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Antiga IRAL segue via da liquidação

Não há volta a dar. Em face de um crédito tão elevado, os cerca de 40 trabalhadores da empresa de metalomecânica Imporfabril não se revelaram disponíveis para uma nova tentativa de recuperação da unidade fabril, localizada junto à rotunda Armindo Lousada em Oliveira do Hospital e votaram – registaram-se três abstenções – pelo encerramento imediato da empresa e respetiva cessação de atividade.

Em cima da mesa esteve ainda, conforme explicou a administradora de insolvência Maria do Céu Carrinho, a proposta de tentativa de recuperação por parte da Iral Sul – antiga filial da empesa oliveirense – por um período de seis meses.

Uma proposta que não pegou junto dos trabalhadores que não escondiam o desânimo pelo estado a que a situação chegou.

Num processo onde a Segurança Social é a maior credora, logo seguida pelos trabalhadores – os que permaneceream até dezembro acumulam seis salários e dois subsídios por receber – e fornecedores, a administradora de insolvência também regista a preocupação manifestada pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, que terá mostrado interesse em encontrar um investidor interessado em viabilizar a empresa.

“Mas não existe qualquer hipótese de a Imporfabril recuperar”, referiu Maria do Céu Carrinho deitando por terra qualquer hipótese de viabilização.

Decidido que estava o encerramento da empresa, o modelo de liquidação a seguir foi igualmente sujeito a votação, acabando por passar a solução de venda do património de forma separada.

A venda conjunta não vingou e foi aprovada a venda dos imóveis por via de avaliação e consequente apresentação de propostas em carta fechada, em tribunal. Já os bens móveis serão objeto de venda em lotes e através de negociação particular.

À saída de uma sessão onde, de ora em quando, ecoavam os lamentos dos trabalhadores – “andamos fartos de ser enganados” – chegou-se a ouvir em plena sala de audiências – o desânimo tomava conta do conjunto daqueles que, durante anos, colaboraram na empresa e se vêem agora a braços com um futuro incerto.

Representante dos trabalhadores na comissão de credores, Jorge Vicente disse não ser este o desfecho que os trabalhadores defendiam, mas que em face da situação atual, também não haveria outra caminho a seguir. “

A solução esperada era que a empresa pudesse continuar”, afirmou o trabalhador que apesar de jovem, deixa a empresa ao fim de 14 anos de casa.

A integrar o grupo de 19 trabalhadores que, em setembro passado, rescindiu os contratos de trabalho por justa causa e no final do ano solicitou a insolvência da empresa, Jorge Vicente assegura que os trabalhadores apenas pretendiam os seus direitos e que “aquilo um dia pudesse continuar”.

“Nunca deu para nós, só dava para quem ele queria”

Um desânimo que é contagiante entre os trabalhadores que engrossam as estatísticas do desemprego no concelho e, que chega a ser mais penoso para quem passou toda uma vida ao serviço da empresa agora extinta.

“Tenho 60 anos e comecei lá a trabalhar com 15”, afirmou Maria Teresa Santos que, ao fim de 45 anos de casa, disse nunca esperar por este desfecho. “Sempre pensei que chegava à reforma, mas tive que me vir embora antes”, contou, queixando-se ainda de ter passado toda uma vida na empresa “a trabalhar o máximo e a ganhar sempre o salário minino”.

A trabalhadora que, dutante mais de quatro décadas assistiu às várias fases da empresa, não hesita em responsabilizar o administrador pelo estado a que empresa chegou, denunciando que mesmo em situação de salários em atraso tomou a decisão de beneficiar outros trabalhadores com aumentos no vencimento.

“Nunca deu para nós, só dava para quem ele queria”, lamentou a trabalhadora referindo até, que “enquanto a maior parte ganhava o salário minimo, havia outros a ganhar 1900 Euros por mês”.

A representar os trabalhadores que se mantiveram ao serviço até ao fim do ano, José Paixão do Sindicato das Indústrias Transformadoras do Centro Norte considerou estar em face de “um momento dramático”, mas que foi “a solução possível” tendo em conta a atual situação da empresa.

Para o elemento do sindicato, que chegou a propor aos trabalhadores a suspensão dos contratos como forma de “deixar uma porta aberta” para uma possível recuperação da unidade industrial – foi rejeitada pelos trabalhadores – a retoma de laboração da empresa “era muito dificil”, quer pela situação atual do país, quer também pela forma como a empresa estava organizada.

“Havia um conjunto de malabarismos a que agora foi posto cobro”, frisou José Paixão que falou ainda da descrença dos trabalhadores em relação ao futuro de empresa, tendo em conta “a falta de investimento e de modernização da mesma”. “E o resultado está à vista”, referiu.

Perante a impossibilidade de recuperação da empresa, o sindicalista lamenta a “perda de postos de trabalho e de produção de riqueza no concelho”. “É uma má notícia para Oliveira do Hospital”, concluiu.

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