Home - Arquivo - AQUECIMENTO GLOBAL acima de 1.4ºC no primeiro trimestre do ano. Autor: Carlos Antunes

AQUECIMENTO GLOBAL acima de 1.4ºC no primeiro trimestre do ano. Autor: Carlos Antunes

AQUECIMENTO GLOBAL acima de 1.4ºC no primeiro trimestre do ano. Autor: Carlos AntunesDepois do centro europeu COPERNICUS foi agora a vez da NASA, através do seu centro GISS, confirmar que o mês de Março é, em ex aequo com 2019 e 2017, o segundo mês de Março mais quente deste o período pré-industrial. Só abaixo do mês de Março de 2016, ano atípico com um El Niño intenso. Os dados da NOAA são muito semelhantes, mas com umas centésimas de grau mais baixo.

A análise da série da anomalia da temperatura média global (relativa à média de 1880-1910), permite-nos identificar que 2020 é o 2º ano, depois de 2016, com uma temperatura média acima de 1.4ºC nos 3 primeiros meses do ano. Os anos de 2017 e 2019 tiveram apenas 1 mês, o de Março, acima desse limiar de 1.4ºC.

Analisando os últimos 10 anos dessa série de valores mensais, constata-se uma taxa média de aquecimento na ordem de 0.05 ºC/ano, a que corresponde uma aquecimento de 0.5ºC/década. Como é visível no gráfico, desde 2011 a superfície do planeta já aqueceu meio grau, 0.5ºC em 10 anos apenas. É um aquecimento médio global 6X superior ao que se verificava na década de 70 do século passado. Passados 40 anos temos a superfície do planeta a aquecer 6X mais rápido.

Se este ano, como tudo indica, ficarmos na ordem de 1.3ºC acima do período pré-industrial, então esta taxa de aumento da temperatura média global de 0.5 ºC/década vai levar-nos para lá da meta de 1.5ºC muito rapidamente, antes do final da década. Nos tempos em que vivemos uma grande pandemia e a iniciar um das maiores crises económicas de sempre, deveremos parar para pensar, para pensar melhor sobre o rumo que queremos dar aos nossos destinos, ao destino da humanidade. Pois sabemos que com este nível de consumo e crescimento, económico e demográfico, não é possível nem é sustentável viver num planeta com temperaturas de 3-4 ºC mais quentes do que vivemos actualmente.

Esta pause forçada nas emissões de GEE e de poluentes para a atmosfera, devido ao Covid-19, dá-nos a oportunidade de verificar, de ver melhor, em grande escala, o impacto da nossa actividade económica no clima e no ambiente. Ao contrário do que se pensa e de que algumas imagens de satélite, bem como fotografias nas redes sociais da qualidade do ar que agora se observa em muitos dos países mais poluidores, têm demonstrado, esta pausa nas emissões globais não vai afectar muito o Aquecimento Global, eu diria até, praticamente nada, e muito provavelmente, até irá agravar a situação. A relação causa efeito é muito complexa, mas dá para perceber que as concentrações de GEE não serão afectadas, apenas uma ligeira redução na taxa anual de aumento desse GEE (CO2, CH4 e NO2, mais os hidrofluorcabonetos). Para além de que a diminuição drástica de aerossóis (partículas finas resultantes da poluição atmosférica), devido ao seu curto tempo de vida na atmosfera, irá aumentar a temperatura média global mais do que a correspondente à diminuição na taxa de crescimento da concentração GEE. A única vantagem desta pausa das emissões, é sem dúvida a melhoria significativa da qualidade do ar (e a qualidade ambiental) que reduzirá o número global de mortes por problemas respiratórios. Para além disso, a retoma económica irá acelerar drasticamente o consumo de energias fósseis, por um lado para ultrapassar e sanar a crise económica, depois para recuperar os níveis da economia anteriores à crise do Covid-19.

Se por um lado, as alterações climáticas e ambientais nos indicam que deveríamos #ficaremcasa, ou seja, reduzir o consumo de recursos minerais finitos, nomeadamente os recursos fósseis, por outro lado a ávida vontade de retoma económica diz-nos que depois desta fase teremos de retornar à normalidade o mais rápido possível e consumir o máximo que pudermos para retomarmos a economia e gerarmos riqueza, de forma a recuperarmos o rendimento médio familiar e assegurar os empregos.

São dois objectivos completamente antagónicos, contrários, paradoxais, que nos colocam sobre um grande dilema: DEVEREMOS SALVAR A ECONOMIA OU SALVAR A HUMANIDADE?

https://climate.copernicus.eu/…/surface-air-temperature-mar…

https://data.giss.nasa.gov/gistemp/graphs/

Autor: Carlos Antunes

 

LEIA TAMBÉM

COVID-19, dia 10 de Abril (no reason to worry about). Autor: Carlos Antunes

Certamente, todos hoje se questionam sobre o número de casos confirmados e sobre se passámos …

COVID-19, dia 8 de Abril (o dia da continuidade… em ficar em casa!). Autor: Carlos Antunes

Portugal é um dos países europeus que apresenta maior número de testes por milhão de …