempre superados – mesmo que aparentem e nos digam, reiteradamente, não há solução.

Se falarmos de soluções falamos de proximidade. Falamos da necessidade de que, mais do que governantes lá do longe, tenham uma palavra a dizer os Coordenadores das Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP).

Hoje, graças a essa resposta, Alvoco das Várzeas volta a ter a esperança de uma aldeia com Saúde. A esperança de uma aldeia com Serviços para oferecer. A esperança de uma missão, que deve ser de toda uma sociedade: cuidar de quem cuidou de nós.

Penso que, dado a isto, o mote estará lançado para um Concelho que se quer agregador e cooperante em matérias que se sobrepõem a qualquer tipo de moscambilha que possa existir. Destarte, o pontapé de saúde para uma maior dinamização de projectos de Saúde em parcerias com as entidades locais, uma maior promoção da literacia em Saúde, um reforço nas colaborações entre o sistema de saúde público e outros sectores – nomeadamente, o sector social -, a possível criação de equipas multidisciplinares na UCSP e o desenvolvimento ponderado, prático e sustentável da TeleSaúde.

Quem sabe, isto possa mesmo ser possível. O tempo nos dirá.

Em suma, mais do que auto-congratulações ou putativas estagnações, há um caminho possível, como podemos testemunhar, para que haja em Portugal Saúde próxima para todos, basta, que todos os responsáveis que mencionei sejam atentos, reivindicativos e reclamativos. Só desta forma, podemos lutar por aquilo que acreditamos e ser o mais justo, mas também meritório para os nossos e para a nossas aldeias, para as nossas cidades. Será desta maneira que as respostas aparecerão.

 

 

João Miguel Pais, Secretário da Junta de Freguesia de Alvoco das Várzeas 

 

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