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Medalha de Ouro de Oliveira do Hospital para Ana Abunhosa aprovada no meio de várias criticas

A atribuição da medalha de Ouro do Concelho de Oliveira do Hospital foi um dos momentos mais quentes da Assembleia Municipal que decorreu ontem. Com todas as forças políticas contra, com excepção do Partido Socialista, Ana Abrunhosa acabou por ver o seu nome aprovado, mas com sete votos contra e uma abstenção, enquanto os restantes elementos a ser condecorados no dia da cidade receberam votação por unanimidade, com excepção de Raúl Dinis que contou com uma abstenção. A discussão foi mesmo marcada por algumas trocas de palavras mais acesas, com o vereador social-democrata, João Paulo Albuquerque, a questionar se o eleito socialista João Ramalhete estava ali na qualidade de advogado avençado da autarquia para defender o executivo ou na qualidade de eleito para defender os munícipes e defendeu as razões que o levavam a não concordar com a forma como são atribuídos os galardões.

João Paulo Albuquerque pediu ao presidente da Câmara autorização para falar, depois de João Ramalhete o ter acusado de se ausentar da reunião da autarquia para não votar. “Há uma crise de liderança no PSD. E sabem onde isso se reflecte. Reflecte-se no vereador Pombo que saí para não votar. Portanto, não tem opinião”, atirou o eleito socialista que pertence ao escritório de advogados que trabalha com a autarquia oliveirense. O social-democrata não gostou e fez questão de explicar a razão que o levou a não votar na reunião de câmara em que foram apresentados os candidatos às condecorações.

“Não sei se o senhor deputado Ramalhete está aqui como o advogado para defender as pessoas por quem está avençado ou se está a defender quem votou em si para esta assembleia. Mas para o esclarecer vou ler-lhe a minha intervenção nessa reunião de Câmara, ainda antes de ter conhecimento da reportagem da TVI [Ramalhete acusou o PSD de mudar de posição depois da reportagem televisiva]. O que disse na altura é que face à proposta que me era apresentada, o município tem mais medalhas que pessoas que se enquadrem nos regulamentos de atribuição. Pelos critérios seria mais fácil atribuir a medalha de ouro à Provedora de Justiça que defendeu muito bem as indemnizações a atribuir às vítimas dos incêndios do que a senhora presidente da CCDR. Foi por isso que não votei”, referiu, sublinhando ainda que não entendia como era medalhado o empresário Fernando Brito, deixando de fora, por exemplo, o engenheiro Manuel Almeida que colocou muito antes a sua empresa destruída pelo fogo a laboral com dinheiro próprios. “Já quanto ao senhor Raúl Dinis, acho muito bem que seja medalhado, mas como ele há dezenas no concelho. Foi por isso que não votei, senhor Ramalhete”, rematou.

Antes o líder do PSD, João Brito, foi o mais crítico em relação à nomeação de Ana Abrunhosa, não lhe reconhecendo nada que se enquadre nos regulamentos das condecorações. “Ela limitou-se a exercer as funções para as quais é remunerada. Mostrou mesmo alguma inércia e falta de transparência na adjudicação das obras por ajustes directos, estando grande parte delas por concluir”, referiu, sublinhando ainda que não lhe “parece que uma pessoa que acusada de calúnia e difamação do seu antecessor deva ser considerada para tal galardão”. O também social-democrata Rui Fernandes fez questão de deixar claro que não entende como se condecora uma pessoa que não fez mais que os órgãos autárquicos ou as freguesias. “Não lhe reconheço qualquer mérito”, rematou.

Além dos vários eleitos socialistas que defenderam Ana Abrunhosa, também o presidente da autarquia José Carlos Alexandrino apresentou as razões que o levaram a apresentar o nome da líder da CCDR Centro. “Ana Abrunhosa enquadra-se pelo trabalho que fez nos incêndios e das várias negociações que teve com o concelho de Oliveira do Hospital”, referiu. “Estamos numa democracia, cada um tem a sua ideia, e por isso vamos votar”, rematou.

 

Os nomeados:

Ana Abrunhosa: 28 votos a favor, sete contra e uma abstenção.

Raúl Dinis: 34 votos a favor e um contra.

Fernando Brito: 36 votos a favor.

Maria de Carmo Vasconcelos: 36 votos a favor.

 

 

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